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Um retrato social diário, baseado na relevância do fato, da notícia e da imagem

Um retrato social diário, baseado na relevância do fato, da notícia e da imagem

Angélica usa sua visibilidade para debater temas como machismo, etarismo e impacto das redes sociais

‘Precisamos falar sobre isso, expor essa desigualdade e mostrar que as meninas podem e devem ser livres para ser quem são’, diz Angélica em entrevista à Coluna Alice Ferraz

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Foto do autor Alice Ferraz
Atualização:
Angélica: ‘Quero que minha filha cresça sabendo que pode ser quem quiser, sem limitações’. Foto: Fotocolagem de Thais Barroco sobre fotos de acervo pessoal, Lucas Teles, Luciano Huck, Alex Santana, Leca, Rafael Reis e Antonio Netto

Difícil unir em um só personagem o carinho de mulheres de várias gerações e classes sociais através do Brasil todo. Angélica Ksyvickis Huck, um dos rostos mais conhecidos da televisão brasileira, cresceu sob os holofotes e é hoje capaz dessa mágica.

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Sua trajetória começou cedo como apresentadora: aos 13, se tornou nacionalmente conhecida ao comandar o “Clube da Criança” na extinta TV Manchete. Desde então, construiu uma carreira sólida, atravessando diferentes formatos e gerações, consolidando-se como uma das figuras femininas mais relevantes da comunicação no país. Hoje, aos 51 anos, escolheu usar sua voz e seu espírito empreendedor para discutir temas como etarismo, empoderamento e liberdade feminina.

Em conversa com a coluna, sob o tema do mês da mulher, a comunicadora reagiu à recente pesquisa do Instituto Think Olga em parceria com o Movimento Sonhe Como Uma Garota, que revelou que o maior sonho das mulheres brasileiras não é casar nem ter filhos, mas viajar. Angélica acredita que esse desejo de explorar o mundo vai além de conhecer novos lugares. Para ela, viajar representa, antes de tudo, um anseio por liberdade. “Viajar significa se libertar das estruturas que foram impostas a nós mulheres ao longo da história. Conhecer o mundo é também um processo de autoconhecimento”, reflete.

Durante a adolescência, enquanto comandava programas de auditório, a apresentadora visitou diferentes cidades do Brasil e interagiu com diversas culturas. Com o amadurecimento, sua relação com as viagens ganhou novas camadas. “Para mim, o grande aprendizado da vida é conhecer outras culturas e pessoas. Mas também viajar para dentro, se autoconhecer, entender quem somos e nos libertarmos de amarras que nos limitam”, afirma. Esse pensamento ressoa em sua própria trajetória: uma mulher que, depois de décadas de carreira na TV, tem explorado novas formas de expressão, liderança e engajamento.

Essa motivação, regada pelo tema da liberdade feminina, se conecta diretamente com outra bandeira que Angélica tem abraçado nos últimos anos: o combate ao etarismo. O contato dela com pautas contemporâneas e seu próprio amadurecimento gerou reflexões profundas sobre como a sociedade encara a idade, especialmente no caso das mulheres. “Sempre fomos ensinadas a temer o tempo. Mas envelhecer não é perder valor, é acumular experiência. Vivi isso na pele e senti que precisava falar sobre isso”, explica.

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Foi essa inquietação genuína que deu origem ao Mina, um portal criado por ela para discutir temas relacionados à posição da mulher na sociedade. “O Mina nasceu da minha vontade de trazer discussões importantes e abrir espaço para que mulheres falem de suas experiências. Precisamos romper com essa ideia de que há um prazo de validade para nós”, conclui.

Além de sua carreira e engajamento social, Angélica também é mãe de três filhos: Joaquim, Benício e Eva, frutos de seu casamento com o apresentador Luciano Huck. Criar uma menina em um mundo que ainda impõe tantas limitações ao feminino trouxe novas reflexões para sua vida. “Os meninos têm muito mais liberdade. As meninas ainda sofrem uma pressão muito maior, seja pela estética ou pelo amadurecimento precoce. Desde cedo, são cobradas para serem responsáveis, maduras, comportadas. Quero que minha filha cresça sabendo que pode ser quem quiser, sem limitações”, diz.

Ela observa como essa cobrança se reflete até mesmo nas redes sociais, no seu caso, mais de 17 milhões de seguidores. “Uma simples foto da Eva gera comentários que não existem quando posto os meninos. A sociedade impõe padrões distintos, e isso afeta a autoestima e a forma como as meninas se veem no mundo.” Para Angélica, a solução está no diálogo e na desconstrução de expectativas ultrapassadas. “Precisamos falar sobre isso, expor essa desigualdade e mostrar que as meninas podem e devem ser livres para ser quem são.”

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