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Opinião|Seguro rural é cada vez mais necessário com as mudanças climáticas

Épocas de seca e fenômenos como o El Niño impactam na produção rural de todo o ano

Foto do author Antônio  Penteado Mendonça

Entre os vários seguros que podem ter seu resultado comprometido em função das mudanças climáticas, o seguro rural tem um lugar de destaque e merece toda a atenção dos seguradores. Este ano, o resultado da carteira está bom, mas nos anos anteriores o seguro rural gerou prejuízos expressivos, a ponto de várias seguradoras terem deixado de atuar em determinadas regiões, ou mesmo com o produto.

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Conversando com o CEO de uma seguradora de porte, ele me disse que sua companhia, em função de dois anos de resultados negativos do seguro rural, havia perdido todo o resultado da carteira desde que ela havia entrado no negócio, em 2015.

Isso pode acontecer? Pode e acontece. O seguro rural é um seguro com características muito especiais, que fazem os ganhos se transformarem em prejuízo rapidamente, dependendo de uma seca ou do excesso de chuvas para reverter o resultado, como aconteceu em 2021 e 2022.

Até agora, tem seguradora que olha enviesado quando lhe propõe aceitar riscos de seguro rural no Estado do Rio Grande do Sul. A seca comeu solta por um longo tempo e isso comprometeu o resultado do seguro, gerando prejuízos importantes para as seguradoras que aceitaram os riscos gaúchos.

Quando parecia que a situação poderia se normalizar, eventos diametralmente opostos se abateram sobre o Estado, causando enormes prejuízos, principalmente em função da violência do ciclone extratropical que atingiu vasta área do sul do País.

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Neste momento, é cedo para se ter claro o que pode acontecer nos próximos meses. Ninguém tem bola de cristal para prever o futuro, e a rapidez com que os eventos climáticos muitas vezes se formam impede qualquer tentativa de análise mais profunda. Não tem como saber e muito menos calcular a extensão dos eventos e suas consequências para o ser humano.

Seca gerou prejuízos importantes para as seguradoras que aceitaram os riscos gaúchos com a seca Foto: Dirceu Segatto/Acervo pessoal

De qualquer forma, com base no que aconteceu no verão do Hemisfério Norte e no que vai acontecendo neste começo de primavera no Hemisfério Sul, com temperaturas incrivelmente elevadas para a época do ano, é possível imaginar que temos tudo para viver uma situação de extremos, com eventos os mais diversos se formando e atingindo pesadamente várias regiões do País, entre elas, nas em que o seguro rural tem peso no faturamento das seguradoras.

Entre os fenômenos que ameaçam o agrobusiness, pelas suas características, o El Niño aparece como o vilão da hora. Este ano, seus impactos estão mais fortes e têm grande potencial de causar danos relevantes em vastas áreas do planeta.

No Brasil, já se veem secas extremas em determinadas regiões e tempestades e excesso de chuva em outras. Como boa parte das apólices para o período já está contratada, os agricultores protegidos pelo seguro rural, ainda que tendo o seguro de preferência para não usarem, podem se sentir privilegiados frente aos que não estão segurados. Se os eventos climáticos os atingirem, suas perdas serão minimizadas pelas indenizações do seguro, ao passo que os não segurados morrerão com a conta. Quanto às seguradoras, cada uma tem política de aceitação de riscos própria, e isto faz com que nem todas tenham a mesma exposição. Aí um pouco de sorte pode fazer a diferença.

Opinião por Antônio Penteado Mendonça

Sócio de Penteado Mendonça e Char Advocacia e secretário-geral da Academia Paulista de Letras

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