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Paralisação de 48h no BC começa nesta terça; mais de 500 cargos de chefia já entregaram postos

Servidores da autarquia pedem reajuste, e rejeitaram oferta de aumento de 13%, parcelado em 2025 e 2026

Foto do author Célia Froufe
Foto do author Eduardo Rodrigues
Por Célia Froufe (Broadcast) e Eduardo Rodrigues

BRASÍLIA – No primeiro dia das 48 horas de paralisação dos servidores do Banco Central, o número de cargos de chefia entregues já ultrapassa as 500 cadeiras – cerca de 40% da cadeia de comando da instituição.

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O movimento na manhã desta terça-feira foi marcado pela manifestação conjunta de 43 chefes de unidade do órgão, que aproveitaram o começo da reunião do Comitê de Estabilidade Financeira (Comef) – com todos os diretores do BC – para entregar uma carta em nome dos funcionários pedindo mais esforços junto ao governo para a reestruturação da carreira.

Esta é uma forma de pressão dos servidores, já que, sem ter quem exerça papéis-chave na instituição, são maiores as chances de atrasos em entregas e divulgações.

“A crise que atinge o Banco Central nos últimos anos tem se aprofundado. Às restrições orçamentárias, que dificultam a realização dos processos de trabalho e o desenvolvimento de projetos, se somam a constante redução do quadro de pessoal e o desalinhamento remuneratório crescente em relação a outras carreiras de Estado de papel estratégico para o País”, diz a carta.

Para os servidores, Banco Central atravessa crise há alguns anos Foto: Marcello Casal Jr / Agência Brasil

“Tais fatores têm levado à deterioração aguda e sem precedentes do clima organizacional, que já tem impactos observáveis e ameaça seriamente a condução dos processos de trabalho. Nesse contexto, são crescentes os riscos para o cumprimento da missão institucional do Banco Central, inclusive para a execução de serviços críticos ao regular funcionamento da economia”, completa o documento.

Segundo apurou o Estadão/Broadcast, o pedido é para que os diretores do BC usem a carta no curto prazo na Mesa Específica de Negociação da categoria com o governo, cuja próxima reunião é amanhã às 15h. Os chefes de unidade deixaram claro que seguirão mobilizados e inclusive ameaçaram partir para “próximos passos”, o que pode significar paralisações ainda mais extensas nos trabalhos da autarquia.

No dia 9 de fevereiro, os funcionários do BC rejeitaram a contraproposta do Ministério da Gestão e Inovação em Serviços Públicos, na Mesa Específica de Negociação da categoria. O governo ofereceu apenas um reajuste salarial de 13%, parcelado para 2025 e 2026.

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Embora o governo tenha autorizado a abertura de 100 vagas neste concurso, os servidores desejam uma reestruturação da carreira. Além do bônus produtividade, os funcionários da autoridade monetária pedem a exigência de ensino superior para o cargo de técnico na autarquia e a alteração de nomenclatura do cargo de analista para auditor.

O Banco Central afirmou em nota, também no dia 9, que reconhece o mérito das reivindicações e o direito dos servidores de promoverem manifestações organizadas. O órgão garantiu que “o movimento não tem afetado o funcionamento dos sistemas críticos para a população, os mercados e as operações das instituições reguladas” e ainda disse confiar “na histórica dedicação, qualidade e responsabilidade dos servidores e de seu compromisso com a instituição e com a sociedade”.

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