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Imagens de Kaká jogando aos 8 anos valem apenas R$ 3 mil

'Não quero explorar ninguém, fazer nada escondido do Kaká', diz o homem que filmou o jogador em 1990

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Uma hora e meia de filmagens exclusivas de Kaká - escolhido pela Fifa como o melhor jogador do mundo em 2007 - quando garoto. O talento excepcional do menino com apenas oito anos é nítido como as imagens. Ele dribla, marca dez gols e ainda dá a volta olímpica carregando a taça do torneio da escola, disputado em 1990. Por ironia, veste com orgulho a camisa da seleção da Itália, o país que o acolheria no futuro.   Veja também:  Kaká deixa festa de lado e se prepara para nova decisão   O que poderia ser um tesouro para quem filmou, na verdade não é. As emissoras de tevê ofereceram no máximo R$ 3 mil para mostrá-las em programas com fins jornalísticos. Patrocinadoras de material esportivo ou qualquer outra empresa não podem comprar para exibir e associar o talento precoce à sua marca. O motivo é simples: os direitos de imagem são de Kaká.   "Até mesmo como feto, os direitos pertencem ao jogador. A legislação é bem específica em relação a isso. As emissoras de tevê estão sendo até generosas oferecendo R$ 3 mil porque só podem fazer programas jornalísticos, sem fins lucrativos com as imagens. Não importa se o Kaká é o melhor do mundo e foi filmado quando nem era jogador profissional. O direito de imagem é dele e acabou. Como todo mundo hoje tem uma câmera, as pessoas não podem se iludir achando que ganharam na loteria filmando um craque nascendo", explica a diretora executiva da Associação Brasileira das Produtoras de Audiovisual, Sonia Piassa.   Quem filmou Kaká despontando para o futebol foi o economista João Francisco Adolfo Kock. Ele era o treinador e câmera da ‘Itália’ que foi campeã do torneio interclasses da Escola Baptista Brasileiro, em São Paulo.   "Eu filmei porque o meu filho, Frederico, jogava no time. Mas guardei as imagens por anos porque, infelizmente, ele faleceu no mesmo ano. Teve leucemia. Sabia que tinha as imagens do Kaká e resolvi divulgá-las até porque o meu filho está nas filmagens. O Kaká foi sensacional nesse torneio, jogou demais e foi campeão e o artilheiro com 24 gols. Não quero explorar ninguém, fazer nada escondido do Kaká. Simplesmente tenho a fita e vou ver o que fazer. Mas sempre pedindo a autorização dele", disse João Francisco.   O diretor do programa Esporte Espetacular da TV Globo, Sidney Garambone, coloca um ponto final na questão sobre enriquecer com imagens de um craque nascendo. "As pessoas acreditam que têm nas mãos uma preciosidade e que vão ficar milionárias com essas imagens. Mas não vão ficar mesmo. Não adianta pedir quantias exorbitantes. Nós fazemos trabalhos jornalísticos. Não vamos ter lucro com as imagens que pertencem ao jogador. Freqüentemente nós temos imagens de arquivos sendo oferecidas de graça. Não vamos ficar pagando fortunas por isso. De jeito nenhum", revelou.   Imagens que ficaram famosas de Maradona, Ronaldo, Ronaldinho Gaúcho, Messi e tantos outros quando meninos não renderam grande quantias para quem os filmou. Na maioria das vezes, foram cedidas gratuitamente.   A saída para tentar ganhar dinheiro com dribles e gols de Kaká ou seja de quem for é procurar o jogador. "Se tiver a concordância dele, aí sim é possível vender esses filmes para uma multinacional esportiva, por exemplo. Se não tiver a autorização, pode esquecer", disse Sonia Piassa.   "Eu sou amigo da família do Kaká. Posso até procurar a patrocinadora dele, já que acaba de ser escolhido o melhor do mundo. Mas não vou fazer nada pelas costas dele. Se não tiver a concordância dele, as imagens vão ficar comigo para sempre", garantiu João Francisco.

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