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Petrobras: o que Magda Chambriard, indicada a CEO, pensa sobre refinarias, pré-sal e outros temas

Indicada pelo presidente Lula para presidir a Petrobras, a engenheira já criticou a atuação do Ministério do Meio Ambiente e Mudanças do Clima dizendo que ele usurpava o poder de concessão da exploração no Amazonas

Foto do author Clayton Freitas
Por Clayton Freitas
Atualização:

Indicada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva como próxima presidente da Petrobras, a engenheira carioca de 66 anos Magda Chambriard já deu diversas declarações de temas tratará quando for confirmada no cargo.

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Especializada em exploração e produção de petróleo, Magda Chambriard ingressou como estagiária na Petrobrás há 44 anos, em 1980. Ficou até 2001, quando se mudou para a Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), onde permaneceu até o ano de 2016. Ela integrou a equipe de transição do atual governo Lula e chegou a disputar uma vaga na estatal com o próprio demitido da estatal, Jean Paul Prates.

Várias de suas opiniões sobre questões do setor estão expressas em artigos que ela publica trimestralmente na revista digital Brasil Energia desde fevereiro de 2020. Confira algumas frases que ela já disse sobre temas relevantes envolvendo a Petrobras.

Magda Chambriard na sala de comissões do Senado durante a CPMI da Petrobras, em 2014 Foto: Jefferson Rudy/AgÍncia Senado

Foz do Amazonas

Em entrevista ao Estadão/Broadcast em setembro de 2023, Magda disse que para o país manter o atual nível de produção e autossuficiência, precisaria avançar sobre a Margem Equatorial, sobretudo na exploração da bacia Foz do Amazonas, fronteiriça às grandes descobertas na região.

Ela já afirmou ser favorável à exploração na região. Um dos seus argumentos é o de que a região das bacias de Campos e Santos, que respondem juntas por 76% da produção diária de óleo e gás, está caminhando para o esgotamento.

A gente não pode desistir da Margem Equatorial. Nesse ponto, meu foco é a Foz do Amazonas, pelo tipo de geologia, pelo afastamento da costa, pelas águas profundas e pelo talude mais espesso. Indo para o Pará-Maranhão, que muitos defendem e que é possível que tenha coisa boa lá, já é encontrado parcel

em entrevista ao site Brasil Energia em abril deste ano

“Como vamos repor reservas se o nosso alvo é principalmente águas profundas? Precisamos nos antecipar. Já estamos perdendo tempo”, afirmou, em outra ocasião.

Refino

Magda escreveu em um dos seus artigos que o Brasil é um país continental e carece cada vez mais de energia para o seu crescimento.

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Ou amplia-se a capacidade de processamento do petróleo cru e agrega-se valor a ele no Brasil (diga-se de passagem, que foi assim que a Petrobras cresceu) ou estar-se-á desembolsando cifras bilionárias para importar cada vez mais derivados, apesar da transição energética ser uma realidade no Brasil há décadas (hidráulica, etanol, biodiesel, eólica etc)

escreveu em artigo publicado em fevereiro deste ano.

Ela disse à época não parecer razoável que uma das 10 maiores economias do mundo, detentora do 7º maior mercado consumidor de combustíveis líquidos do planeta, tenha tal vulnerabilidade ao mercado externo e arque com custos de margens de refino.

“Ante esses números, é difícil acreditar que não seja economicamente viável aumentar a produção de diesel do país”, questionou no mesmo artigo.

Gás natural

Em outros de seus artigos no Brasi Energia, Chambriard questiona o preço do gás brasileiro para o consumidor final, embora produza gás suficiente para todo o consumo nacional desde 2015.

Trata-se de um cenário que ressalta a necessidade de expansão de infraestrutura e de suporte estatal para que esse gás possa realmente se transformar em negócio

escreveu Chambriard em um artigo

Pré-sal

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Procurada pelo Estadão/Broadcast para falar em uma reportagem que abordou os 15 anos do pré-sal, Magda lembrou que “a ficha” sobre a potência do pré-sal “caiu aos poucos”. Ela era superintendente de exploração da agência quando, pouco mais de um ano depois da descoberta, o geólogo Mario Carminatti chegou ao seu gabinete para submeter um plano de avaliação para Tupi.

Ela defendeu os investimentos feitos pela Petrobras no pré-sal. “Empresas privadas migram de mercado quando encontram dificuldades, o que é normal. Só uma estatal é capaz de tomar determinados riscos e insistir no País de origem, como está acontecendo no caso da margem”, disse.

Tupi já está em declínio há pelo menos 2 ou 3 anos. Ao final do desenvolvimento de Búzios, creio que esse pico já será ameaçado. E qual será a alternativa da Petrobras e do Brasil sem um novo play?

em entrevista ao Blog do Desenvolvimento

Meio Ambiente e Mudanças do Clima

Chambriard já criticou a atuação do Ministério do Meio Ambiente e Mudanças do Clima, atualmente dirigido por Marina Silva. Em artigo publicado em junho de 2023 com o título “Bacia da Foz, licenciamento ou risco Brasil”, por ocasião da negativa do Ibama ao pedido de licenciamento na bacia da Foz do Amazonas, ela ressaltou a importância do debate ambiental, porém, questionou a atuação do ministério e chegou a escrever que Lula deveria intervir.

É certo que não se pode ser inconsequente e licenciar a qualquer custo. Mas também é certo que se precisa estar mais preparado para enfrentar o desafio do licenciamento tempestivo, sob pena de condenar o Brasil à estagnação. O MMA não pode usurpar o poder de concessão da Presidência da República. Mas atualmente até projetos de licenciamento da já madura Bacia de Campos são penalizados por longos processos de licenciamento

escreveu Chambriard em artigo publicado em junho de 2023

“É nesse contexto que se advoga a intervenção do Presidente da República. É ele que tem mandato para estabelecer as prioridades nacionais, em nome do povo, já que essas outorgas têm o aval do CNPE [Conselho Nacional de Política Energética] e da Presidência. É ele quem precisa decidir sobre os impactos e consequências de se optar pela certeza absoluta (isso existe?) em relação ao licenciamento ambiental ou pelo fortalecimento da Petrobras e seu papel no desenvolvimento econômico do país”.

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Esse posicionamento já foi demonstrado quando ela abordou a possibilidade de novas áreas de exploração tidas como de sensibilidade ambiental, como as bacias de Camamu-Almada, Jequitinhonha e Jacuípe.

“Então, pouco a pouco, vai sendo inviabilizada a exploração de petróleo e gás no país”.

Imposto Seletivo

Magda questionou recentemente o Imposto Seletivo, instituído pela emenda constitucional 132/2023, que pretende desestimular o consumo de bens prejudiciais à saúde e ao meio ambiente, e que ganhou o apelido de “imposto do pecado”.

O texto do Planalto indica que a “produção, extração, comercialização ou importação de bens e serviços prejudiciais à saúde ou ao meio ambiente, nos termos de lei complementar”, estará sujeita à alíquota máxima corresponderá a 1% (um por cento) do valor de mercado do produto. Para a engenheira indicada por Lula, isso é prejudicial à competitividade brasileira.

A redação dada pelos legisladores [do Imposto Seletivo} aparentemente pretende desestimular o consumo da maior fonte de energia primária do mundo (e obviamente do Brasil), o petróleo e seus derivados. Nas discussões havidas, chega-se a cogitar onerar tanto o petróleo cru como cada um de seus derivados, o que resultaria em cumulatividade tributária e em um sério prejuízo para a competitividade brasileira

escreveu a engenheira Magda Chambriard, em artigo de junho de 2023

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