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Equipes investem para decifrar os segredos do escapamento

Com restrições na evolução dos motores e poucas opções de pneus, categoria vê campo para aumentar a velocidade

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NICE- Neste instante, não importa a hora e o dia, grupos de engenheiros, de parte das equipes, realizam pesquisas no túnel de vento para estudar como melhorar a resposta aerodinâmica dos seus carros utilizando os gases do escapamento. No ano passado, a corrida desesperada de todos foi por copiar o recurso descoberto pela McLaren, definido como duto aerodinâmico, que, com a ajuda do piloto, garantia maior velocidade nas retas. Agora, a febre dos técnicos é compreender, mais do que nunca, o melhor posicionamento dos canos de escape, solução que pode ser decisiva para conquistar as vitórias. As tendências são duas: a da Red Bull, já literalmente copiada por Ferrari e McLaren, caracteriza-se por escoar os gases para baixo do assoalho do carro em dois orifícios localizados pouco antes das rodas traseiras. A outra solução é a da Renault, mais radical, que posicionou o cano de escape à frente das laterais do carro, para baixo do assoalho.A sensação da temporada é algo que já se faz na Fórmula 1 desde 1983: usar a velocidade dos gases do escapamento do motor para elevar a velocidade de escoamento do ar sob o assoalho e, com isso, gerar maior pressão aerodinâmica sobre o carro. "A diferença é que hoje não há concorrência entre fabricantes de pneus, existe apenas a Pirelli, e o desenvolvimento dos motores está congelado pelo regulamento", explica Ross Brawn, diretor técnico da Mercedes. Para Brawn, restou quase apenas a aerodinâmica para um projeto poder ser mais eficiente."É a área onde a Red Bull está na frente de todos", comenta Lewis Hamilton, da McLaren. E seu surpreendente desempenho na etapa de abertura do Mundial - segundo colocado, nem tão distante do vencedor, Sebastian Vettel, da Red Bull - deve-se, fundamentalmente, ao fato de a McLaren copiar a solução criada por Adrian Newey, diretor técnico da Red Bull, para os escapamentos. Martin Whitmarsh, diretor da McLaren, reconheceu na Austrália: "Dez dias antes de virmos para cá não tínhamos experimentado, ainda, os canos de escape onde estão hoje". A McLaren havia realizado péssima pré-temporada.Newey reclamou publicamente da cópia: "A McLaren só andou o que vimos na Austrália porque adotou a nossa solução de escapamento." No último teste de Barcelona, antes do embarque para Melbourne, a Ferrari já havia feito o mesmo.Meio termo. A Mercedes ficou entre as soluções da Red Bull e da Renault: para baixo também, mas entre as laterais e o posicionamento mais para a traseira desenvolvido pela Red Bull. Nico Rosberg, piloto do time alemão, garantiu que sua equipe é capaz de fazer melhor do que o fraco desempenho na Austrália. E a grande a diferença no carro no último teste foi o reposicionamento dos canos de escape."É uma área relativamente nova e de imenso potencial para ser explorada", reconheceu Brawn, ao Estado, no Circuito Albert Park, em Melbourne. Por esse motivo, as pesquisas não param. O reposicionamento dos canos de escape exige soluções complementares e particulares para cada projeto. "Teremos novidades já para o GP da Malásia (dia 10)", afirmaram Hamilton, Felipe Massa, da Ferrari, e Michael Schumacher, da Mercedes, para se compreender bem como a maior parte dos estudos se concentra, no momento, nessa área. E as descobertas devem surgir depressa diante das significativas vantagens que o recurso possibilita.

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