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Bastidores do mundo dos negócios

Com bond e operação próxima ao azul, Creditas vê pouca urgência para IPO

No fim de 2023, empresa captou US$ 40 milhões através de títulos de dívida no exterior

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Por Matheus Piovesana (Broadcast)


“Somos uma empresa que depende de si mesma na própria evolução", diz Sergio Furio (na foto), CEO e fundador da Creditas. Foto: Endeavor

A fintech Creditas, que atua em produtos como crédito consignado e financiamento de automóveis, estreou no mercado de bonds no final do ano passado, quase no mesmo intervalo em que a operação equilibrou receitas e despesas. Graças a essas duas frentes de geração de recursos, a empresa vê pouca urgência para uma possível oferta pública inicial de ações (IPO, na sigla em inglês).

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“Somos uma empresa que depende de si mesma na própria evolução. Tem pouca urgência, e achamos que o mercado de IPO está progressivamente melhorando”, disse à Coluna do Broadcast o CEO da fintech, Sergio Furio. “Os dois últimos anos foram muito ruins para IPOs. Isso provavelmente vai mudar durante 2024, mas não temos planos para este ano.”

O IPO da Creditas era esperado para 2022 e aconteceria nos Estados Unidos. Executivos de bancos de investimento acreditavam que a companhia poderia atingir US$ 10 bilhões (o equivalente a R$ 49,4 bilhões). No entanto, a alta dos juros no Brasil e nos EUA reduziu o apetite dos investidores de renda variável. No caso do Brasil, machucou os resultados da companhia ao aumentar os custos de captação.

De lá para cá, as fontes mudaram. No quarto trimestre do ano passado, a Creditas captou US$ 40 milhões (o equivalente a R$ 198 milhões) através de uma emissão de bonds, títulos de dívida em dólar. Foi a estreia da companhia no mercado de dívida internacional, com um custo “bom”, de acordo com Furio, que não revela a taxa dos títulos.

A ideia é transformar o mercado internacional de renda fixa em uma fonte de recursos paralela ao local. Por aqui, a Creditas continua recorrendo a instrumentos de securitização, o que inclui certificados de recebíveis imobiliários (CRIs).

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As mudanças feitas pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), que restringiram os lastros permitidos nessas emissões, devem beneficiar a fintech em meio à redução das ofertas por outros agentes. Segundo Furio, a Creditas tem lastro suficiente para se encaixar nas normas, que foram esclarecidas pelo governo na semana passada. “A capacidade do mercado de emitir CRIs cai, então a nossa capacidade de captar deve aumentar, e devemos ter uma otimização dos custos.”

Geração de capital

Para além dos investidores, a Creditas deve gerar capital suficiente para financiar o próprio crescimento. Apesar de ter registrado prejuízo de R$ 57 milhões no quarto trimestre de 2023, a companhia atingiu o equilíbrio entre receitas e despesas em dezembro. De janeiro em diante, a estratégia é gerar lucros operacionais recorrentes, que serão reinvestidos na operação.

“De agora em diante, o objetivo é zerar o resultado. Tem investimento em tecnologia, marketing, criação de time, novos canais e no México. Várias coisas acontecendo ao mesmo tempo”, diz Furio.

Essa capacidade de reinvestir deve permitir à fintech voltar a crescer a carteira de crédito, que ficou no zero a zero em 2023, em R$ 5,6 bilhões, de acordo com o CEO. Para este ano, a meta é crescer dois dígitos, embora o número exato não seja revelado.

Esse objetivo inclui o mercado mexicano, em que a companhia está em um estágio similar ao que tinha no Brasil entre 2018 e 2019. Neste ano, porém, o país deve representar de 2% a 4% do tamanho da Creditas. A fintech vê muito potencial no Brasil, em que produtos como o consignado, o crédito para automóveis e linhas do setor imobiliário devem voltar a ganhar tração.

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Este texto foi publicado no Broadcast no dia 04/03/2024, às 18:35:26.

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