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Professor da PUC-Rio e economista-chefe da Genial Investimentos, José Márcio Camargo escreve quinzenalmente

Opinião|Investimento no Brasil está em derrocada, apesar de crescimento do PIB

Capacidade produtiva do País não cresce e o aumento do consumo acaba esbarrando no estoque preexistente

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Apesar do crescimento do PIB acima do esperado, a taxa de investimento da economia brasileira mostrou forte queda ao longo de 2023, saindo de 19,6% do PIB no início do ano para 16,6% do PIB no terceiro trimestre. O crescimento da economia foi concentrado no aumento do consumo das famílias, do consumo do governo e das exportações. A Formação Bruta de Capital Fixo e, em especial, máquinas e equipamentos, mostrou queda de – 8,9%.

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Com uma taxa de investimento tão baixa e em queda, a capacidade produtiva do País não cresce e o aumento do consumo acaba esbarrando no estoque de capacidade preexistente, gerando pressão inflacionária. No longo prazo, o crescimento da economia depende fundamentalmente de investimento em capital físico e em capital humano.

Vários são os fatores que estão gerando esta queda da taxa de investimento. Um primeiro fator é a elevada taxa de juros real, resultado de gargalos do sistema produtivo e de transportes decorrentes da pandemia e de uma política fiscal expansionista.

Os elevados e persistentes déficits fiscais geram aumento da dívida, o que aumenta a taxa de juros demandada pelos investidores para financiar esta dívida, mantendo os juros reais elevados.

Apesar de crescimento do PIB, País tem investido pouco Foto: ANDRÉ DUSEK / ESTADÃO

Um segundo fator é a política de aumentar a carga tributária sobre as empresas e os lucros, para financiar aumentos de gastos do governo e, desta forma, manter o déficit fiscal minimamente sob controle. Como grande parte deste aumento de gastos é transferência de renda para as famílias (bolsa família, previdência social, BPC, entre outros), o País está taxando investimento para financiar consumo.

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Terceiro, a Reforma Tributária aprovada em 2023 simplifica e diminui o contencioso tributário no longo prazo mas, no curto prazo, aumenta a incerteza. Concretamente, hoje nenhum agente econômico sabe qual será a alíquota padrão do imposto sobre consumo (IVA), nem quanto vai pagar de impostos nos próximos anos. Como resultado, as empresas preferem esperar para ver como vai ficar a carga tributária no futuro, adiando ou cancelando seus investimentos.

Quarto, o aumento da intervenção do governo na economia, seja diretamente seja através de empresas estatais, como a Petrobras, ou privadas, como a Vale e a Eletrobras, diminui a atratividade da economia brasileira, gera redução do investimento direto estrangeiro no País e reduz a taxa de investimento.

Diante deste conjunto de fatores, não é uma surpresa que a taxa de investimento seja tão baixa e se mantenha em queda.

Opinião por José Márcio de Camargo

Professor aposentado do Departamento de Economia da PUC-Rio, é economista-chefe da Genial Investimentos

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