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PP descartou Margarete na presidência da Caixa para não perder diretoria do Sebrae

Atual presidente do banco, Rita Serrano deve ser demitida por Lula em negociação de cargos com o Centrão

Foto do author Iander Porcella
Foto do author Giordanna Neves
Foto do author Matheus Piovesana
Por Iander Porcella (Broadcast), Giordanna Neves (Broadcast) e Matheus Piovesana (Broadcast)

BRASÍLIA E SÃO PAULO - O PP descartou a indicação da ex-deputada federal Margarete Coelho para a presidência da Caixa Econômica Federal para não perder a diretoria financeira do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), posto que ela ocupa hoje, apurou o Estadão/Broadcast.

Desde julho, quando o governo Lula intensificou a negociação de cargos com o Centrão, Margarete era a mais cotada para assumir o posto no lugar de Rita Serrano, que deve ser demitida. Ex-vice-governadora do Piauí, Margarete é aliada do presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL).

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De acordo com fontes ouvidas pela reportagem, a ex-deputada queria assumir a presidência do banco público, e a indicação era bem vista pelo Palácio do Planalto, mas o partido recuou. No início do ano, uma ala do PT chegou a fazer uma ofensiva para tirar Margarete do Sebrae. Depois de vencer a disputa, o PP não quer, agora, abrir mão do posto.

Para justificar a mudança na escolha de Margarete para a presidência da Caixa, que era dada como certa até poucos dias atrás, integrantes do PP citam também a falta de experiência de Margarete no setor bancário.

Sede da Caixa Econômica Federal; banco estatal é presidido por Rita Serrano no momento Foto: WILTON JUNIOR / ESTADÃO

Parlamentares do partido voltaram a citar o ex-ministro Gilberto Occhi como candidato à presidência do banco público, cargo que chegou a ocupar no governo Michel Temer. Ele também foi ministro no governo Dilma Rousseff (PT). De acordo com essas fontes, Occhi seria um nome mais “neutro politicamente”. Margarete, por exemplo, rodou o País ano passado em campanha pela reeleição do ex-presidente Jair Bolsonaro na companhia da ex-primeira-dama Michelle.

Além de Occhi, nos últimos dias também circulou para a presidência da Caixa o nome da ex-vice-presidente de Gestão Corporativa do banco Danielle Calazans, que atualmente é secretária de Planejamento do Rio Grande do Sul. Ela foi funcionária da Caixa entre os anos 2000 e 2010, e migrou para o Ministério da Fazenda durante o governo Dilma Rousseff (PT).

Um dos principais impasses para o anúncio da troca de comando na Caixa, segundo fontes que acompanham as negociações, é a vice-presidência de Habitação do banco. O cargo é ocupado hoje por Inês Magalhães, apoiada pelo PT, que não abre mão da indicação. O União Brasil, contudo, tem interesse no posto. A ideia do Centrão é que as vice-presidências da Caixa sejam distribuídas entre PP, União e Republicanos.

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A vice-presidência é vista como estratégica do ponto de vista político e financeiro. Habitação é o principal negócio da Caixa, e é por essa área que passam as iniciativas do banco em programas como o Minha Casa Minha Vida, do governo federal, que tem forte impacto econômico e político.

Na semana passada, o Palácio do Planalto concluiu a minirreforma ministerial negociada com o Centrão. O deputado André Fufuca (PP-MA) ficou com o Ministério do Esporte e o deputado Silvio Costa Filho (Republicanos) levou a pasta de Portos e Aeroportos. A mudança na presidência da Caixa, que também faz parte da negociação entre o governo e esses partidos, ficou para depois.

Rita Serrano, que deve deixar a presidência do banco, tem forte ligação com o movimento sindical e foi representante dos empregados no conselho de administração da Caixa. Após assumir o comando da instituição financeira, ela manteve vários vice-presidentes da gestão anterior, do governo Bolsonaro, o que gerou reclamações no governo. Além disso, ela gerou mal-estar ao anunciar a cobrança de tarifa sobre transferências no Pix feitas por pessoas jurídicas, medida que acabou suspensa por determinação de Lula.

Também pesa contra Serrano, de acordo com fontes, a pouca sensibilidade a demandas de parlamentares, inclusive da base aliada do governo. Nas últimas semanas, a executiva tem afirmado internamente que continuará no cargo, e qualificou como “assédio moral” as informações sobre sua substituição.

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