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Rede Nacional de Pesquisa fica sem verba e pode sair do ar em 1,2 mil câmpus

Os R$ 126 milhões previstos para a manutenção da internet de universidades do País não foram liberados pelos ministérios da Educação e da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações; 4 milhões de alunos e docentes podem ser prejudicados

Por Isabela Palhares
Atualização:

Sem receber os recursos previstos para este ano, a Rede Nacional de Ensino e Pesquisa (RNP), que fornece internet de alta velocidade para 739 instituições de ensino e centros de pesquisa no Brasil, pode ter suas atividades interrompidas em setembro. Normalmente pago em maio, o orçamento previsto para a rede é de R$ 126 milhões – verba destinada pelos ministérios da Educação (MEC) e da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTI).

Nelson Simões, diretor-geral da RNP, disse que a verba prevista pelos ministérios já era insuficiente, uma vez que o custo para a manutenção das atividades do órgão é de cerca de R$ 250 milhões. “Com a redução do orçamento, nós já havíamos paralisado a expansão da rede. Mas, agora, chegamos a uma situação em que precisamos de recursos para evitar uma paralisação dos serviços nas instituições.” 

Pesquisa. Instalado em Campinas, Laboratório de Luz Síncroton, da área da Física, tem uma das maiores demandas Foto: Marcio Fernandes/AE

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A RNP continuou operando normalmente nos últimos sete meses com saldos e recursos provenientes de restos de pagamentos de contratos de 2015, segundo explicou Simões. A rede é ligada ao MCTI e, em 2015, já ficou sem receber R$ 48 milhões previstos em orçamento.

A internet de alta velocidade fornecida pela rede é de 1 gigabyte por segundo (Gbps) – 10 vezes a velocidade máxima possível no 4G da internet comercial – e é usada por mais de 4 milhões de alunos, professores e pesquisadores de 1,2 mil câmpus universitários, entre eles os da USP e da Unicamp. 

Para algumas instituições a velocidade é ainda maior, chegando a 40 Gbps para o Laboratório Nacional de Luz Síncrotron (LNLS), em Campinas, que opera a única fonte de luz Síncrotron da América Latina. “Essas velocidades não são possíveis na internet comercial e são necessárias para essas instituições por causa das aplicações científicas”, disse Simões. 

É também por meio da rede que os alunos conseguem ter aulas por videoconferência. Uma das áreas que mais usam essa infraestrutura é o ensino e pesquisa em saúde, por meio da Rede Universitária de Telemedicina (Rute). “São mais de cem hospitais de ensino conectados que utilizam a rede para transmitir aulas e procedimentos médicos. É mais fácil e garante uma qualidade de visualização para os alunos melhor do que no próprio centro cirúrgico.” 

A Universidade Estadual do Amazonas (UEA) usa a RNP para ensino e pesquisa, sobretudo na medicina. Apesar de contar com um sistema alternativo de conexão, ela seria afetada com a interrupção da rede. “A gente tem um intercâmbio muito forte e diário com instituições de todo o país e, sem a conexão, perderíamos essa troca. É ela que mantém a qualidade da formação dos nossos alunos, a especialização de professores e a parceria em pesquisas”, disse Cleinaldo Costa, reitor da UEA. 

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Ele explicou que o fim da conexão poderia prejudicar pesquisas como a que está sendo feita em parceria com a USP e Harvard, nos Estados Unidos, que faz uma avaliação do atendimento cirúrgico no Amazonas.

Gradual. Segundo Simões, sem a liberação de recursos nos próximos dois meses, a rede terá de cortar gradualmente as conexões de internet, a começar por locais em que o custo é maior: nas instituições no interior do País. “Temos 200 localidades em que ainda precisamos fazer a conexão de alta velocidade, mas tivemos de adiar.” 

A preocupação do órgão é de que em 2017 o orçamento seja menor do que o valor previsto para a sua manutenção. “Fizemos um grande esforço em montar uma das redes mais modernas do mundo no Brasil. Existimos há mais de 20 anos e nossa preocupação é que a qualidade do serviço seja mantida.”

Ministérios dizem que farão repasses, mas não dão prazo

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Os ministérios da Educação (MEC) e da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTI) informaram que os repasses devem ser feitos em “data a ser definida brevemente”, sem informar prazo.

O MCTI disse que está “empenhado” em ampliar o orçamento da Rede Nacional de Ensino e Pesquisa. O ministério aprovou repasse de R$ 36,6 milhões para a Rede, 55,2% menor do que no ano anterior, quando repassou R$ 81,6 milhões. “Os repasses financeiros a serem efetuados ainda em 2016 permitirão a continuidade dos projetos. Logo, não haverá prejuízos para as universidades e instituições atendidas pela rede.”

O MEC informou que sua parte dos recursos está em “trâmite natural de liberação”.

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