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Dino manda Polícia Federal investigar esquema de apostas; CBF descarta suspender Brasileirão

Entidade articula plano com a Fifa e autoridades internacionais para coibir manipulação em partidas e diz ser também vítima de ‘atos criminosos’

Foto do author Ricardo Magatti
Por Ricardo Magatti
Atualização:

O ministro da Justiça e Segurança Pública, Flávio Dino, respondeu ao pedido da CBF e determinou nesta quarta-feira, 10, que seja instaurado inquérito na Polícia Federal para investigar o esquema de apostas no futebol brasileiro descoberto pelo Ministério Público de Goiás (MP-GO), que deflagrou nesta semana a segunda fase da operação Penalidade Máxima. As partidas investigadas são da edição passada do Campeonato Brasileiro, vencido pelo Palmeiras. Também há jogos suspeitos do Paulistão e do Campeonato Gaúcho de 2023.

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“Diante de indícios de manipulação de resultados em competições esportivas, com repercussão interestadual e até internacional, estou determinando hoje que seja instaurado Inquérito na Polícia Federal para as investigações legalmente cabíveis”, disse Dino.

O ministro respondeu rapidamente ao pedido do presidente da CBF, Ednaldo Rodrigues, que havia solicitado que a Polícia Federal entrasse no caso “com o objetivo de centralizar todas as informações a respeito dos casos em investigação”.

A CBF descartou paralisar as Séries A e B do Brasileirão. “Não há qualquer possibilidade de a competição atual ser suspensa”, afirmou a entidade, que defendeu que “a punição de atletas e demais participantes do esquema de fraudes aconteça de forma veemente”. Também avisou que vem trabalhando com a Fifa e autoridades internacionais a elaboração de um “modelo padrão de investigação”.

Eduardo Bauermann é um dos réus de investigação que apura esquema de apostas Foto: Raul Baretta/Santos FC

“Venho trabalhando em conjunto com a Fifa, demais entidades internacionais, além de clubes e federações brasileiros, com o intuito de combater todo e qualquer tipo de crime, fraude ou ilícito dentro do futebol. Defendo a suspensão preventiva baseada em suspeitas concretas e até o banimento do esporte em casos comprovados. Quem comete crimes não deve fazer parte do futebol brasileiro e mundial”, afirmou Ednaldo Rodrigues.

A entidade disse ser também vítima “destes possíveis atos criminosos” e informou não ter sido oficialmente informada pelo MP de Goiás sobre os fatos relacionados à investigação. “A CBF ressalta que, tão logo estejam comprovados os fatos, espera que as sanções cabíveis por parte do STJD sejam tomadas de forma exemplar”.

A CBF tem a ideia de conversar com atletas dos clubes que disputam as Séries A, B, C e D do Campeonato Brasileiro, todas já em curso, para mostrar o que está sendo feito para coibir os esquemas de apostas e como as agremiações podem contribuir. Internamente, o Vasco, por exemplo, entregou uma cartilha desenvolvida pelo departamento jurídico do clube para os jogadores e promoveu uma conversa com todo o elenco profissional sobre o tema a fim de informar e esclarecer os atletas.

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A CBF diz se preocupar com a proliferação de casas de apostas, que operam atualmente em uma espécie de limbo regulatório, já que as apostas são legais no País desde 2018, mas ainda não foram regulamentadas e as empresas atuam com sede no exterior. Sem fiscalização, as suspeitas de manipulação de resultados e de lavagem de dinheiro se multiplicam.

ESQUEMA DE APOSTAS

Em abril, o MP, por meio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) e da Coordenadoria de Segurança Institucional e Inteligência (CSI), deflagrou a segunda fase da Operação Penalidade Máxima — a primeira etapa foi realizada em fevereiro e mirava apenas jogos da Série B. Três mandados de prisão, 16 de preventiva e 20 de busca e apreensão foram cumpridos em 16 municípios de 20 Estados brasileiros diferentes, incluindo São Paulo e Rio.

O MP de Goiás denunciou 16 pessoas, sendo sete delas jogadores: Eduardo Bauermann (Santos), Gabriel Tota (Ypiranga-RS), Victor Ramos (Chapecoense), Igor Cariús (Sport), Paulo Miranda (Náutico), Fernando Neto (São Bernardo) e Matheus Gomes (Sergipe).

Os jogadores envolvidos no esquema receberiam valores que, de acordo com o MP-GO, variavam entre R$ 50 mil a R$ 500 mil para provocarem eventos específicos em jogos previamente selecionados, como cometer pênaltis, levar cartões amarelos ou vermelhos em determinada etapa da partida, diferença de gols no primeiro tempo, entre outros.

O processo, que conta com 113 páginas, também cita outros jogadores que não foram denunciados, mas teriam sido aliciados no esquema. São eles: Vitor Mendes, Pedrinho, Sávio, Nathan, Nino Paraíba e Dadá Belmonte.

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