O escritor israelense David Grossman classificou as ações de seu país em Gaza como “genocídio”, afirmando estar com o “coração partido” por isso, em entrevista publicada nesta sexta-feira, 1º, no jornal italiano La Repubblica.
“Recusei-me durante anos a usar este termo: ‘genocídio’. Mas agora não posso evitar usá-lo, depois do que li nos jornais, depois das imagens que vi e depois de conversar com pessoas que estiveram lá”, disse.
“Quero falar como uma pessoa que fez todo o possível para não chegar a qualificar Israel como um Estado genocida”, comentou.
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“E agora, com uma dor imensa e o coração partido, devo constatar o que acontece diante dos meus olhos. Genocídio. É uma palavra demolidora: uma vez que a pronuncia, ela só cresce, como uma avalanche. E traz ainda mais destruição e sofrimento”, acrescentou Grossman, cujas obras foram traduzidas para diversos idiomas.

Quando perguntado sobre o que pensava ao ler os números de mortos em Gaza, ele respondeu: “Eu me sinto mal”.
“Juntar as palavras ‘Israel’ e ‘fome’, fazê-lo partindo da nossa história, da nossa suposta sensibilidade aos sofrimentos da humanidade, da responsabilidade moral que sempre dissemos ter para com cada ser humano e não apenas para com os judeus... tudo isso é devastador”, afirmou o autor de A Vida Inteira (2010).
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Crítico do governo de seu país, Grossman afirma permanecer “desesperadamente fiel” à ideia de dois estados, Palestina e Israel, “principalmente porque não vejo alternativa”.

Nesse contexto, ele celebrou a vontade do presidente francês, Emmanuel Macron, de reconhecer o Estado palestino em setembro. “Acredito que é uma boa ideia e não entendo a histeria com a qual foi recebida em Israel”, disse.



