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Bastidores do mundo dos negócios

Sem encontrar empresas para comprar, quatro Spacs do Brasil fecham

Uma delas foi a criada entre o Mercado Livre e a gestora Kaszek

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Por Altamiro Silva Junior (Broadcast)
Nuvini está em processo final para a fusão com uma SPAC da gestora Mercato Partners para se listar na Nasdaq Foto: ERIC THAYER / REUTERS

O Mercado Livre e a gestora Kaszek criaram em 2021 uma Special Purpose Acquisition Company (SPAC), estrutura conhecida como empresa de “cheque em branco”, montada para se fundir com outras companhias, de US$ 287 milhões. Avaliaram 50 empresas para comprar na América Latina e se engajaram em conversas mais próximas com 24, chegando a assinar termos de entendimento com duas. Mas não conseguiram achar uma boa proposta e resolveram encerrar a SPAC no mês passado, devolvendo os recursos para os investidores. Com este, já são quatro estruturas semelhantes voltadas para Brasil que resolveram terminar a SPAC sem conseguir fazer um bom negócio.

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A SPAC da Itiquira chegou a avaliar 85 empresas para comprar no Brasil e outros países da América Latina nos últimos dois anos. Dessas companhias, se engajou em conversas mais próximas com 13, mas também não conseguiu achar uma proposta que, nos termos da gestora, conseguisse gerar “valor claro” para os acionistas da SPAC de US$ 200 milhões, lançada em fevereiro de 2021. Como ocorre com esse tipo de estrutura, o prazo para se achar uma empresa para comprar é de dois anos desde o lançamento. Nesse tempo, o dinheiro dos investidores fica aplicado em renda fixa, que com a alta dos juros rendeu bons retornos.

Outras duas SPACs ligados a Brasil e América Latina que encerraram a atividade foram a Valor Latitude, da gestora Valor Capital, que havia captado US$ 230 milhões em 2021. A outra foi uma SPAC patrocinada pelo gigante japonês Softbank, de US$ 200 milhões, que pretendia encontrar empresas para comprar na América Latina, mas preferiu terminar as operações em janeiro deste ano.

Duas outras SPACS do Brasil ainda buscam empresas para comprar

“No atual contexto de mercado, nossos extensos esforços de busca não foram suficientes”, comentam os executivos da SPAC do Mercado Livre com a Kaszek em uma carta para os acionistas. Para eles, o veículo precisaria de mais tempo para fazer um negócio. Há ainda outras SPACs do Brasil que procuram companhias para comprar. A da gestora Crescera tem até novembro para fazer uma fusão. Na semana passada, chegou a ser deslistada da Nasdaq por não observar alguns critérios técnicos da bolsa americana, mas a estrutura segue ativa. Nos Estados Unidos, neste ano, mais de 120 SPACs fecharam por não encontrarem ativos.

O advogado Felipe Barreto Veiga, fundador do BVA Advogados, observa que as SPACs são uma estrutura mais complexa, burocrática e tem uma peculiaridade. Quando acham um ativo para comprar, precisam de autorização do regulador americano e do aval dos investidores da SPAC. Se o mercado estiver bom, o mais comum é que o investidor vá em frente e aprove o negócio, mas com o cenário mais difícil, com uma série de incertezas econômicas e geopolíticas, e os juros mais altos, o investidor fica mais relutante.

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Apesar de algumas SPACs fecharem as portas, outras foram bem-sucedidas em achar empresas e levá-las para as bolsas americanas. A Ambipar Emergency Response foi para a Bolsa de Nova York (NYSE) em março por meio da combinação de negócios com a SPAC da HPX. A Eve, fabricante de carros voadores da Embraer, também fez uma fusão com uma SPAC no ano passado. Já a Nuvini, criada pelo empreendedor e investidor Pierre Schurmann para comprar empresas de tecnologia, está em processo final para a fusão com uma SPAC da gestora Mercato Partners para se listar na Nasdaq.

Esta nota foi publicada no Broadcast no dia 18/07/23, às 14h43.

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