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Desculpas de Phelps acalmam investidores

Entidades esportivas e empresas dão apoio ao atleta arrependido

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Por Livio Oricchio
Atualização:

Ter de explicar à população do planeta que a fantástica história de recordes escrita por Michael Phelps, em Pequim, não valeu seria o maior fiasco de todos os tempos para o Comitê Olímpico Internacional (COI). Felizmente para os responsáveis pelos Jogos Olímpicos a Agência Mundial Antidoping (Wada) não classifica como doping um atleta fumar maconha fora do período de competição. Por esse motivo, ontem, o próprio COI, patrocinadores do recordista de medalhas e dirigentes ligados à natação, apesar de recriminarem o comportamento de Phelps, não deixaram de expressar seu apoio a um dos maiores fenômenos do esporte. A fotografia do americano consumindo maconha numa festa estudantil, em Columbia, na Carolina do Sul, em novembro, publicada pelo jornal sensacionalista inglês News of the World, ainda repercutiu muito, ontem, no mundo todo. Mas os temores iniciais, de que Phelps poderia sofrer algum tipo de punição, eram mesmo infundados. Emmanuelle Moreau, porta-voz do COI, comentou: "Michael Phelps é um grande campeão. Ele pediu desculpas por seu comportamento inapropriado. Não temos razão para duvidar de sua sinceridade e de que continuará sendo o atleta exemplar de sempre." Dois dos maiores patrocinadores de Phelps, a Speedo, produtora de material para natação, e o fabricante de relógios Omega, distribuíram comunicado com sua visão do fato. Ambos teriam elementos jurídicos para rescindir os contratos se desejassem, mas o arrependimento público do nadador parece ter sensibilizado não só seus fãs. "Michael Phelps é um valioso membro do time da Speedo e um grande campeão. Faremos tudo que estiver a nosso alcance para apoiá-lo, bem como a sua família", traz a nota. A Omega definiu como "questão da sua vida privada e que nada tem a ver com a carreira". Associar-se à impressionante competência do homem de oito medalhas de ouro na China é algo que toda empresa desejaria. Por isso, o deslize de Phelps em consumir a controversa droga numa época em que não afetará sua performance acabou sendo considerado, mesmo pelos conservadores, "um pecado venial e não mortal". O treinador do atleta americano, Bob Bowman, procurou projetar o futuro de Phelps. "Tenho certeza de que ele aprenderá com essa experiência. Estou feliz por tê-lo de volta aos treinamentos." Phelps voltará a competir no Campeonato Mundial de Natação, em Roma, provavelmente em julho. O Comitê Olímpico Norte-Americano (USOC) também vestiu a sua saia-justa com o episódio. Há uma semana, apenas, elegeu Phelps como o "Atleta do Ano" e a conceituada revista Sports Illustrated lhe deu o título de "Homem do Esporte do Ano". O USOC e a Confederação de Natação dos Estados Unidos também se expressaram por comunicado de teor semelhante: "Estamos confiantes que daqui para a frente Michael seja de forma regular o exemplo que todos esperam de um campeão olímpico".

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