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Recessão britânica se aprofunda com temores sobre zona do euro

Por FIONA SHAIKH E OLESYA DMITRACOVA
Atualização:

A recessão da Grã-Bretanha se aprofundou ainda mais do que inicialmente esperado no primeiro trimestre de 2012 devido a um recuo na produção do setor de construção, elevando a probabilidade de que o Banco da Inglaterra (banco central) decida injetar mais estímulo para proteger a economia da crise da dívida da zona do euro. A Grã-Bretanha enfrenta sua segunda recessão desde a crise financeira de 2007-2008, e as perspectivas de uma recuperação são sombrias uma vez que líderes da zona do euro, maior parceiro comercial da Grã-Bretanha, ainda estão longe de resolver seus problemas com a dívida. O Comitê de Política Monetária do BC tem indicado que está pronto para injetar mais dinheiro na economia, depois de dar uma pausa em seu programa de "quantitative easing" (compra de ativos) de 325 bilhões de libras neste mês, em meio a preocupações crescentes sobre uma quebra da união monetária. "A economia não está se recuperando apropriadamente e com a incerteza sobre a Europa pairando no cenário, nossa suspeita é de que o Comitê irá sancionar mais 'quantitative easing' em algum momento deste ano", disse o economista do Investec Philip Shaw. O Escritório Nacional de Estatísticas informou que a economia encolheu 0,3 por cento no primeiro trimestre deste ano, mais do que a estimativa inicial de declínio de 0,2 por cento, e abaixo das expectativas dos analistas, que esperavam uma leitura inalterada. Na base anual, a economia contraiu 0,1 por cento, o primeiro declínio anual desde o quarto trimestre de 2009. Os números mostrarão uma leitura desconfortável para o primeiro-ministro britânico, George Osborne, que prometeu continuar pressionando com medidas pesadas de austeridade para diminuir a dívida da região e argumentou que o setor privado pode preencher a lacuna dos gastos públicos. A economia da Grã-Bretanha expandiu apenas 0,3 por cento desde que o governo Conservador/Liberal chegou ao poder em 2010, e os números desta quinta-feira mostraram que os gastos do governo fizeram a maior contribuição à economia.

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