Publicidade

Taxa de desemprego sobe para 11,3% no 2º trimestre, maior nível desde 2012

País já soma 11,6 milhões de desempregados, o que representa um avanço de 38,7% no segundo trimestre do ano ante o mesmo período de 2015

Por Daniela Amorim (Broadcast)
Atualização:

RIO - A taxa de desocupação no Brasil subiu para 11,3% no segundo trimestre, de acordo com dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua) divulgados nesta sexta-feira, 29, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Este é o maior patamar de desemprego já registrado pela Pnad Contínua desde o início da série, em 2012.

PUBLICIDADE

No segundo trimestre de 2015, a taxa de desocupação era de 8,3%. No trimestre encerrado em maio, o resultado foi de 11,2%. Já no consolidado do primeiro trimestre deste ano, a taxa havia alcançado 10,9%.

O resultado ficou alinhado com a previsão dos analistas ouvidos pelo Projeções Broadcast, que estimavam uma taxa de desemprego entre 11,20% e 11,90%, com mediana de exatos 11,30%. Em igual período do ano passado, a taxa de desemprego medida pela Pnad Contínua estava em 8,3%. No primeiro trimestre deste ano, a taxa havia ficado em 10,9%, no maior patamar da história até então.

Resultado é o maior patamar registrado na pesquisa desde o início da série, em 2012 Foto: BOBBY FABISAK/JC IMAGEM

O País já tem 11,586 milhões de desempregados. O montante representa um avanço de 38,7% no segundo trimestre do ano ante o mesmo período de 2015, o equivalente a 3,231 milhões de pessoas a mais em busca de uma vaga.

Ao mesmo tempo, 1,413 milhão de postos de trabalho foram fechados, uma redução de 1,5% na população ocupada no mesmo período. Ainda no segundo trimestre, a população inativa cresceu 0,5%, com 344 mil pessoas a mais nessa condição, fora do mercado de trabalho.

Somente a indústria demitiu 1,440 milhão de trabalhadores no último ano. O montante representa uma redução de 11% no contingente de trabalhadores da atividade no segundo trimestre, ante o mesmo período do ano passado.

"A gente vê que a indústria, sem dúvida, é o grupamento que mais percebe essa crise", afirma Cimar Azeredo, coordenador de Trabalho e Rendimento do IBGE.

Publicidade

O coordenador do IBGE explica que o grupamento Informação, comunicação e atividades financeiras, imobiliárias, profissionais e administrativas foi atingido também pela crise na indústria. O grupamento demitiu 1,079 milhão de pessoas em um ano, redução de 10% no total de ocupados em relação ao segundo trimestre de 2015.

"Esse grupamento carrega dentro dele os terceirizados, que são atingidos pela queda na indústria", justificou o coordenador do IBGE.

Renda. A renda média real do trabalhador foi de R$ 1.972 no segundo trimestre de 2016. O resultado representa queda de 4,2% em relação ao mesmo período do ano anterior e é o menor nível desde o trimestre encerrado em janeiro de 2013, quando era de R$ 1.969.

Diante de uma renda do trabalho em queda e uma população ocupada menor, a massa de renda real da população ocupada caiu ao menor patamar desde o trimestre encerrado em abril de 2013, quando era de R$ 173,274 bilhões. No segundo trimestre deste ano, a massa de renda ficou em R$ 174,647 bilhões, queda de 4,9% em relação a um ano antes.

PUBLICIDADE

"Demos uma marcha ré de pelo menos três anos", avaliou Azeredo. "A massa de rendimento menor vai inibir consumo, gastos. Ela vai se refletir no comércio, na indústria, e vai criar esse ciclo vicioso que a gente vê hoje no mercado de trabalho", acrescentou

Desde janeiro de 2014, o IBGE passou a divulgar a taxa de desocupação em bases trimestrais para todo o território nacional. A nova pesquisa substitui a Pesquisa Mensal de Emprego (PME), que abrangia apenas as seis principais regiões metropolitanas, e também a Pnad anual, que produz informações referentes somente ao mês de setembro de cada ano.

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.