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Fundos de renda fixa serão o destaque de 2001

Contrariando a expectativa dos analistas que apostavam nos fundos de ações, os fundos de renda fixa devem fechar 2000 como os mais rentáveis do ano. As oscilações no cenário externo prejudicaram as aplicações em ações.

Por Agencia Estado
Atualização:

As aplicações de renda fixa devem fechar 2000 como as opções mais rentáveis do ano, contrariando as previsões de que este seria o ano da Bolsa. De janeiro até a sexta-feira, a liderança do ranking é dos fundos de renda fixa, com rendimento líquido de 13,44%. Logo atrás está o CDB para grandes quantias - acima de R$ 100 mil -, com rendimento de 13,34%. O investimento em ações ficou em último lugar. O Ibovespa amarga perda de 14,27% no ano. Em janeiro, a maior parte dos analistas apostava que as ações registrariam um desempenho excelente, amparadas na retomada do crescimento econômico, na acomodação da inflação e no ajuste das contas públicas. Esse cenário levaria a um recuo mais forte dos juros, favorecendo o investimento em ações. A questão é que os analistas não consideravam que o cenário externo poderia atrapalhar esse quadro. Este ano, não faltaram motivos para acirrar a instabilidade nos mercados internacionais. As incertezas quanto ao ritmo de desaceleração da economia americana provocaram forte turbulência no mercado acionário norte-americano, levando a Nasdaq - bolsa que negocia ações de empresas de alta tecnologia e informática em Nova York - a oscilar como bolsa de país emergente. Além disso, os preços do petróleo dispararam. A crise da Argentina, marcada pelo temor de que o país vizinho desse um calote nas dívidas externa e interna também mexeu com o mercado. Nesse cenário, quem se deu bem no ano foi o investidor conservador. Se a renda fixa não ofereceu um rendimento dos mais espetaculares, pelo menos superou a inflação. O Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), usado como meta de inflação pelo governo, deve ficar em torno de 6%. O cenário externo virou em dezembro Nas últimas semanas, no entanto, o cenário externo melhorou. O medo de uma aterrissagem forçada (hard landing) diminuiu bastante, uma vez que há a expectativa de que o Fed, o banco central americano, corte os juros nos próximos meses. Os preços do petróleo despencaram nas últimas semanas por conta da percepção dos investidores de que a oferta do produto supera a demanda. O acordo do Fundo Monetário Internacional (FMI) com a Argentina aliviou as pressões sobre o país vizinho. Nesse cenário, o Comitê de Política Monetária (Copom) aventurou-se a reduzir a taxa básica de juros (Selic) de 16,5% para 15,75% ao ano e a Bolsa vem registrando bom desempenho no mês. Mas isso não deve ser suficiente para que o investimento em ações desbanque a renda fixa da liderança do ranking. Isso talvez ocorra em 2001, desde que o cenário externo não volte a atrapalhar.

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