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Diversidade e inclusão aquecem mercado de vagas; desta vez, para líderes

Só em 2021, foram publicadas mais de 40 vagas para profissionais de diversidade e inclusão, segundo startup de recrutamento; empresas como Netflix, Twitter e Boticário buscam especialistas

Por Marina Dayrell
Atualização:

Se você acompanha páginas de empresas nas redes sociais ou perambula com frequência pela aba de vagas em plataformas como o LinkedIn, é provável que tenha percebido que a área de diversidade e inclusão no mundo corporativo está movimentada. Por um lado, tem-se falado bastante sobre a importância de incluir diversidade no quadro de colaboradores - e muitas empresas criaram bancos de talentos para isso. Por outro, é preciso ter nas organizações profissionais que vão lidar diretamente com essas questões.

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Uma pesquisa inédita realizada pela Associação Brasileira de Comunicação Empresarial (Aberje) aponta que o assunto será um dos mais debatidos pelas empresas em 2021. Das 204 respondentes, 58% disseram já se comunicar sobre questões sociais. Das que ainda não o fazem, 32% afirmaram que é provável ou muito provável que comecem a fazê-lo ainda neste ano.

De acordo com dados da startup de recrutamento Gupy - levantados para o Estadão - o crescimento no volume de vagas na área de diversidade e inclusão ocorreu a partir de maio de 2020 - mês em que a morte do americano George Floyd ecoou em todo o mundo. As buscas por vagas nessa área aumentaram dez vezes durante o ano. Só nos três primeiros meses de 2021, já foram publicadas mais de 40 vagas para profissionais de D&I.

Amanda Ferreira é gerente de Diversidade e Inclusão na Via Varejo e, este mês, foi nomeada embaixadora do tema na empresa. Foto: Felipe Rau/Estadão

“É importante levar em conta que, por ser uma área que muitas empresas não tinham até pouco tempo atrás, a maioria desses profissionais são contratados para começar a área de diversidade e inclusão ou compor um time de diversidade, então pode-se dizer que esse número também representa aproximadamente 40 empresas começando as suas áreas de diversidade em 2021”, explica o cofundador da Gupy Guilherme Dias. 

Novas contratações

Gigantes como Netflix e Twitter têm vagas abertas no LinkedIn para cargos de gerência em D&I. Outras empresas, como o Grupo Boticário, a Cielo e a Schneider Electric, estão procurando analistas e especialistas na área. 

No Twitter, o setor existe globalmente desde 2015, mas a pandemia trouxe a necessidade de ter um profissional com olhar regionalizado sobre o tema. A vaga em aberto é de gerente de D&I para América Latina, que irá trabalhar com todos os executivos líderes do escritório.

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“Essa crise sem precedentes trouxe e ainda tem trazido consequências diferentes em cada lugar do mundo. Para abordar as discussões com recortes específicos, percebemos que resultados mais assertivos e positivos seriam atingidos com um profissional focado em cada região - além da busca por uma pessoa no Brasil, também temos posições abertas na Europa e na Ásia. Isso tudo para capturar os recortes regionalizados e entender mais profundamente as necessidades de Inclusão e Diversidade de cada região”, explica a diretora de Career Experience do Twitter para América Latina e Canadá, Francine Graci, responsável por manter a cultura organizacional da empresa. 

No Grupo Boticário - responsável por marcas como O Boticário, Eudora e Quem disse, Berenice? - o tema começou a ser tratado internamente em 2015, com foco na equidade de gênero. Hoje, a área emprega sete profissionais, que levam a perspectiva de D&I para os outros setores da empresa, como recrutamento e concepção de produtos e rótulos.

“A nossa área responde ao Diretor de Assuntos Institucionais, que fica dentro da Vice Presidência de Pessoas e não da Diretoria de RH. Entendemos que diversidade extrapola pessoas e é um assunto institucional”, conta Renato Amendola, gerente de diversidade, inclusão e equidade do grupo. 

