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Brasil de Fernando Diniz quer mostrar ser possível jogar como seleção de 1982

Ideias do treinador agradam após 5 a 1 sobre a Bolívia na estreia das Eliminatórias, e convencem os jogadores de que é possível ganhar e encantar

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Foto do author Ricardo Magatti
Por Ricardo Magatti
Atualização:

Fernando Diniz continua seu período interino à frente da seleção brasileira com a ideia de transformá-la em um conjunto capaz de dar espetáculo e ganhar jogos. O Brasil fez isso na estreia das Eliminatórias Sul-Americanas diante da Bolívia, com os 5 a 1 em Belém, e agora o técnico encara seu primeiro desafio fora de casa: o duelo com o Peru, em Lima, nesta terça-feira, às 23h (de Brasília). O jogo terá transmissão da Globo e SporTV.

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Diniz não esconde que a sua referência é a seleção da Copa de 1982, que não ganhou aquele Mundial, mas encantou com o futebol-arte do melhor ‘meio-campo do mundo’, formado por Cerezo, Falcão, Sócrates e Zico, sob o comando de Telê Santana.

“Foi um time que encantou mesmo sem ganhar. Ela marcou, despertou o desejo de muita gente de querer ser jogador e gostar de futebol. Por isso, cumpriu muito bem o seu papel”, justificou Diniz, que diz preferir a arte à ciência, embora goste do equilíbrio quando precisa escolher entre razão e emoção. “Não colocando a razão de lado, mas como acho que a vida é mais arte do que ciência, no futebol também conseguimos fazer que as coisas aconteçam como a seleção de 82 fez”.

O discurso de todos jogadores convocados para os dois primeiros compromissos das Eliminatórias é homogêneo: está sendo prazeroso, segundo eles, o começo do ciclo para a Copa do Mundo de 2026 sob as ordens de um treinador que prioriza o jogo bonito.

Diniz, com Neymar e Marquinhos, dois dos líderes da seleção brasileira  Foto: Sebastiao Moreira/EFE

“É diferente, é novo... Está dando vontade. A gente acaba de treinar e todo mundo fica com aquele gosto que dá para treinar mais 15, 20 minutos. Todos estão gostando e a expectativa é a melhor possível e a gente esperar continuar da mesma maneira”, resumiu Bruno Guimarães, um dos que já haviam trabalhado com o técnico. No caso do meio-campista, titular contra a Bolívia, foi no Athletico-PR.

“Quem conhece o Diniz sabe a forma especial com que ele vê o futebol. Ele enxerga o futebol de uma maneira diferente, é um cara diferenciado”, disse, exaltando o chefe.

Alijado da Copa do Catar, Matheus Cunha foi um dos que ganharam espaço com Diniz. Numa convocação de poucas caras novas, o atacante do Wolverhampton voltou a figurar entre os selecionados, ainda que na reserva. “Por chegar onde chegamos, a gente tem dentro da gente um senso de aprendizado forte, todo mundo quer aprender. Quando vem com algo tão novo, inovador, desperta a curiosidade de querer assimilar”, diz ele sobre o trabalho do treinador contratado de forma interina até Carlo Ancelotti assumir o comando - ao menos esse é o plano da CBF - na metade de 2024.

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Como Diniz, Cunha crê que a seleção pode emular a de 1982. “Eu não fui a fundo sobre o quanto foi bonito e marcante ter uma seleção de tantos craques (em 1982), mas eu acho que a gente pode ser tudo isso o que ele (Diniz) fala”.

Neymar, o craque da seleção de Diniz, comemora um de seus gols contra a Bolívia Foto: EFE/ Sebastiao Moreira

O jogo de mobilidade, dinâmico, sem posições guardadas, agrada de zagueiros a atacantes. Um dos líderes do elenco, Marquinhos está contente com as ideias do novo técnico, com seu esquema de enorme intensidade, no qual “todos os jogadores participam” e é possível ver, por exemplo, zagueiro de lateral e lateral fazendo a função de meia, flutuando entre linhas.

“É uma coisa interessante, é prazeroso, pois todos participam e sabemos o quanto é importante cada posição. Meia, volantes, terão a mesma concentração e responsabilidade de um defensor. E tudo isso será muito importante para o crescimento coletivo”, acredita o defensor do PSG.

O grande craque dessa geração continua sendo Neymar, outro atleta encantado pelas ideias de Diniz. Diante da Bolívia, o camisa 10 fez dois gols, passou Pelé na artilharia histórica da seleção (nas contas da CBF, não nas da Fifa), deu assistência, dribles, quase marcou um gol de placa e mostrou estar à vontade sendo treinado por um profissional que “gosta de reinventar o futebol” e rejeita “fazer as mesmas coisas”, nas palavras do craque do Al-Hilal.

“Foi um começo de um futuro brilhante que ele vai ter aqui na seleção e onde ele estiver”, resumiu o técnico sobre o maior astro do grupo. Diniz vai repetir a escalação que goleou os bolivianos. Nem mesmo Richarlison, que destoou do resto da equipe em Belém, com gols perdidos, será retirado do time titular.

O Peru estreou com empate sem gols com o Paraguai fora de casa. O time do técnico Juan Reynoso, substituto de Ricardo Gareca, faz sua estreia em casa na competição. O time peruano ganhou apenas uma vez nos últimos cinco jogos.

Brasil começou Eliminatórias com goleada sobre a Bolívia e agora enfrentar o Peru fora Foto: Vitor Silva/CBF

PERU X BRASIL

  • PERU: Gallese; Corzo, Araujo, Abram e López; Tapia, Yotún, Polo, González e Carrillo; Paolo Guerrero. Técnico: Juan Reynoso.
  • BRASIL: Ederson, Danilo, Marquinhos, Gabriel Magalhães e Renan Lodi; Casemiro, Bruno Guimarães e Neymar; Raphinha, Rodrygo e Richarlison. Técnico: Fernando Diniz.
  • Árbitro: Fernando Rapallini (Argentina).
  • Horário: 23h (de Brasília).
  • Local: Estádio Nacional do Peru.
  • TV: Globo e SporTV.

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