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Mercado projeta juros altos por mais tempo

Às vésperas de nova reunião do Copom, BC pede a bancos estimativas para o ritmo de retomada da economia

Foto do author Eduardo Laguna
Por Eduardo Laguna (Broadcast)
Atualização:

A retomada acelerada da economia, a ponto de atingir seu limite de capacidade, entrou no foco do Banco Central (BC), que voltou a pedir estimativas sobre o chamado hiato do produto (a diferença entre o PIB efetivo e o seu potencial) no questionário encaminhado a economistas antes da nova reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) – na próxima semana.

Retomada acelerada da economia entrou no foco do Banco Central; autoridade monetária voltou a pedir estimativas sobre hiato do produto (diferença entre PIB efetivo e seu potencial) a economistas.  Foto: André Dusek/Estadão

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Mesmo após declarações de diretores do BC sinalizando uma “alta residual” da Selic, a existência de indicadores mostrando uma economia mais aquecida do que se imaginava não alterou a avaliação no mercado de que, com a taxa nos atuais 13,75% ao ano, o ciclo de alta dos juros já teria chegado ao fim.

A expectativa é de que o aperto nos juros – cujos efeitos, projeta o mercado, serão finalmente sentidos a partir deste segundo semestre – irá esfriar a atividade. Caso isso se confirme, a economia voltaria a crescer em 2023 abaixo de seu potencial (algo estimado entre 1,5% e 2%), tirando, assim, a pressão sobre os preços.

Porém, como a atividade não para de surpreender, muitos economistas entendem que a reunião do Copom deve terminar com uma mensagem de “interrupção hawkish” do ciclo. Isto é, o BC não voltaria a subir os juros, mas reforçaria a sinalização de que a taxa seguirá nos patamares atuais por mais tempo, desautorizando o otimismo de quem ainda acredita em queda dos juros no primeiro trimestre do ano que vem.

Cenário

Cada vez menos economistas enxergam espaço para o BC cortar a Selic antes de junho. Cristiano Oliveira, economista-chefe do Banco Fibra, trabalha com a perspectiva de manutenção dos juros durante todo o ano que vem. A aposta se baseia na pressão exercida pela demanda – muito aquecida como reflexo da expansão dos programas sociais – sobre os preços livres, aqueles que não são controlados pelo governo.

Para o economista-chefe do Citi Brasil, Leonardo Porto, os juros só devem começar a cair no terceiro trimestre de 2023. “O BC deve rever para cima a projeção de crescimento do PIB deste ano, atualmente em 1,7%, sugerindo que suas projeções de inflação passam a considerar um hiato do produto mais apertado”, diz.

Segundo economistas, o aquecimento da atividade indica uma inflação mais persistente no setor de serviços. Ao mesmo tempo, como a produção doméstica pode ser suficiente para suprir a demanda, as importações tendem a subir. É possível também, segundo parte dos analistas, que o mercado de trabalho fique mais apertado, faltando, inclusive, mão de obra em alguns setores. A consequência seria maior pressão sobre os salários.

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