Milena Buosi gerencia a área de Diversidade e Inclusão na Natura &Co, que, hoje, conta com quatro profissionais. Foto: Natura &Co

“Trabalhamos com quatro pilares: pessoas (desde employer branding até desligamento), a garantia que os produtos estejam conectados com a realidade da população, a comunicação que represente e valorize, e o estímulo ao empreendedorismo de grupos minorizados”.

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Estruturação da área

Entre os especialistas de diversidade e inclusão, há um consenso de que a preocupação do mercado corporativo brasileiro com o tema é influenciada pela atuação das multinacionais e das grandes empresas, muito mais avançadas nessas questões. Vanguarda no País, a Natura &Co tem uma área dedicada à D&I desde 2015 e, hoje, conta com quatro profissionais. 

“A equipe tem o papel de definir o plano estratégico de diversidade e inclusão e direcionar um programa para ter equipes mais diversas, processos mais inclusivos e ambientes de trabalho favoráveis à inovação. Nosso papel está mais em articular e impulsionar a agenda do que em executar processos de RH, por exemplo”, explica a gerente de diversidade e inclusão da Natura &Co na América Latina, Milena Buosi.

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Outra gigante brasileira com políticas de D&I já consolidadas é a Via Varejo, que desde 2017 trabalha o assunto e, neste mês, anunciou a gerente de Diversidade e Inclusão, Amanda Ferreira, como embaixadora do tema na empresa.

“Eu vi, no começo, a D&I sendo apenas mais uma pauta dentro de muitas outras e, depois, ganhar um espaço maior, que dentro de uma companhia do tamanho da nossa - com 47 mil funcionários - é necessário ir ganhando uma estrutura”, conta.

Hoje, Amanda trabalha com uma mais uma profissional nas estratégias de D&I da empresa. “A gente é ombudsman, trabalhamos olhando para fora, para tudo que está acontecendo, os problemas reais da sociedade. Para então olhamos para dentro, para o nosso cenário, e vamos levando as provocações e mostrando as oportunidades para as áreas, como tecnologia, marketing, pessoas e performances.”

Impulsionadas pela atuação das companhias de vanguarda, pelos desdobramentos da pandemia do coronavírus e pelas discussões em torno de grupos minorizados - principalmente o tema da equidade racial -, até as startups passaram a olhar diferente para o setor de D&I. 

Desde 2016, a Escale - especializada na jornada do consumidor - promove treinamentos e discussões sobre diversidade e inclusão. Já no fim do ano passado, a empresa de 700 funcionários criou oficialmente a área, composta por três profissionais que já atuavam com recrutamento e cultura na companhia.

No Grupo Boticário, hásete profissionais dedicados ao tema da diversidade e inclusão, chefiados pelo gerente de diversidade, inclusão e equidade, Renato Amendola. Foto: Guilherme Pupo

“Hoje, conseguimos negociar orçamento e ações mais estruturadas. A nossa atuação se divide entre buscar parcerias com coletivos, consultorias e grupos especializados em recrutamento de diversidade, tornar o ambiente ainda mais seguro e organizar o papel dos comitês. Temos uma relação muito próxima com o time de recrutamento para entender a previsão de vagas e as oportunidades”, conta o responsável pela área de D&I na empresa, Robert Sena. 

No entanto, apesar de dados mundiais e já referendados comprovarem que a diversidade interfere até mesmo no faturamento das empresas, o mundo corporativo brasileiro ainda é bastante desigual. Em uma enquete no LinkedIn, a reportagem perguntou se existe um departamento ou líder focado em D&I na empresa em que os seguidores trabalham. 

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Dos mais de 470 respondentes, 73% disseram que não, 20% afirmaram que existe há mais de dois anos, 4% respondeu que a política foi criada durante a pandemia e os outros 3% fazem parte desses times.

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