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Beleza para homens, sem complicação

Opinião|Slow travel, vinho e bem-estar no Alentejo

Conheça Borba, uma vila alentejana que começou a se abrir para o mundo, não só por meio da produção do vinho, mas também para o turismo e bem-estar

Atualização:
Borba é uma das mais interessantes regiões vitivinícolas de Portugal ( Foto: Unsplash)

E aí, beleza?

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Hoje viajamos até Borba, uma das mais interessantes regiões vitivinícolas de Portugal. Borba é um dos concelhos do Distrito de Évora, situado em pleno interior alentejano, no chamado coração da zona dos mármores, próximo da fronteira com Espanha, fazendo divisa também com os distritos de Portalegre, Vila Viçosa, Redondo e Estremoz.

Borba compreende um conjunto de atividades econômicas bastante diversificadas e ímpares na região e no Alentejo, como os mármores, os vinhos, azeite, queijos e enchidos. Fruto das adversidades econômicas vividas ao longo de décadas, a gastronomia foi sendo enriquecida com o recurso ao que a terra dava ao homem, sendo hoje muito apreciada pelos seus aromas e paladares, rica em variedade e bem condimentada com o recurso a inúmeras ervas alimentares e aromáticas, cujas receitas foram aprimoradas de geração em geração.

Borba compreende um conjunto de atividades econômicas bastante diversificadas e ímpares na região e no Alentejo ( Foto: Divulgação/CM Borba)

Segundo a Vereadora Sofia Dias (Esporte; Educação e Juventude; Turismo, Património, Cultura e Ciência; Transportes e Comunicações), Borba está muito aberta para o mundo. "Evidencia-se ainda pelo vasto e rico património histórico que convidam à descoberta e ao reencontro com a história, apelando a uma visita mais atenta e demorada. Aqui o tempo passa mais devagar estamos prontos para receber e acolher a todos que nos visitam".

A cidade esteve em evidência, mais recentemente, por receber a polêmica gala que elegeu a última Miss Portugal Universo, que irá representar o país no Miss Universo. Naquela ocasião, Marina Machete tornou-se a a primeira mulher trans eleita Miss Portugal. A sustentabilidade é um dos principais pilares no que tange aos vinhos, desde o cultivo das uvas até o processo de vinificação e a atitude consciente dos produtores de vinho é um exemplo de como a indústria tem conseguido prosperar harmoniosamente com a natureza.

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Listamos abaixo alguns dos pontos altos na visita à região, a pouco mais de uma hora e meia de carro de Lisboa:

A Adega Cooperativa de Borba foi a primeira de uma série de adegas constituídas no Alentejo ( Foto: Divulgação)

Adega de Borba

A Adega Cooperativa de Borba foi a primeira de uma série de adegas constituídas no Alentejo, com o incentivo da então Junta Nacional do Vinho, numa altura em que o setor não tinha o protagonismo que hoje tem na economia regional. O ano remonta a 1955, numa época em que o pulsar da região se fazia mais noutras direções que não a produção de vinho - todos os incentivos da época estavam virados para a cultura dos cereais, e fazer do Alentejo o celeiro do país era uma política mais que consolidada para a época.

Desde então, Borba começou a se abrir para o mundo, não só por meio da produção do vinho, mas também para o turismo. Após três décadas de resistência, em que só o grande valor das castas regionais e a excelência das condições naturais permitiram que a produção de vinho no Alentejo se mantivesse, chegou-se finalmente aos anos 80, em que todo o potencial da região para a produção de vinho pôde ser avaliado e confirmado pelo consumidor. Beneficiou a região do fato da produção estar associada a adegas de grandes dimensões, e desta forma, mais rapidamente se equipou em termos tecnológicos que outras regiões do país, dando o salto para os vinhos engarrafados de qualidade, numa altura em que o consumidor passou a ser mais exigente e a privilegiar mais a qualidade do que a quantidade.

É verdade que a constituição da região demarcada do Alentejo e a constituição de estruturas técnicas associativas, que rapidamente divulgaram novas tecnologias junto do viticultor, foram essenciais em todo o processo. A euforia que os vinhos do Alentejo têm vivido nestes últimos anos resulta, pois, de um longo trabalho, quer na vinha, com a seleção das melhores castas e dos melhores solos para a sua produção, quer na adega, com o aperfeiçoamento de técnicas e automatização do maquinário. Hoje, a Adega de Borba reúne cerca de 270 viticultores associados, que cultivam 2.200 hectares de vinha, distribuídos por 70% castas tintas e 30% de castas brancas.

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Talhas da adega SOVIBOR, que entre outras referências aclamadas, produz a Mamoré, única aguardente do país feita com vinho da talha ( Foto: Divulgação)

SOVIBOR (Sociedade dos Vinhos de Borba)

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A empresa histórica fundada em 1968 está mais dinâmica do que nunca e em plena atividade, fazendo a diferença no mercado vitivinícola. Com a entrada recente de uma nova administração liderada por Fernando Tavares, está agora focada na qualidade e reposicionamento de todos os vinhos, num patamar superior de qualidade e de preço. Em pleno centro de Borba, a SOVIBOR beneficia de instalações únicas, onde mais de dois séculos de história se fundem com novos padrões de qualidade, novos vinhos e marcas, imagens renovadas e uma nova estratégia, aliando tradição, qualidade e modernidade.

A SOVIBOR controla e acompanha a produção de uvas em mais de 170 hectares de vinha em Borba, com importantes percentagens de "vinha velha", o que contribui, assim, para a superior qualidade das uvas, assegurando a produção de vinhos de qualidade superior, particularmente Vinhos DOC Borba. Produz ainda, entre outras referências aclamadas, a Mamoré, única aguardente do país feita com vinho da talha.

O 'torricado da Azambuja' é uma espécie de torrada gigante feita com pão embebido em azeite, esfregado com alho e salpicado com sal ( Foto: Wikipedia)

Outros sabores regionais

Outros produtos genuínos e com identidade alentejana, o 'torricado da Azambuja' é uma espécie de torrada gigante feita com pão embebido em azeite, esfregado com alho e salpicado com sal, e que tradicionalmente se come com lascas de bacalhau. No campo da doceria tradicional, os doces conventuais palacianos de Alcáçovas levam muitas gemas de ovo e açúcar, claro, e é um clássico da região a não perder!

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Fácil é chegar. Difícil é partir, pelo bem que se é recebido e pela afetividade encontrada nas pessoas e nos produtos da região, bem como a certeza de que há sempre algo mais importante para descobrir em Borba.

Onde ficar

Herdade do Penedo Gordo

Onde comer

Restaurante O Espiga Restaurante Dom Vinho

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Opinião por Glauco Junqueira
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