Importante escritor israelense chama Israel de ‘genocida’ pela primeira vez: ‘Palavra demolidora’

David Grossman, que já perdeu um filho em guerra, em 2006, dois dias antes do cessar-fogo, comentou a situação em Gaza durante uma entrevista a jornal italiano

PUBLICIDADE

Atualização:

O escritor israelense David Grossman classificou as ações de seu país em Gaza como “genocídio”, afirmando estar com o “coração partido” por isso, em entrevista publicada nesta sexta-feira, 1º, no jornal italiano La Repubblica.

PUBLICIDADE

“Recusei-me durante anos a usar este termo: ‘genocídio’. Mas agora não posso evitar usá-lo, depois do que li nos jornais, depois das imagens que vi e depois de conversar com pessoas que estiveram lá”, disse.

“Quero falar como uma pessoa que fez todo o possível para não chegar a qualificar Israel como um Estado genocida”, comentou.

“E agora, com uma dor imensa e o coração partido, devo constatar o que acontece diante dos meus olhos. Genocídio. É uma palavra demolidora: uma vez que a pronuncia, ela só cresce, como uma avalanche. E traz ainda mais destruição e sofrimento”, acrescentou Grossman, cujas obras foram traduzidas para diversos idiomas.

Publicidade

A obra do escritor israelense David Grossman, que inclui o recente 'A Vida Brinca Muito Comigo' e 'O Livro da Gramática Interior', é publicada no Brasil pela Companhia das Letras Foto: Claudio Sforza/Divulgação

Quando perguntado sobre o que pensava ao ler os números de mortos em Gaza, ele respondeu: “Eu me sinto mal”.

“Juntar as palavras ‘Israel’ e ‘fome’, fazê-lo partindo da nossa história, da nossa suposta sensibilidade aos sofrimentos da humanidade, da responsabilidade moral que sempre dissemos ter para com cada ser humano e não apenas para com os judeus... tudo isso é devastador”, afirmou o autor de A Vida Inteira (2010).

Crítico do governo de seu país, Grossman afirma permanecer “desesperadamente fiel” à ideia de dois estados, Palestina e Israel, “principalmente porque não vejo alternativa”.

Publicidade

Crianças palestinas compartilham um prato de lentilha em Gaza neste sexta, 1º Foto: Omar Al-qattaa/AFP

Nesse contexto, ele celebrou a vontade do presidente francês, Emmanuel Macron, de reconhecer o Estado palestino em setembro. “Acredito que é uma boa ideia e não entendo a histeria com a qual foi recebida em Israel”, disse.