EXCLUSIVO

Bastidores do mundo dos negócios

Bastidores do mundo dos negócios

Credores buscam identificar onde está o caixa bilionário da Ambipar, sem sucesso

Balanço mostrava R$ 4,7 bi, mas empresa sugere insuficiência de recursos em ação

PUBLICIDADE

Foto do autor Cynthia Decloedt
O Burj Khalifa, em Dubai, iluminado com a marca da Ambipar no dia da abertura do escritório da empresa em Abu Dhabi Foto: Divulgação/Ambipar

Alguns credores da Ambipar têm buscado identificar onde estaria o caixa da companhia, reportado no balanço do segundo trimestre em R$ 4,7 bilhões, dado que no pedido de proteção contra cobranças a empresa sugere insuficiência de recursos para seguir honrando compromissos financeiros. A Coluna apurou que pelo menos os três maiores bancos privados brasileiros fizeram consultas internas para verificar depósitos de recursos da Ambipar a pedido de credores, um deles estrangeiro.

PUBLICIDADE

Fontes afirmam que a busca pelo caixa da Ambipar vem desde a semana passada e que há indícios de que apenas US$ 80 milhões (pouco mais de R$ 400 milhões) teriam sido encontrados. Uma fonte com conhecimento da questão lembrou que nos documentos entregues à Justiça a companhia não trouxe nenhum número referente à sua posição de caixa.

O Deutsche Bank, junto ao qual a Ambipar teria compromissos financeiros de US$ 550 milhões, está no centro da decisão da Justiça do Rio de Janeiro de suspender as cobranças contra a Ambipar na semana passada. De acordo com o despacho do juiz da 3ª Vara Empresarial da capital fluminense, o Deutsche impôs aditivos de garantias, “sem respaldo contratual”, os quais “nos últimos dias” haviam gerado um dispêndio de caixa significativo, da ordem de mais de R$ 200 milhões à empresa.

Os advogados da Ambipar alegaram ainda que outros bancos começavam a antecipar cobrança de dívidas, o que levava a empresa ao risco de vencimento antecipado de todo o seu passivo, podendo causar um “rombo” de R$ 10 bilhões. A medida cautelar de suspensão de cobrança é um instrumento previsto na legislação de falências, que normalmente antecede um pedido de recuperação judicial ou extrajudicial.

Incoerência

Um analista que acompanha a companhia, ouvido pela Coluna em condição de anonimato, destacou a incoerência da Ambipar ao alegar falta de caixa para honrar compromissos diante de bilhões que foram relatados no demonstrativo de resultado mais recente. Ele cita ainda que causou estranheza o fato de que a Ambipar mostrou no demonstrativo de resultado do segundo trimestre que R$ 2 bilhões do caixa foram alocados em Fundo de Investimento em Direitos Creditórios (FIDC) com liquidez entre 30 dias e 60 dias. “A companhia não explicou”, disse.

Publicidade

A Coluna apurou que Bradesco, Itaú e Santander estão expostos em linhas de capital de giro da Ambipar. Conforme o balanço mais recente, esses compromissos somavam R$ 1,68 bilhão em junho.

Banco do Brasil e Itaú também carregam debêntures da companhia, por meio de suas gestoras. No balanço do segundo trimestre, a Ambipar informa ter R$ 2,8 bilhões emitidos, remunerados à taxa do CDI acrescida de prêmio de 2,75% a 3,5%.

A Ambipar utilizou a legislação brasileira de falências para buscar uma “suspensão preventiva”, que oferece proteções semelhantes às de uma recuperação judicial antes mesmo de formalizar o pedido. Essa estratégia visa ganhar tempo para reestruturar suas finanças sem a pressão imediata dos credores. O juiz concedeu 30 dias de proteção, prorrogáveis por mais 30.

Procurados, os bancos e a Ambipar não comentaram.

Esta notícia foi publicada no Broadcast+ no dia 30/09/2025, às17:09

Publicidade

O Broadcast+ é uma plataforma líder no mercado financeiro com notícias e cotações em tempo real, além de análises e outras funcionalidades para auxiliar na tomada de decisão.

Para saber mais sobre o Broadcast+ e solicitar uma demonstração, acesse.

Vale ler também
Celso Ming
Uma Odisseia para estudar: quais lições sobre o colapso de uma era os Povos do Mar deixaram
Marcello Brito
O Brasil tem instrumentos; não tem estratégia
Coluna do Broadcast
Sonho americano da MRV chega ao fim e deixa impactos bilionários no grupo