Alice Ferraz: Em alta definição

A expectativa de rever suas paisagens e personagens na tela grande. Foi por esse “vício” que ela estava a mil com o remake de Pantanal.

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Por Alice Ferraz
Atualização:

De hoje não passa” afirmou, antes de se despedir e entrar no carro a caminho de casa. Sabia que era uma mulher de hábitos comuns e de algumas “manias”. Chegar em casa após o trabalho, ligar a TV e assistir ao noticiário nacional e à novela das 8h (que hoje em dia passa às 9h) era um deles. 

Sim, ela sabia que não precisa mais assistir a nada no horário determinado, mas, por causa de sua memória afetiva, o fazia dessa forma.  Trabalhava até olhar o relógio e ver que estava chegando o tal horário estabelecido por anos. Naquele momento, sua mente e seu corpo pareciam entender que era hora de parar. 

Ilustração Pantanal, para a coluna de Alice Ferraz Foto: Juliana Azevedo

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Quando menina, na Era pré-internet, pré-streaming, pré-TV a cabo, se juntavam pais e irmãos na sala de TV para assistir ao jornal seguido da novela e depois iam todos direto para a cama, já que às 7h da manhã estaria a caminho da escola. O dia terminando sempre como esperado foi talvez uma forma de bússola que a fazia perceber o mundo como um lugar seguro e controlável, mas isso é história para outra crônica. 

Na primeira fase da vida adulta, repetiu a fórmula com o filho que agora, já em sua própria casa, ria das manias da mãe quando a visitava: “Você ainda faz isso, mãe! Você pode fazer seu próprio horário para assistir a seus programas”. Mas, “o homem é um animal de hábitos”, já dizia Charles Dickens. 

E foi por esse “vício” que ela estava a mil com o remake de Pantanal. A expectativa de rever suas paisagens e personagens na tela grande. Foi no primeiro capítulo que se deu conta de que as águas pantaneiras pareciam sem vida na tela da sua televisão que completava um despercebido aniversário de 15 anos. 

Dez dias tinham se passado sem que conseguisse chegar no “seu” horário em casa ou ver as novas possibilidades de aparelhos que agora eram seu maior objeto de desejo. Implorou ao marido para que fosse olhar isso enquanto acaba uma infindável reunião. 

E lá foi ele – parceiro que é parceiro acolhe manias – com a tarefa de comprar a mais moderna das modernas, com o maior número de pixels (assim ela definia, achando-se expert) e na qual, nas palavras da esposa, “Bonner e Renata Vasconcellos tivessem linhas de expressão visíveis, a onça pantaneira pintas definidas e as paisagens da região a luz que lembrava o paraíso”. 

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