ENVIADA ESPECIAL A PARATY - A Ministra do Meio Ambiente Marina Silva falou para uma plateia abarrotada no Auditório da Matriz na noite desta sexta, 1º, na Festa Literária Internacional de Paraty, a Flip 2025. A mesa, mediada pela jornalista Aline Midjei, refletiu sobre a iminência da crise ambiental e os desafios da COP30 em Belém.
Líder da causa ambiental no Brasil, ela falou que estamos vivendo um “momento de estranhamento, perdendo a dimensão de que estamos aqui porque somos sustentados uns pelos outros e por essa casa que nos permite viver aqui”.

A ministra ponderou que, em meio a um contexto geopolítica desafiador, principalmente com a saída dos Estados Unidos do Acordo de Paris e a recente disputa tarifária entre o governo Trump e o Brasil, a COP tem uma tarefa difícil.
“Não há outra alternativa”, porém, disse ela: “96 países precisam decidir, em consenso, que não há mais o que protelar” e realizar “um mutirão”, como chama, para implantar o que foi decidido para alcançar a Missão 1.5, estabelecida na COP de Dubai, para limitar o aquecimento da terra em 1,5ºC. “A ciência disse que esse é o limite, depois, não há volta.”
Em meio à conversa, Marina refletiu sobre os caminhos da política, afirmando que ela se encontra em um momento de estagnação. Aproveitando a visita à Flip e citando o sociólogo Zygmunt Bauman, disse que “a política precisa beber” de espaços como a arte e a filosofia, pois, se existem espaços que permitem e inspiram a mudança, são esses.
“Não sou otimista, nem pessimista. Sou persistente”, disse a ministra, refletindo sobre sua luta contra a destruição ambiental em meio ao cenário político. Também lembrou os ataques no congresso em maio, quando chegou a ter seu microfone cortado durante sessão à qual havia sido convidada. “Não usar as mesmas armas é a primeira resistência”, afirmou.
Leia também
Palestinos ‘pagam preço por antissemitismo da Europa’, diz historiador israelense Ilan Pappe na Flip
Vídeo: Valter Hugo Mãe chorou e fez a Flip chorar em 2011. De volta, conta o que aquilo significou
Neige Sinno na Flip: ‘Não sou salva por nada, nem pela literatura, nem pelo amor, nem pela terapia’
Marina ainda emocionou o público quando explicou a influência da literatura em sua vida, relembrando a avó, que era analfabeta, e como a vontade de poder ler foi um dos pontapés de sua vida política.
Já ao final da mesa, ela e Aline receberam no palco Alessandra Sampaio, viúva de Dom Philips, jornalista que foi morto na Amazônia ao lado do indigenista Bruno Pereira. O abraço entre as duas foi aplaudido de pé pelo público.




