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Mulheres à sombra do racismo da Alemanha nazista são novas heroínas de Armando Lucas Correa; conheça

Escritor cubano do novo ‘A viajante da Noite’ ficou conhecido pelo best-seller ‘A Garota Alemã’ e por ‘A Filha Esquecida’, ambos também ambientados na Segunda Guerra Mundial

Foto do author Beatriz França
Por Beatriz França

Conhecido pelo best-seller A Garota Alemã e por A Filha Esquecida, o jornalista e escritor cubano Armando Lucas Correa ganhou seu espaço na literatura com romances históricos. No mês de novembro de 2023, ele lançou no Brasil A Viajante da Noite, pela editora Jangada.

O novo livro conta a história de quatro mulheres que vivem em gerações distintas, mas que acabam embarcando em jornadas de autodescoberta, resiliência, lutas e superação. Na obra, elas vivenciam o amor, a perda, a guerra e a esperança, desde a ascensão do nazismo até a Revolução Cubana e, por fim, à queda do Muro de Berlim.

Capa de 'A Viajante da Noite', de Armando Lucas Correa. Foto: Jangada/Divulgação

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Em entrevista ao Estadão, Armando conta que levou cerca de quatro anos para terminar de escrever o livro: “A parte mais longa e intensa foi o processo de investigação. Quando se fala de Holocausto, nazistas, do destino dos alemães negros que foram exterminados, o assunto passa para segundo plano e não existem muitos livros sobre o assunto. Por isso, quis me debruçar sobre a eugenia para entender a origem do mal”.

O livro mostra a união de quatro mulheres à sombra da Segunda Guerra Mundial: Ally Keller, Lilith, Nadine e Luna - descritas como mulheres mestiças, uma delas filha de um alemão negro. O escritor conta que as personagens, por mais que sejam fictícias, “são construídas com base em elementos históricos”.

Preciso conhecer minhas personagens desde o nascimento até seus últimos dias, mesmo que o leitor só conheça uma única parte da vida dessa personagem. Afinal, acabo escrevendo muito mais sobre aquela ‘pessoa’ do que coloco no livro.

Armando Lucas Correa

Armando explica que, durante o longo processo de escrita, a parte “mais difícil foi estudar as leis raciais de Nuremberg e depois ler o livro sobre eugenia escrito por dois médicos americanos de Pasadena, Califórnia”. “É incrível como alguém pode viver obcecado pela pureza racial, pela ‘perfeição’. É algo difícil de compreender e ainda pior no mundo científico. Mas isso foi, infelizmente, uma realidade do século 20”, diz.

Ele espera que o público termine a leitura de A Viajante da Noite aceitando “as diferenças para o mundo ser um lugar melhor”. “Temos medo do outro, daquele que pensa diferente de nós, do que tem a cor de pele diferente da nossa, daquele que acredita em outro Deus e aquele que tem uma orientação sexual diferente. O mundo não será um melhor até o dia em que aceitarmos as nossas diferenças.”

A trajetória como escritor

Armando Lucas Correa se define como um “leitor que escreve”, pois faz isso desde criança. A primeira coisa que publicou foi uma peça de teatro em Cuba. Depois disso, precisou ficar exilado nos Estados Unidos e teve de se reinventar. “Consegui publicar mais tarde um livro e foi o mais pessoal: In Search of Emma (Em busca de Emma, em tradução literal), sobre o processo de ter a minha filha. Esse livro me abriu portas. O resto é história”, conta.

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Armando Lucas Correa, jornalista premiado e escritor cubano é conhecido por seus romances históricos. Foto: Ciro Gutiérrez/Divulgação

Ao ser questionado sobre a preferência pelos romances históricos, ele brinca que, na verdade, “escreve livros e os gêneros são decididos por agentes e editores”.

Os romances históricos, sobretudo para quem é jornalista, demoram muito tempo para escrever. Só consigo sentar para escrever, de fato, quando consigo terminar toda parte de investigação e pesquisa. É um processo exaustivo, mas ao mesmo tempo fascinante.

Armando Lucas Correa

Próximos projetos

Por mais que tenha ficado conhecido pelo sucesso de seus romances históricos, o autor não se prende a isso. Armando fala sobre The Silence in Her Eyes (O silêncio nos seus olhos, em tradução literal), seu próximo livro, que ainda não tem data para chegar ao Brasil, mas será lançado em 16 de janeiro nos Estados Unidos:

Ele categoriza a obra como uma “mudança radical” em sua escrita e um “thriller psicológico” que gostou muito de criar. “Era um romance que ninguém queria que eu escrevesse. Sou um escritor e o gênero, para mim, é secundário”.

O autor ainda está aproveitando o lançamento de A Viajante Noturna, mas novos projetos continuam surgindo na sua cabeça e nos papéis. “Terminei o primeiro rascunho do meu romance mais ambicioso, que se inspira na minha avó, filha de imigrantes espanhóis que chegaram a Cuba no final do século 19”, revela.

Ele conta que a avó nasceu no século 20 e o livro passará pelos seus cem anos de vida, mas reforça que não é uma biografia: “Começa com a minha família, mas eu altero o destino”. A obra, ainda sem título definido, se passa em Guantánamo, Nova York e Havana.

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