‘Brasil gasta um quarto do tempo produzindo alguma crise local’, diz economista-chefe do Bradesco

Levantamento do banco mostra que País teve média de crescimento de 3,3% nos anos em que não enfrentou crises locais, pouco abaixo do registrado na economia global (3,5%)

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Por Luiz Guilherme Gerbelli
Atualização:
2 min de leitura

Quando não é responsável pelas próprias crises, o Brasil tem mostrado capacidade de acompanhar o ritmo de crescimento da economia global. Levantamento do Bradesco, com dados do Fundo Monetário Internacional (FMI), mostra que, entre 1981 e 2023, o Brasil viveu uma década de crises econômicas causadas por erros próprios na condução da política econômica — desde a hiperinflação, passando pela moratória e pelo confisco da poupança e chegando ao biênio 2015/2016, afetado pelas incertezas com as contas públicas.

Nesses anos, o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro recuou 1,7%, enquanto o do mundo avançou 2,5%. Por outro lado, quando o País não causou uma crise e acompanhou o cenário externo, o que foi observado ao longo de 33 anos, a alta média do PIB ficou em 3,3%, pouco abaixo da observada no mundo (3,5%).

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O estudo visa analisar as escolhas do Brasil na condução da economia e como o País se comportou em relação ao resto do mundo. Não classifica, por exemplo, as recessões globais, a exemplo do que ocorreu em 2020 com os estragos provocados pela pandemia de covid, como anos de crise local.

“Quando o País evita crises, crescemos muito mais perto da economia global”, afirma Fernando Honorato, economista-chefe do banco Bradesco. “Três quartos do tempo estamos evitando crise, um quarto do tempo a gente está produzindo alguma crise local.”

Ao longo do período de 1981 a 2023, a economia brasileira registrou um crescimento médio de 2,1%, enquanto o mundo avançou 3,3%. “Desde 2016, houve uma certa normalização dessas crises. A última grande crise local foi a de 2014, 2015″, diz o economista do Bradesco.

FMI melhorou a previsão para a economia brasileira neste ano Foto: Yuri Gripas/Reuters

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Neste ano, o FMI projeta um crescimento de 3,1% para o Brasil e de 3% para a economia global. O PIB dos emergentes deve avançar 4%. Em outubro, o fundo se mostrou mais otimista com o País. A previsão anterior era de uma alta de 2,1%. “O Brasil voltou a ser um país mais normal, que cresce em linha com a economia global”, afirma Honorato.

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