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Sete em cada dez industriais têm expectativa positiva para os negócios em 2024, diz FGV

Pesquisadores veem indústria passando por momento de reaceleração na produção após normalização de estoques

Por Daniela Amorim (Broadcast)

RIO - Sete em cada dez empresários da indústria da transformação encerraram 2023 com expectativas positivas para o ambiente de negócios em 2024, de acordo com dados obtidos pelo Estadão/Broadcast sobre o quesito na Sondagem da Indústria da Fundação Getulio Vargas (FGV). Tanto a confiança empresarial quanto a produção industrial sinalizam que este será um ano de expansão do setor industrial, avaliam economistas da FGV.

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“A indústria está passando agora por um momento de normalização de estoques, e a produção está registrando uma reaceleração gradual. Ou seja, o empresário está, de certa forma, confortável em trabalhar com o estoque um pouquinho acima do normal, porque ele está prevendo uma melhora da demanda no início de 2024″, explicou Stéfano Pacini, economista do Instituto Brasileiro de Economia da FGV (Ibre/FGV).

Os dados da Sondagem da Indústria de janeiro confirmam que já houve melhora do ambiente de negócios nos últimos meses, segundo Pacini. Os níveis de estoques acumulados desceram a 99,4 pontos, situando-se em patamar considerado neutro pela primeira vez desde setembro de 2022.

“O ano todo de 2023 foi de acúmulo de estoques, e aí, de repente, no último trimestre, parece que a demanda desencantou. Não foi um nível alto de demanda, mas houve demanda para esse movimento de normalização dos estoques”, apontou Pacini. “O legal é que foi um movimento difuso”, acrescentou.

Fábrica de equipamentos para a construção civil em São Paulo; industriais veem ambiente de negócios positivo em 2024 Foto: TIAGO QUEIROZ / ESTADÃO

Pacini revelou que 15 dos 19 segmentos da indústria da transformação melhoraram os níveis de estoques na passagem de dezembro de 2023 para janeiro de 2024. Dez segmentos já estão com níveis de estoques na faixa entre normal a insuficiente.

“Em novembro, só quatro segmentos estavam com estoques entre normal ou insuficiente”, lembrou. “Chegamos a janeiro, e os segmentos estão com estoques se aproximando da insuficiência. Isso é muito bom, né? Porque é um motivo de aquecimento da produção.”

Outras duas medidas apuradas pela sondagem que têm mostrado evolução positiva são os componentes de demanda prevista e produção prevista. A demanda prevista subiu a 97,2 pontos em janeiro ante dezembro, melhor resultado desde agosto de 2022. A produção prevista cresceu a 99,3 pontos, nível mais elevado desde abril de 2023.

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“Problemas que vinham afligindo o setor pelo lado da oferta durante a pandemia, como a dificuldade de acesso a insumos e matérias-primas, persistiram até o primeiro semestre de 2023, mas estão fora do radar em 2024. A percepção sobre a procura interna por produtos industriais vem melhorando bastante nos últimos meses, mostrando que o setor pode estar virando a chave e entrando numa fase ascendente”, previram Pacini e Aloisio Campelo Júnior, superintendente de Estatísticas Públicas do Ibre/FGV, em artigo conjunto.

O Índice de Confiança da Indústria (ICI) da FGV subiu 1,8 ponto em janeiro, quarto avanço consecutivo, para 97,4 pontos, melhor desempenho desde agosto de 2022. Houve melhora nas expectativas de segmentos mais dependentes de crédito: bens de capital, que inclui máquinas e equipamentos, e bens de consumo duráveis, como eletroeletrônicos e automóveis, por exemplo. Esses ramos podem se beneficiar nos próximos meses do ciclo de cortes na taxa básica de juros, a Selic, apontou a FGV.

“E aí tem outros fatores também que eu acho que vão contribuir para isso, que são questões mais macroeconômicas. A queda da taxa de juros, a espera de uma melhora no ambiente de negócios, até a própria reforma tributária que está um pouco mais maturada no entendimento do empresário, isso já é um motivo de ter uma expectativa melhor. Enfim, e os esforços federais de diálogo com a indústria também, que estão bem fortes até nas notícias”, enumerou Pacini ao Estadão/Broadcast.

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No ano de 2023, a produção industrial brasileira cresceu 0,2%, segundo a Pesquisa Industrial Mensal - Produção Física (que considera o desempenho tanto da indústria de transformação quanto das indústrias extrativas), apurada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Apesar do crescimento modesto, o desempenho foi majoritariamente positivo na reta final do ano passado. A produção avançou 1,1% em dezembro ante novembro, o quinto mês seguido de expansão, já descontadas as influências sazonais.

“A melhora do humor dos empresários parece estar associada à virada cíclica, puxada pela queda da inflação e juros, maior previsibilidade da taxa cambial e redução de incertezas com a definição da primeira fase da reforma tributária. Sem entrar no mérito de sua execução ou de seu efeito no longo prazo, outras medidas governamentais recentes de impulso ao investimento produtivo e em infraestrutura tendem a impactar favoravelmente a confiança no primeiro momento”, resumiram Pacini e Campelo Júnior, no artigo conjunto.

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