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De Wall Street

Escolha de Bendine desagrada Wall Street e ADR da Petrobras despenca 9%

Papéis têm uma das maiores quedas do dia de toda Bolsa de Valores de Nova York e são o terceiro mais negociado

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Por ALTAMIRO JUNIOR
Atualização:

NOVA YORK - A escolha do presidente do Banco do Brasil, Aldemir Bendine, para comandar a Petrobras no lugar de Graça Foster não agradou os investidores em Wall Street. O executivo é visto como muito próximo ao PT e a expectativa era que o escolhido fosse um nome mais ligado ao setor privado,de acordo com gestores e operadores.

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Um dos sinais do descontentamento com a escolha pode ser visto na queda dos American Depositary Receipts (ADRs), recibos que representam ações da Petrobras listados na Bolsa de Valores de Nova York (NYSE). O papel recuava 9,3% no final da tarde desta sexta-feira, uma das maiores quedas dos dia de toda a bolsa norte-americana. O ADR também era o terceiro papel mais negociados do dia.

Bendine é muito próximo ao Partido dos Trabalhadores (PT) e a expectativa dos investidores era por um nome mais "amigável ao mercado", mais independente, avalia um gestor de um fundo que compra papéis da Petrobras e prefere não se identificar. Para ele, não pode ser descartado o risco de a empresa perder a classificação grau de investimento em ao menos uma das agências de classificação de risco nos próximos meses.

Para o gestor de um fundo de hedge, na gestão do Banco do Brasil, Bendine não ofereceu resistência à estratégia do governo de usar os bancos públicos para aumentar o crédito, reduzir os "spreads" e estimular a economia. Por isso, a sensação é que na Petrobras ele também não deve se opor às interferências de Brasília na gestão da companhia.

Neste momento turbulento na empresa, que ainda não tem nem balanço auditado e é investigada pela Justiça dos EUA e do Brasil, o mesmo gestor reforça que o mercado esperava alguém com mais autonomia, que representasse um ruptura com a gestão anterior. Mas Bendine é percebido mais como uma continuidade, disse ele.

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Ao contrário do BB, em que era funcionário de carreira desde 1982 e conhecia as operações do banco, os investidores ressaltam que outro ponto negativo é que Bendine tem pouco conhecimento técnico do setor de petróleo e gás.

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