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Bastidores do mundo dos negócios

BRB adota ‘atalho’ bilionário para esperar oportunidade de reestreia na B3

Banco de Brasília vai fazer aumento de capital privado de até R$ 1 bilhão

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Por Matheus Piovesana (Broadcast)
Nos próximos cinco anos, o banco quer abrir de 50 a 100 novas agências físicas Foto: Paulo H. Carvalho/Agência Brasília - 31/10/2019

O BRB (Banco de Brasília) anunciou na terça-feira, 14, que fará um aumento de capital privado de até R$ 1 bilhão, operação que permitirá ao banco retomar o crescimento mais acelerado mesmo antes de uma oferta subsequente de ações (follow on) planejada desde 2020. Com a piora das condições do mercado de capitais, a janela para operações do tipo deve demorar a reabrir, e por isso, o banco optou pela capitalização.

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No entanto, a oferta não está descartada. “Essa é uma fase intermediária. Estamos buscando com os nossos acionistas atuais apenas uma parte do capital que precisamos para sustentar o crescimento de mais longo prazo do banco”, disse ao Broadcast o presidente do BRB, Paulo Henrique Costa.

A oferta do BRB é considerada pelo banco como uma reestreia na Bolsa, dado que a liquidez das ações atualmente é muito baixa. O porcentual de ações em circulação no mercado é de 11,6%, sendo que 9,5% do total é detido pela associação de funcionários do banco.

Oferta deve ser de até R$ 2 bilhões

“O re-IPO (reestreia) tem uma série de outros objetivos: aumentar a liquidez das ações na Bolsa, melhorar a governança, tentar trazer um acionista de referência, aumentar a cobertura do mercado sobre o desempenho do banco”, afirmou Costa. A oferta tem tamanho estimado entre R$ 1 bilhão e R$ 2 bilhões, e deve acontecer assim que as condições de mercado permitirem.

Segundo o presidente do banco, o aumento de capital está ancorado por determinados acionistas, cujos nomes ele não menciona. A ideia é que o governo do Distrito Federal, que controla o BRB, não participe, o que pode levar a uma diluição de 12% a 13% da participação. Ainda assim, o Estado deve manter o controle da instituição, da qual detém 71,9% das ações.

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A entrada dos recursos no balanço deve permitir à instituição reacelerar o crescimento da carteira de crédito e da presença física. Nos últimos cinco anos, o BRB “cresceu e apareceu” fora do Distrito Federal, por meio tanto do banco digital Nação BRB Fla, em parceria com o Flamengo, quanto da marca própria. O aumento de capital é essencial para manter a estratégia.

Capital vai para expansão

“Esse capital vai ser destinado exatamente a cumprir esses objetivos [de crescimento], notadamente, a acelerar a expansão do banco nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste, inclusive por meio da compra de folha de pagamento de entes públicos”, disse Costa.

No ano passado, o BRB teve lucro líquido de R$ 200 milhões, crescimento de 24,4% em relação a 2022, e a carteira de crédito cresceu 16,5%, para R$ 31,2 bilhões. No ano anterior, a carteira havia crescido 39,7%. A base de comparação aumentou, mas o banco também teve de segurar a expansão.

Além de reduzir o ritmo de concessão de crédito, a instituição aumentou as cessões de carteira, o que gera resultados positivos e reduz o peso sobre os índices de capital no curto prazo, mas reduz as margens potenciais em um horizonte mais longo.

Estratégia contida

“De uma maneira geral, toda a estratégia vem sendo contida desde o final de 2022 em função da estrutura de capital”, afirmou Costa. O BRB espera concluir o aumento de capital em até 50 dias, e retomar o crescimento mais acelerado a partir de julho.

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Em cinco anos, o BRB quer se tornar um dos dez maiores bancos do Brasil, com R$ 100 bilhões em ativos totais e 15 milhões de clientes. Em ambos os casos, as metas significam que a ambição é dobrar o tamanho do banco. Costa disse que o aumento de capital pode ampliar o lucro também em R$ 1 bilhão nos próximos cinco anos.

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Com os recursos, o BRB deve retomar a expansão da presença física pelo País. No Centro-Oeste, deve criar novas estruturas voltadas ao crédito rural, em adição às sete que mantém no Brasil todo. Nos próximos cinco anos, o banco quer abrir de 50 a 100 novas agências físicas, ampliando a rede que hoje conta com 200 postos, e que está em 12 Estados e no Distrito Federal.

A expansão física do banco permite trazer um perfil de cliente distinto do que entra pelos canais digitais. Ao comprar uma folha de pagamento, por exemplo, o BRB ganha clientes que fazem transações e consomem serviços do banco, mas também passa a ter contato com fornecedores e com os próprios entes públicos. Como banco de capital misto, o BRB tem experiência na operação com este segmento.


Este texto foi publicado no Broadcast no dia 15/05/24, às 17h27

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