O Avenida, de Santa Cruz do Sul, joga a elite do Campeonato Gaúcho sem interrupção desde 2023. A edição atual, porém, é de luta contra o rebaixamento, já em um quadrangular em que dois times caem. Quando o antigo treinador saiu após as quatro rodadas iniciais, a direção confiou o comando do time a Gabriel Dutra, de apenas 28 anos.
Desde então, foram outros quatro jogos, com dois empates e duas derrotas. O Avenida ficou na lanterna da classificação geral do Gaúcho e, agora, briga para não cair contra São José, Pelotas e Brasil de Pelotas. Mesmo sem conseguir reverter a situação, Dutra teve mantido o respaldo da diretoria para comandar a equipe nesta fase.
O treinador, apesar de jovem, define um estilo próprio, mas entende que é necessário adaptar-se ao elenco. Inspirado em Felipão, Dutra gosta de montar equipes que trabalhem mais na defesa e busquem contra-ataques. Ele tenta, contudo, fazer com que o Avenida valorize a posse.

“A gente tem jogadores que, tecnicamente, são muito bons, com passagens por clubes de séries A e B do Campeonato Brasileiro e são mais experientes, a bola não queima no pé deles. Baseado nisso, eu tenho que adaptar um estilo de jogo para que eles possam realmente dar o melhor de si dentro da minha ideia”, explica Dutra, que começou a carreira no futebol como analista de desempenho no Avaí, antes de ser como auxiliar-técnico de Novo Hamburgo, Azuris, São Luiz, Brasil de Pelotas e Gaúcho. Como treinador mesmo, ele estreou no Glória, de Vacaria (RS), e passou pelo sub-20 do Fortaleza.
“Então, eu venho procurando trabalhar a dinâmica de passe, posse de bola, para tentar deixar eles numa condição mais favorável ao que justamente eles têm de melhor, que é essa capacidade técnica, essa qualidade para fazer um jogo um pouco mais de aproximação e não tanto num modelo que talvez eu tenha participado mais durante toda a minha carreira, que seria um modelo mais defensivo e sair em velocidade”, avalia.
No elenco que Dutra descreve, aliás, há jogadores que chegam a ser até 13 anos mais velhos que ele. O goleiro Rodrigo Mamá tem 41 anos e já conhece Dutra de outros trabalhos, em que o jovem era auxiliar de Fabiano Daitx, que hoje comanda o sub-20 do Grêmio.
O técnico garante que não sofre com nenhum olhar torto ou coisa do tipo pela pouca idade. “Eu tenho um respaldo muito importante do Guilherme Eich (diretor de futebol), do Jair Eich (presidente). São caras que respeito muito. A gente conversa sobre futebol faz tempo.”, conta.

O diretor de futebol define que a escolha por Dutra foi uma “aposta”, mas tem orgulho da decisão. “O Gabriel é um profissional que nunca trabalhou comigo, mas já conheço há algum tempo, um cara com quem eu converso bastante sobre futebol. Tem uma ideia muito clara, muito interessante sobre, e uma convicção muito grande, e esses são fatores preponderantes que me fizeram apostar”, conta e conclui: “São fatores que me deram confiança, apesar disso, da pouca rodagem, da inexperiência como técnico profissional, são fatores que me deram total confiança para eu apostar, mesmo num momento delicado nosso, onde seria muito mais fácil para mim, enquanto dirigente, contratar um nome de peso”.
Inspiração em Felipão e admiração por Geninho: jovem treinador se espelha em veteranos
“Eu nunca esqueço a primeira vez que eu tive que passar um vídeo por setor, para apontar pontos fortes e fracos, com o meio de campo do Avaí. Contava com Ralf, campeão do mundo com o Corinthians. O que interesse é o que a gente fala olho no olho, que a gente tem de respeito um por outro e que a gente está aqui justamente pelo bem do coletivo, bem do clube”, diz, categórico, o treinador.
O papo semelhante a algo como a “Família Scolari” não é à toa. Felipão é um exemplo para Dutra. “É campeão de praticamente tudo que disputou, conseguiu ser técnico brasileiro no Campeonato Inglês, da seleção portuguesa”, avaliam sem deixar de lado técnicos com quem já trabalhou: “Eu tive uma passagem muito interessante com o Geninho no Avaí. Campeão brasileiro pelo Athletico-PR. É um cara que tem uma gestão de grupo incrível”.
Também são citados o próprio Fabiano Daitx, Rodrigo Santana e Alberto Valentim. Nomes internacionais também estão na admiração do técnico do Avenida, principalmente Pep Guardiola e José Mourinho.
Definição desde cedo e parceria na faculdade levaram Gabriel Dutra à casamata
Quando tinha 15 anos, o sonho de Gabriel Dutra já era ser treinador de futebol. Ele passou em Educação Física na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), onde teve a primeira experiência, ainda com equipes amadoras universitárias.
Ele passou a integrar um grupo de pesquisa que realizava trabalhos de análise de desempenho com o Avaí, na Série B, na época, em 2016. “Fizeram um núcleo de inteligência de análise de desempenho com estagiários. A gente conseguiu acesso para a Série A do Campeonato Brasileiro. A partir disso, eu fiquei na equipe profissional até 2021″ relembra.
Quatro anos depois, o técnico vive o maior desafio. No quadrangular de rebaixamento do Gaúcho, cada equipe enfrenta as outras três, em ida e volta, num total de seis rodadas.
Por enquanto, com apenas uma rodada desta fase, todos estão empatados com 1 ponto. Neste sábado, o Brasil recebe o São José. Já no domingo, o Avenida visita o Pelotas.




