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Bastidores do mundo dos negócios

V.tal se compromete com credores a comprar Oi Fibra

Negociação fez com que credores aprovassem novo plano de recuperação judicial da tele

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Por Circe Bonatelli (Broadcast)
Atualização:
Assembleia de credores da Oi terminou na madrugada da última sexta-feira, 19. Foto: Nacho Doce/Reuters

A aprovação do plano de recuperação judicial da Oi, na madrugada da última sexta-feira, 19, só aconteceu graças a uma negociação paralela. Nessas conversas, a direção da V.tal, empresa de infraestrutura de telecomunicações controlada pelo BTG, assumiu o compromisso de comprar a Oi Fibra caso não apareçam outros compradores.

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A informação foi antecipada ontem pelo Broadcast e confirmada hoje pela V.tal.

Segundo fontes, essa foi uma condição sine qua non dos credores financeiros para assinarem o plano de recuperação judicial da Oi, que definiu, entre outras coisas, a injeção de um novo financiamento de R$ 3,4 bilhões na tele.

A V.tal nasceu após a cisão das redes de fibra ótica da Oi. O seu negócio consiste em alugar a rede a operadoras de banda larga que prestam o serviço final aos consumidores. A Oi é a principal inquilina da rede da V.tal, respondendo por cerca de dois terços da receita bruta. Se a Oi vai à lona, carrega junto a V.tal. Daí porque o BTG teve a necessidade de sentar à mesa para conversar com os credores da Oi.

Já a Oi Fibra é a divisão de negócios de banda larga da Oi, com 4 milhões de clientes, o que a torna um dos maiores provedores de internet fixa do País. O ativo foi colocada à venda dentro do plano de recuperação judicial do grupo, que espera levantar R$ 7,3 bilhões com a sua alienação.

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O problema é que os credores temem um cenário futuro em que a Oi Fibra não seja vendida por falta de compradores com apetite em pagar o valor projetado, o que irá comprometer a liquidez da companhia e a sua capacidade de honrar as dívidas. Ao mesmo tempo, os atuais credores serão os futuros donos da Oi, uma vez que o plano de recuperação aprovado prevê a entrega de 80% de participação na companhia em troca do abatimento das dívidas.

Os credores também não queriam ter o risco de lidar com o negócio de banda larga por aqui, pois não têm expertise na área. Na sua grande maioria, os credores são agentes do setor financeiro sediados na Europa. “Esses credores não entendem nada de banda larga. Ele está em Londres e não sabe como operar telecom na Bahia ou em Minas Gerais”, apontou uma fonte.

Processo de venda já recebeu sete propostas

O processo de venda da Oi Fibra foi colocado em andamento no fim do ano passado e já recebeu sete propostas não vinculantes de empresas como Vero, Ligga, Alares, Sky e Aloha, conforme antecipou o Broadcast . As grandes teles - TIM, Vivo e Claro - ainda não se engajaram com uma proposta, segundo fontes. A Oi decidiu então fatiar a sua divisão de banda larga, de modo a tornar a compra mais acessível aos provedores regionais que manifestaram interesse.

Ainda assim, resta um empecilho, na visão dos compradores: a Oi Fibra tem um contrato de longo prazo para locação da rede da V.tal a valores considerados muito altos pelos potenciais proponentes. Para uma proposta firme pela Oi Fibra avançar há duas opções: ou a Oi aceita baixar o valor de venda, ou a V.tal e o BTG aceitam renegociar o aluguel da rede. Como nenhuma das partes sinalizou disposição em flexibilizar os termos, há de se considerar o cenário em que a venda da Oi Fibra empaque.

No cronograma da Oi, a expectativa é de assinar o contrato de venda da Oi Fibra em 20 de julho, o que ainda depende de receber as propostas firmes. Caso essa primeira rodada não se concretize, aí a V.tal entrará em cena e arrematará o ativo, de acordo com a negociação paralela realizada nos últimos dias.

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“O plano A é vender a Oi Fibra e fazer caixa. Todos esperam que isso aconteça. Se não acontecer, a V.tal incorpora a Oi Fibra”, disse uma fonte. Nesse caso, a operação não envolverá pagamento em dinheiro, mas sim a entrega da Oi Fibra em troca de uma participação na V.tal para os acionistas da Oi.

Em comunicado oficial hoje, a V.tal afirmou que “a eventual participação da proponente no processo competitivo para a aquisição da UPI ClientCo (Oi Fibra)ocorrerá somente caso seja infrutífera a primeira rodada do procedimento para alienação”.

Este texto foi publicado no Broadcast no dia 21/04/24, às 15h14

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