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Jornalista e colunista do Broadcast

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Política de imigração de Trump sabota lógica econômica, e fatura virá em breve

Estudo feito por economistas do Fed mostrou que a redução drástica de imigrantes nas fronteiras e o aumento das deportações podem subtrair 0,8 ponto porcentual do PIB americano já de 2025

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Foto do autor Fábio Alves

O impacto das deportações em massa de imigrantes, de um patrulhamento mais duro nas fronteiras e das restrições para permanência nos Estados Unidos até a quem tem autorização temporária de residência deverá afetar o PIB americano de 2025 numa magnitude maior do que antes imaginado. A adoção indiscriminada de tarifas de importação vem dominando as manchetes da imprensa internacional, mas a cruzada do presidente Donald Trump contra imigrantes já está prejudicando o mercado de trabalho.

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Desde janeiro, o número de estrangeiros na força de trabalho diminuiu em 735 mil, conforme estimativas da National Foundation for American Policy, um centro de pesquisa especializado em imigração e comércio internacional. Já a consultoria Capital Economics calcula que a participação de estrangeiros na força de trabalho americana caiu de 19,8%, em março deste ano, para 19,1% em junho, equivalendo a uma redução de mais de um milhão de pessoas.

O que vem impressionando é o ritmo de detenções e deportações pelo Serviço de Imigração e Alfândega (o temido ICE, na sua sigla em inglês), cujo orçamento foi elevado para US$ 170 bilhões (R$ 950 bilhões). O número de detenções feitas por agentes da ICE subiu de 15 mil, na média mensal de 2024, para 40 mil por mês nos primeiros meses deste ano até junho. Com o orçamento turbinado, esse número deve disparar.

O número de detenções feitas por agentes da ICE subiu de 15 mil, na média mensal de 2024, para 40 mil por mês nos primeiros meses deste ano até junho; na foto, soldados da Guarda Nacional bloqueiam manifestantes durante batida do ICE em fazenda no sul da Califórnia Foto: Mario Tama/AFP

Quem soou o último alerta sobre o impacto negativo dessa política foram os economistas do Federal Reserve de Dallas. Um estudo feito por eles, divulgado na semana passada, mostrou que a redução drástica de imigrantes nas fronteiras e o aumento das deportações de trabalhadores sem vistos ou autorizações podem subtrair 0,8 ponto porcentual do PIB americano já de 2025. Esse é o cenário-base. Mas no cenário mais pessimista – de deportação em massa atingindo 1 milhão de imigrantes por ano até o fim de 2027 –, o impacto no PIB não seria tão maior neste ano (-0,9 ponto), porém bastante significativo no PIB de 2027 (-1,5 ponto).

Não à toa, os economistas do banco JPMorgan dizem considerar as políticas de imigração de Trump como o risco de baixa “mais subestimado” ao crescimento dos EUA. O cenário do banco era de que o fluxo de imigração minguaria a zero neste ano, mas sem contar com o impacto das deportações. Uma reversão dos programas existentes no governo Biden pode levar 1,8 milhão de imigrantes a perder o “status” legal e 1,1 milhão a perder o direito a trabalhar nos EUA. A política de imigração de Trump sabota a lógica econômica. A fatura virá em breve.

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Opinião por Fábio Alves

Colunista do Broadcast