Para cada indexador, uma sentença

Perfil do investidor é determinante na escolha do barco onde entrar

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Por Redação
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A rentabilidade das aplicações de renda fixa é baseada em três indexadores principais: os pós-fixados, os prefixados e os atrelados à inflação. Os pós-fixados seguem um referencial – normalmente o Certificado de Depósito Interfinanceiro (CDI) ou a Selic (taxa básica de juros da economia). Isso quer dizer que qualquer oscilação na taxa de juros impacta imediatamente o retorno desses títulos. Eles possuem baixa volatilidade, por isso são os mais recomendados para formar uma reserva de emergência – aquele dinheiro que pode ser resgatado a qualquer momento sem nenhum prejuízo para o investidor.

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Os prefixados pagam uma taxa que é definida no momento da compra do título. Caso o cliente leve o papel até o seu vencimento, o retorno será exatamente aquele que foi contratado no momento da aplicação. No entanto, se o resgate for feito antes do prazo, o investidor fica sujeito ao preço de mercado do título, que pode ser maior ou menor dependendo do cenário econômico.

Os títulos atrelados à inflação remuneram com base em algum índice de preços – normalmente é usado o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) – mais uma taxa prefixada definida na hora da compra do papel. Assim como os prefixados, esses investimentos também têm oscilação de preços ao longo do tempo e, se o investidor fizer o resgate antes do vencimento, ele estará sujeito a receber o valor de mercado.

Mas qual dos três tipos de indexadores escolher? Segundo especialistas, isso depende de algumas questões, principalmente relacionadas com o perfil do investidor e os objetivos de curto, médio e longo prazo, além do cenário macroeconômico.

“Atualmente, os títulos de inflação longos, como Tesouro IPCA+ com vencimento em 2055, são uma boa alternativa para as pessoas que têm um perfil de investimento mais arrojado e que podem ficar sem mexer no dinheiro por pelo menos dois ou três anos”, afirma Jorge Luis Prado, assessor de investimentos e professor da FAE Centro Universitário.

Na opinião dele, esse prazo de até três anos é o tempo de que essa aplicação precisa para gerar um prêmio atrativo no cenário atual. “O Banco Central projeta a Selic para 11% em 2023 e 8% em 2024. A expectativa é de que cada 1% de redução de juros resulte em 20% de ágio neste papel”, afirma o especialista.

Como essa estratégia envolve risco de mercado, os investidores que não têm perfil para lidar com oscilações de preço podem escolher aplicações mais conservadoras, como títulos que tenham prazos menores. “Um cliente que não quer arriscar tem boas alternativas nos prefixados com prazo de dois ou três anos, tanto no Tesouro Direto quanto em papéis privados”, completa o professor da FAE.

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Segundo Márcio Berger, CEO e fundador da Peak Invest, este é um bom momento para avaliar investimentos que pagam uma taxa prefixada e possuem vencimento no médio e longo prazo. “Estamos próximos do teto da taxa básica de juros. Além disso, a inflação apresenta sinais de controle e início de queda, favorecendo ainda mais essa posição. Esse tipo de aplicação funcionará ainda melhor para os investidores que não vão precisar resgatar nos próximos 12 a 24 meses”, afirma.

Rodrigo Knudsen, head de Renda Fixa da Vitreo, destaca que escolher os melhores indexadores e os prazos ideais no momento certo é uma tarefa complicada para o investidor comum.  Por isso, ter um acompanhamento de especialistas costuma ser uma boa ideia na hora de montar a carteira de renda fixa. “Tenha um assessor de investimentos de confiança. Ou você entende do assunto, ou busca alguém que tenha mais conhecimento para auxiliá-lo”, aconselha. Além disso, é importante manter sempre uma carteira bem diversificada. “Quem colocou tudo em prefixado quando as taxas estavam baixas agora está perdendo para a inflação”, alerta.

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