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Conselho da Petrobras define por pagamento de 50% dos dividendos; decisão irá à assembleia dia 25

Proposta para pagar metade dos proventos é da diretoria da empresa; decisão representará entrada de cerca de R$ 6 bilhões nos cofres da União. Debate sobre dividendos esteve no centro de crise entre ministro de Minas e Energia e presidente da Petrobras

Por Denise Luna (Broadcast) e Monica Ciarelli (Broadcast)
Atualização:

BRASÍLIA – O Conselho de Administração da Petrobras definiu neste sexta-feira, 19, pelo pagamento de 50% dos dividendos extraordinários que haviam sido integralmente retidos. A proposta será levada ainda à Assembleia Geral Extraordinária (AGE) da empresa, marcada para o próximo dia 25 de abril, que ocorre no mesmo dia da Assembleia Geral Ordinária (AGO). A definição sobre o tema, que gerou crise entre o ministério de Minas e Energia e o presidente da Petrobras, saiu após o sinal verde do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

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O pagamento de metade dos proventos, estimados em R$ 43,9 bilhões, foi proposto pela diretoria da empresa, baseada em dados técnicos. De acordo com a proposta, essa seria a melhor escolha para a empresa. A retenção da outra metade ficaria sob avaliação dos desdobramentos dos conflitos no mercado internacional, avaliou uma fonte próxima ao assunto, pedindo anonimato.

Representantes do Ministério de Minas e Energia e a conselheira representante dos empregados defendiam a retenção de 100% dos dividendos. Já os acionistas minoritários queriam a distribuição total.

A divergência entre os poderes dentro do Conselho de Administração desencadeou mais uma crise entre Prates e o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, apaziguada após a entrada do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, no circuito.

Dividendos da Petrobras somam cerca de R$ 44 bilhões Foto: Pedro Kirilos/Estadão

Se chancelada, a distribuição de metade dos dividendos extraordinários significará um ingresso de pouco mais de R$ 6 bilhões nos cofres da União, que é a principal acionista da estatal.

Como mostrou o Estadão, a cifra ajudará a equipe econômica no curto prazo. O valor servirá para tapar parte do “buraco” deixado pela desoneração da folha dos pequenos municípios, uma derrota imposta pelo presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), ao ministro da Fazenda, Fernando Haddad.

Na reunião de março, o conselho da estatal decidiu pela retenção dos dividendos extras, deixando evidentes as divergências dentro da gestão petista. Prates defendeu o pagamento de 50%.

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A posição dele abriu uma crise com Silveira e com o chefe da Casa Civil, Rui Costa, que passaram a defender em público a retenção dos dividendos. O racha levou Prates a uma quase demissão, movimento que perdeu força nos últimos dias, mas que não pode estar totalmente descartado, uma vez que Lula ainda não deu a palavra final.

Entre os conselheiros privados, há uma defesa por distribuir 100% dos dividendos. Isso porque eles avaliam que há um acúmulo de caixa da empresa, que segue crescente apesar de a Petrobras praticar preços no Brasil abaixo das cotações internacionais dos combustíveis.

Em nota, a Petrobras confirmou a decisão tomada nesta sexta-feira, 19, pelo conselho. “Considerando cenários dinâmicos, como a evolução do Brent, do câmbio e outros fatores, o conselho entendeu, por maioria, serem satisfatórios os esclarecimentos e atualizações sobre a financiabilidade da Companhia no curto, médio e longo prazo e da preservação da governança.”

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