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Eficiência energética emerge como prioridade mundial; leia o artigo

Se o consumo atual não for otimizado, há riscos de escassez de empregos

Por Marco Schiewe
Atualização:

Em um cenário de urgência climática mundial e crise de energia nos países da Europa, o conceito de eficiência energética voltou à pauta como um importante instrumento de desenvolvimento sustentável. Durante o Fórum Econômico Mundial, a Comissão Europeia apresentou um plano industrial verde como resposta europeia à corrida pela inovação industrial e fabricação de tecnologias-chave para a descarbonização.

Além das energias renováveis, a principal contribuição para a mitigação de CO2 deve vir de tecnologias industriais energeticamente eficientes Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil

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O plano se soma às políticas lançadas por outros países em relação ao desenvolvimento industrial sustentável, como Japão, Canadá, Reino Unido e Estados Unidos. Os processos de fabricação industrial representam, atualmente, cerca de 29% das emissões globais de CO2. Além das energias renováveis, a principal contribuição para a mitigação de CO2 deve vir de tecnologias industriais energeticamente eficientes, como motores de alto rendimento, bombas e sistemas de recuperação de calor, que também aumentam a competitividade das empresas por meio de custos operacionais reduzidos.

O PotencializEE (Programa Investimentos Transformadores em Eficiência Energética na Indústria), aplicado no Brasil nesta direção, tem previsão de apoiar mil pequenas e médias indústrias do Estado de São Paulo com subsídios para diagnósticos energéticos a serem realizados pelo Senai São Paulo. É um programa de cooperação Brasil-Alemanha, liderado pelo Ministério das Minas e Energia e coordenado pela GIZ (agência alemã de cooperação internacional).

Na indústria europeia, a eficiência energética é uma questão de sobrevivência e manutenção dos empregos. No Brasil, é responsável por 32% do consumo da energia nacional e quase 40% do total da eletricidade consumida. Se o consumo atual não for otimizado, há riscos de escassez de empregos.

O Brasil tem uma vantagem competitiva para oferecer ao mercado global produtos de baixo carbono, combinando seus potenciais expressivos de geração de energias renováveis com eficiência energética. Dados da ABB no Brasil apontam que 48% das empresas já investem no aumento da eficiência energética e que 51% planejam investir.

As indústrias paulistas que quiserem investir na eficientização serão beneficiadas com acesso facilitado a financiamento por meio de um Fundo Garantidor, gerido pelo Desenvolve SP. O impacto ambiental do programa é estimado em 1,1 milhão de toneladas de CO2. Estamos construindo um ecossistema que fortalece as indústrias para uma economia de baixo carbono e promove o crescimento do mercado de fornecedores de máquinas industriais mais eficientes. /Diretor do Programa PotencializEE da GIZ (Deutsche Gesellschaft für Internationale Zusammenarbeit), agência alemã de cooperação internacional

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