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‘Metas ESG precisam ser parte de um conjunto de ações’, diz presidente da Gerdau

Executivo diz que incorporar as métricas à remuneração reforça a importância do tema para a empresa

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Por Fernanda Guimarães
Atualização:

Entusiasta do tema ESG, o presidente da Gerdau, Gustavo Werneck, vem trazendo uma série de mudanças na Gerdau desde que assumiu a siderúrgica, há três anos. Colocando a sustentabilidade como um dos pilares do negócio, o executivo diz que incorporar as métricas ESG à remuneração reforça a importância do tema para a empresa.

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O que muda na administração do dia a dia de uma grande empresa quando parte da remuneração variável passa a ser atrelada a métricas ESG?

A principal mudança é o olhar sobre o tema, que ganha ainda mais relevância. Mas ter a remuneração variável atrelada a métricas ESG é o resultado de mudanças e de decisões que a organização vem tomando nos últimos anos no sentido de dar cada vez mais equilíbrio entre as dimensões ambientais, sociais e de governança e a econômica. Elas representam a materialização de um processo de maturidade interna.

Como foi para você passar a ter neste ano parte da sua remuneração de longo prazo ligada à maior presença de líderes mulheres na empresa e à redução de gás carbônico? 

Está sendo um processo de evolução e aprendizado coletivo. Mas é muito satisfatório ver nossos líderes compreenderem e embarcarem nessa jornada. As duas metas ESG que definimos são reconhecidas internamente como fundamentais para nos tornamos uma empresa ainda melhor, mais sustentável e mais inclusiva. As mobilizações e ações para aumentarmos a participação de mulheres em cargos de liderança e reduzirmos nossa emissão de gases de efeito estufa já estavam na agenda. Mas as metas representam a consolidação de uma cultura corporativa de uma empresa que busca ser parte das soluções aos desafios da sociedade. Por isso, ter parte da minha remuneração atrelada a metas ESG é muito positivo, pois nos dá ainda mais clareza do caminho a percorrer numa jornada na qual toda a sociedade ganha. 

Entusiasta do tema ESG, o presidente da Gerdau, Gustavo Werneck, vem trazendo uma série de mudanças na empresa Foto: Daniel Teixeira/Estadão

Já é possível identificar mudanças no olhar dos executivos em relação a esses temas?

Sem dúvida. Não diria que essa mudança se dá exclusivamente pelas metas, mas elas ajudam a reforçar a importância desse tema para a organização. Hoje, ao visitar uma operação, além das questões de segurança, produtividade e eficiência, nossos lideres já incorporaram temas como meio ambiente e diversidade em seus destaques a serem reportados, nas conversas e reflexões com suas equipes. 

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Há outras medidas possíveis para garantir que esse tema esteja presente na cultura da empresa?

As metas precisam ser parte de um conjunto de ações para que o tema esteja presente na cultura da empresa. Por isso, o primeiro passo deve ser uma reflexão da própria cultura, no sentido de tornar a organização menos hierárquica, mas ágil, transparente e colaborativa, onde as pessoas não tenham receio de sempre aprender, desaprender e reaprender. Em adicional ao trabalho de cultura, destaco a evolução da governança. Desde 2019, por exemplo, o Comitê de Estratégia, ligado ao Conselho de Administração, passou a atuar como Comitê de Estratégia e Sustentabilidade, com o papel de apoiar o conselho na análise dos nossos investimentos e decisões estratégicas também levando em consideração os fatores ambientais, sociais e de governança. 

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