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The Hives: suecos torram sob o Sol do Primavera, suam e fazem suar com rock atemporal; leia crítica

Quinteto rosado e molhado sob calor de mais de 30ºC voltou com fórmula intacta: riffs de garagem com referência dos anos 60 e auge nos anos 2000; veja fotos

Foto do author Rodrigo Ortega
Por Rodrigo Ortega
Atualização:

Ponto de vista: você é um homem sueco de meia idade e está de terno preto e gravata, de frente para um Sol de mais de 30ºC, diante de milhares de pessoas que esperam que você fique gritando e pulando durante uma hora, ao lado de quatro colegas de trabalho na mesma situação. Difícil saber o que você enxerga atrás das gotas de suor, mas as pessoas que te olham parecem se divertir.

Show do The Hives no festival Primavera Sound em dezembro de 2023 Foto: Taba Benedicto/Estadão

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Aos 45 anos, o vocalista sueco Howlin’ Pelle Almqvist cantou no Autódromo de Interlagos rosado e suado, com a mesma disposição de quem o conheceu no auge de sua banda, o The Hives, na primeira década dos anos 2000. No fim da tarde deste sábado, 2, ele ainda deu a quantidade suficiente de chutes, pulos, chicotadas de microfone e uivos para fazer o show no Primavera Sound ser brilhante.

A banda está de volta após 11 anos sem um álbum inédito, na turnê de The Death of Randy Fitzsimmons (2023). O show começa com a Marcha Fúnebre de Chopin, puxando a historinha do álbum, de que o membro fictício da banda, Randy Fitzsimmon, teria morrido e deixado fitas cassete com as músicas. Tudo bobagem.

O quinteto chega uniformizado com ternos em preto e branco, como sempre. Dessa vez, eles até burlam o dress code restrito: o baterista e o guitarrista tiram o paletó e o vocalista abre a camisa, terminando o show com um visual meio Elvis, meio Sidney Magal. Ele desce para o meio do público e ganha refrescos de água na cabeça e para beber.

De qualquer forma, o quinteto deixa claro, com o ar meio pomposo, meio escrachado, o que mudou depois desse tempo todo: nada. (Exceto pelo baixista The Johan and Only, membro oficial no novo disco no lugar de Dr. Matt Destruction, que deixou a banda em 2013 - ambos nomes excelentes.)

Show do The Hives no festival Primavera Sound em dezembro de 2023 Foto: Taba Benedicto/Estadão

Dá para dizer tranquilamente que eles fazem um som datado no Primavera. O difícil é definir a data. Espiritualmente, eles vivem no fim dos anos 60, hóspedes do rock de garagem imponente e mal educado dos Stooges (Rigor mortis radio), riffs cortantes de Keith Richards (Bogus operandi), e as palminhas e metais glam do T-Rex (Go right ahead).

Mas, historicamente, claro que é um som datado do início dos anos 2000, da explosão de bandas com nomes no plural precedidos pelo artigo. The Hives serão sempre lembrados no pacote de The Strokes, The White Stripes e, como membros que aderiram depois do sucesso, a atração principal do mesmo palco neste sábado, The Killers.

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Basta notar certa falta de colágeno no rosto das pessoas mais empolgadas na plateia do Autódromo para notar que é um show saudosista daquela época. Tudo bem: no fim das contas, para além de referências dos 60 e dos 2000, o The Hives sempre fez um som suspenso no tempo.

O que funciona em qualquer década de qualquer século é a lei da reciprocidade: o artista recebe de volta o que oferece. No caso dos Hives, foi a multidão pulando, pessoas velhas demais para fazer mosh fazendo mesmo assim, e um coro bonito do riff de Hate to say I told you so, que faz o vocalista sorrir com seu rosto derretido.

Show do The Hives no festival Primavera Sound em dezembro de 2023 Foto: Taba Benedicto/Estadão
Show do The Hives no festival Primavera Sound em dezembro de 2023 Foto: Taba Benedicto/Estadão
Show do The Hives no festival Primavera Sound em dezembro de 2023 Foto: Taba Benedicto/Estadão

VEJA O SETLIST DO THE HIVES NO PRIMAVERA SOUND 2023:

  • Bogus Operandi
  • Main Offender
  • Rigor Mortis Radio
  • Good Samaritan
  • Go Right Ahead
  • Stick Up
  • Hate to Say I Told You So
  • Trapdoor Solution
  • Countdown to Shutdown
  • Come On!
  • Tick Tick Boom
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