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Economia americana desacelera, e PIB do 4º trimestre cresce abaixo das estimativas

País cresceu 3,2% no período e 2,5% em todo o ano passado; inflação perdeu força e caiu para 1,8%, ante 2,6% do trimestre anterior

Por Sergio Caldas

O Produto Interno Bruto (PIB) dos Estados Unidos cresceu 3,2% no quarto trimestre de 2023, segundo revisão divulgada nesta quarta-feira, 28, pelo Departamento de Comércio do país. O resultado ficou abaixo da estimativa inicial e da previsão de analistas consultados pela FactSet, de alta de 3,3% em ambos os casos.

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A leitura mostra significativa desaceleração da economia americana em relação ao terceiro trimestre de 2023, quando o PIB dos EUA teve expansão anualizada de 4,9%.

Em todo o ano de 2023, o PIB americano mostrou crescimento de 2,5%, como já havia sido estimado há cerca de um mês, após o acréscimo de 1,9% de 2022.

O Departamento do Comércio informou também que a inflação de gastos com consumo (PCE, na sigla em inglês) subiu à taxa anualizada de 1,8% no quarto trimestre, perdendo força após avançar 2,6% no terceiro trimestre. Já o núcleo do PCE, que desconsidera preços de alimentos e energia, aumentou 2,1% entre outubro e dezembro, depois de avançar 2% no trimestre anterior.

Para analistas, a pequena revisão para baixo do crescimento real do PIB dos Estados Unidos no quarto trimestre não é preocupante Foto: Charlie Riedel/AP

No primeiro cálculo, os ganhos anuais do PCE e de seu núcleo no quarto trimestre haviam sido estimados em 1,7% e 2%, respectivamente.

O PCE é a medida de inflação preferida do Federal Reserve (Fed, o banco central americano), que vive um momento de decisão sobre o futuro dos juros. A expectativa é que os cortes comecem em junho, no ritmo de 50 pontos-base.

Contraponto

Para analistas da consultoria Oxford Economics, a pequena revisão para baixo do crescimento real do PIB dos Estados Unidos no quarto trimestre não é preocupante, e os detalhes divergentes não justificam uma alteração imediata da previsão básica de que a economia americana continuará a crescer acima do seu potencial.

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A revisão do PIB, segundo eles, mascara alguns detalhes encorajadores. Entre eles, o crescimento dos gastos reais do consumidor foi revisado para cima entre a primeira e a segunda estimativas. O importante, contudo, será o detalhamento mensal das revisões, que será divulgado ainda esta semana, afirma a Oxford Economics.

“Se os gastos dos consumidores mostrarem uma trajetória melhor no primeiro trimestre, isso traria algum risco ascendente à previsão para o PIB do atual trimestre”, diz a consultoria.

O Citi também avalia que a revisão do PIB do quarto trimestre ainda registra uma economia “forte”, apesar da revisão em baixa no crescimento, de 3,3% a 3,2%. Além disso, em comentário a clientes, o banco diz que o PCE no mesmo período é um lembrete das dificuldades do Fed para atingir a meta de 2% de inflação.

No PIB, os gastos com consumo pessoal foram revisados para cima, puxados por serviços, e houve revisões para cima nos gastos dos governos estaduais e locais, enquanto os estoques privados tiveram revisão para baixo. Agora, o Citi diz que espera desaceleração “significativa” no trimestre atual, de 0,9% até agora.

A instituição afirma ainda que, apesar de uma leitura do núcleo do PCE próxima da meta no fim do ano passado, os dados recentes dão prova das dificuldades do Fed de atingir a meta de 2%. O banco acredita que o PCE de janeiro, que sai nesta sexta-feira, 1°, traga alta mensal de 0,38%.

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