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Família Gradin parte para o etanol

Enquanto travam disputa por fatia da Odebrecht, Bernardo e Miguel Gradin investirão R$ 1 bilhão em usinas de biocombustível

Por Marina Gazzoni e Catia Luz
Atualização:

Cerca de um ano e meio depois de deixar a presidência da Braskem, em função de uma disputa societária, Bernardo Gradin lançou ontem a GraalBio, uma nova empresa na área de biocombustíveis. Ao lado do irmão Miguel, que também deixou o comando da Odebrecht Óleo e Gás, Bernardo planeja construir do zero cinco usinas de etanol celulósico no Brasil até 2017, um investimento total de R$ 1 bilhão. A primeira unidade será em Alagoas e custará R$ 300 milhões. "No fim de 2010 e início de 2011 nós tivemos a oportunidade de nos reinventarmos empresarialmente. Já em março pensamos em criar uma holding empresarial que unisse inovação e tecnologia. Um dos negócios que pensamos foi na área de biotecnologia", disse Gradin.A GraalBio é uma empresa 100% da família Gradin, mas que receberá financiamento do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). O banco vai emprestar R$ 170 milhões para a primeira fase do projeto, que contempla a construção da unidade de Alagoas.Ela será uma das 35 empresas que receberão aportes do BNDES no Plano de Apoio à Inovação dos Setores Sucroenergético e Sucroquímico, lançado ano passado em parceria com a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) e com orçamento de R$ 3,1 bilhões. "Esperamos que o programa represente um salto qualitativo que coloque o Brasil na fronteira de produção eficiente de biocombustíveis", disse ontem o presidente do BNDES, Luciano Coutinho, na cerimônia de lançamento de empresa.A GraalBio investirá em pesquisa e parcerias tecnológicas para desenvolver etanol de segunda geração (feito de biomassa, como o bagaço de cana) e bioquímicos. A companhia fará cruzamentos de plantas para chegar a uma espécie que tenha mais fibras e menos açúcares, batizada de "cana-energia". Essa matéria-prima tem três vezes mais massa seca que a cana tradicional e, por isso, é mais produtiva para o etanol de segunda geração. "Durante muito tempo o Brasil desenvolveu a cana-de-açúcar para ter muito açúcar e pouca fibra. O que queríamos era o caminho contrário, e fomos buscar lá na origem dos cruzamentos de plantas ancestrais", disse Gradin.A GraalBio já criou uma área de cultivo experimental em Alagoas e vai selecionar as sementes de uma amostra de 100 mil plantas. A matéria-prima estará disponível para ser usada em escala industrial em 2014. Até lá, a companhia comprará sobras de bagaço e palha de cana de quatro usinas parceiras para iniciar a produção. A usina terá capacidade de produzir 82 milhões de litros de etanol e deve entrar em operação em dezembro de 2013.Parceiros. Além de cultivar matéria-prima mais produtiva, a GraalBio também precisou de parceiros tecnológicos para viabilizar a transformação do produto em etanol e bioquímicos. A solução veio da BetaRenewables, afiliada do grupo italiano Mossi&Ghisolfi, que desenvolveu um processo para quebrar as fibras de celulose com enzimas. A BetaRenewables vai inaugurar no segundo semestre deste ano uma fábrica similar à da GraalBio na Itália, que será a primeira a usar o processo.A tecnologia italiana conta com a parceria de outros pesos pesados da biotecnologia: a dinamarquesa Novozymes, líder na produção de enzimas, e a holandesa DSM, especializada em fermentação de leveduras. Essas empresas também serão parceiras da GraalBio.

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