Startup QI Tech prepara IPO internacional e fala em valer ‘alguns bilhões de dólares’

idwall, outra candidata a unicórnio, obteve selo iBeta, certificação que atesta que sua solução de biometria facial é capaz de barrar 100% das fraudes

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Por Cleide Silva
Atualização:
4 min de leitura

Mais do que se tornar um unicórnio (como são conhecidas as startups que atingem valor de mercado de US$ 1 bilhão), a fintech QI Tech trabalha para fazer um IPO, a estreia na bolsa de valores, mas fora do País, com a empresa valendo “alguns bilhões de dólares”, de acordo com o CEO e cofundador Pedro Mac Dowell. Não será, porém, este ano, mas possivelmente em 2025, já que o processo burocrático internacional leva mais tempo.

A QI Tech é apontada no mercado com uma das startups que podem atingir o status de unicórnio este ano (veja aqui quais são). No fim do ano passado, a empresa recebeu R$ 1 bilhão em investimentos, e adquiriu a Singulare, da área de custódia e administração de fundos de investimentos.

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Mac Dowell ressalta que ser um unicórnio faz parte do processo, “pois para valer bilhões tem antes de passar pelo US$ 1 bilhão”, mas avalia que esse valor, até mesmo para um IPO, pode tornar a empresa volátil, por ficar nas mãos de poucos investidores. “Queremos ter um IPO maior porque, tendo mais investidores, o caminho será mais estável.”

A empresa tem licença do Banco Central (BC) desde 2018 para atuar como Sociedade de Crédito Direto (SCD) e atua especialmente com oferta de financiamentos. Em vez de ter um banco próprio, as companhias podem “alugar um”, por meio da instituição financeira QI Tech, que tem serviços de emissão de crédito, transacional (abertura de contas, emissão de boletos, cobranças) e outros, como plataforma antifraude, análises de crédito e reconhecimento digital.

Uma das clientes, por exemplo, é a Vivo que, por meio de um aplicativo, oferece serviços financeiros aos seus 78 milhões de usuários. “Nosso negócio envolve a democratização do crédito”, diz Mac Dowell, ressaltando que o processo é simples, sem a burocracia dos grandes bancos. “Em volume financeiro, emitimos hoje por volta de R$ 1 bilhão por mês; em 2023 devemos ter transacionado por volta de R$ 11 bilhões a R$ 12 bilhões, sem contar os pagamentos, que é três a quatro vezes maior.”

Marcelo Bentivoglio, Pedro Mac Dowell e Marcelo Buosi, co-fundadores da QI Tech Foto: Mayara Araujo/QI Tech/Divulgação

Marcelo Bentivoglio, CFO da startup, afirma que a principal diferença em relação aos bancos tradicionais é a tecnologia que permite a facilidade e agilidade dos serviços. Outra é que os grandes bancos atendem o cliente final, enquanto a QI atende as empresas que gostariam de ter um banco próprio para atender seus próprios clientes. A QI Tech, com sede em São Paulo, tem 116 funcionários e está com 40 a 50 vagas abertas.

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idwall ganha selo internacional

Outra startup apontada como candidata a unicórnio este ano, a idwall, criada em 2016, obteve neste início de ano o selo iBeta, certificação que atesta que sua solução de biometria facial é capaz de barrar 100% das fraudes. O selo é reconhecido mundialmente e recebeu nota máxima nos testes feitos pelo National Institute of Standards and Technology’s (NIST) e pelo National Voluntary Laboratory Accreditation Program (NVLAP).

A plataforma da idwall faz gestão de identidade, o que previne fraudes. Por exemplo, o reconhecimento biométrico compara a foto do documento da pessoa com sua selfie e faz a validação usando um banco nacional de faces. O sistema faz também o reconhecimento ótico e consegue extrair várias informações em cerca de 300 fontes públicas e privadas sobre a idoneidade da pessoa em poucos segundos.

O diretor financeiro da idwall, Vítor Sabio, informa que entre seus clientes estão Pão de Açúcar, iFood e Quinto Andar. O Bradesco Saúde, por exemplo, adotou a tecnologia de reconhecimento por biometria facial para os processos de solicitação de reembolso dos usuários.

Lincoln Ando é um dos fundadores da idwall, que faz gestão de identidade Foto: idwall/Divulgação

Segundo Sabio, a idwall nasceu da experiência que seus fundadores, Lincoln Ando, hoje CEO, e Rafael d’Ávila, diretor de Receitas, adquiriram ao longo de anos trabalhando no desenvolvimento da digitalização em grandes bancos. “Antes, para abrir uma conta, por exemplo, era preciso levar pessoalmente ao banco cópias de diversos documentos, assinar vários papéis e agora é 100% digital, sem burocracias.”

A idwall tem base em São Paulo e levantou mais de US$ 50 milhões até o momento (cerca de R$ 260 milhões). Emprega 350 funcionários e deve chegar a 380 neste ano. Sabio avalia ser possível a startup obter o título de unicórnio neste ano ou em 2025, mas diz que o foco atualmente é ampliar soluções para resolver problemas de identidade dos clientes, gerar valor para os investidores e ampliar serviços e clientela.