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Inter deve ficar ao menos 45 dias longe do Beira-Rio e procura sede temporária; veja bastidores

Equipe retoma treinamentos de olho em jogo da Sul-Americana, no fim de maio; São Paulo pode ser um destino, mas clube quer tentar manter a torcida perto

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Foto do author Leonardo Catto
Por Leonardo Catto
Atualização:

Após retomar as atividades de treinamentos depois de 12 dias sem trabalhos, o Inter busca agora uma definição sobre onde mandará os jogos. O Estádio Beira-Rio foi tomado pela água do rio Guaíba que causou a maior inundação da história de Porto Alegre e ficará sem atividades por, no mínimo, 45 dias. O próximo compromisso é em 28 de maio, contra o Belgrano, pela Sul-Americana. Assim que definir onde vai jogar, o clube já deve deixar o Rio Grande do Sul para treinar em um local mais próximo.

Segundo uma fonte interna do Inter, há uma variedade de ofertas para sediar jogos do clube. A direção colorada, porém, toma cuidado para não “invadir” o itinerário do cotidiano de outras equipes. Além disso, é feito uma “balança” que equilibre o custo logístico, como viagens e hospedagens, e a distância para a torcida. É compreendido que a saída do Rio Grande do Sul, como deve acontecer com o Grêmio, mandando jogos em Bragança Paulista ou Curitiba, será inevitável.

Grupo colorado vive momento de união na retomada dos trabalhos. Foto: Ricardo Duarte/Inter

Nesse cenário, a capital paranaense é uma possibilidade, ainda mais se o rival for para o interior paulista. O Couto Pereira, assim como o Nabi Abid Chedid, foi oferecido à dupla GreNal. Santa Catarina também é avaliada. Nem todos os estádios observados, porém, cumprem exigências para sediar jogos da Conmebol. Essa é uma dificuldade para jogar próximo do Rio Grande do Sul. Nos bastidores, contudo, assume-se que somente “entrar em campo é fácil”, mas que o Inter precisa das melhores condições para de fato competir nos torneios que disputa. Em 2024, são disputados jogos de Libertadores e Sul-Americana na Neo Química Arena, Allianz Parque, MorumBis, Arena MRV, Mineirão, Arena Pantanal, Maracanã e Nilton Santos. Gramado sintético estão fora de cogitação, eliminando os estádios de Athletico-PR, Palmeiras e Botafogo das possibilidades.

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Caso tanto Grêmio quanto Inter vão para São Paulo, o Estado passará a “ter” seis clubes na Série A. Os gaúchos iriam somar-se ao trio paulistano (Corinthians, Palmeiras e São Paulo) e o Red Bull Bragantino. Entre as opções do Inter, estão ainda ofertas no Mato Grosso. A Granja Comary, em Teresópolis, no Rio, não foi oferecida como possibilidade para treinamentos.

Cascavel (PR) e Chapecó (SC) fazem parte de duas regiões com grande concentração de gaúchos e da torcida colorada e poderiam oferecer um cenário favorável ao clube. Os estádios, porém, apresentam dificuldades para adequação ao padrão das competições continentais. Não é visto como ideal mandar jogos em dois locais diferentes, um para torneios nacionais e outro para Sul-Americana.

Após cerca de dois meses, o Inter poderá voltar ao Beira-Rio. As atividades de treino poderiam, então, ser no próprio estádio ou em Alvorada, na Região Metropolitana de Porto Alegre, onde fica o CT da base colorada. Um problema surge neste cenário: o Aeroporto Salgado Filho, também atingido pelas enchentes, ficará sem operar voos até setembro. Para chegar à capital gaúcha, seria necessário pousar na Base Aérea de Canoas, em uma operação ainda não viabilizada, mas considerada pelo poder público.

Na Série A, somente o Juventude deve jogar em casa, no Alfredo Jaconi. São necessários pequenos reparos na estrutura do local. Caxias do Sul sofreu mais com deslizamentos e um tremor de terra do que com enchentes. O clube retomou os treinamentos na terça-feira, dia 14. Já o trio gaúcho da Série C (Caxias, Ypiranga e São José) pediram à CBF a paralisação do torneio, a exemplo do que fizeram as equipes do Rio Grande do Sul na primeira divisão. Ainda não há definição sobre isso.

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Inter retomou treinamentos no Complexo Esportivo da PUC-RS. Foto: Ricardo Duarte/Inter

O último jogo do Grêmio foi o 0 a 0 contra o Operário pela Copa do Brasil, em 30 de abril. Já o Inter entrou em campo pela última vez contra o Atlético-GO, no empate por 1 a 1 pelo Brasileirão, dia 28 de abril. Na mesma data, o Juventude também Os teve o último jogo, um empate contra o Athletico-PR por 1 a 1.

Porto Alegre ainda vive efeitos da enchente. O rio Guaíba, que cerca a cidade, chegou na maior cheia já registrada (5,3m). A última cota divulgada na terça-feira estava em 5,22m, enquanto a metragem de inundação é de 3m. A enchente, na capital, contudo, pode ser menor desta vez, já que o Departamento Municipal de Água e Esgoto (Dmae) fez a manutenção das caixas de bombeamento, que escoam água antes de inundar a cidade e falharam na primeira vez. O Rio Grande do Sul tem 149 mortes em decorrência do desastre. A Defesa Civil contabiliza, ainda, 108 desaparecidos. 446 dos 497 municípios foram afetados e 538 mil pessoas foram desalojadas.