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Libertadores?

Por Wagner Vilaron
Atualização:

A primeira coisa que fiz ontem, quando cheguei a Londres, foi comprar três jornais locais. Estava pessimista, porém curioso para saber que tipo de tratamento os ingleses dariam ao futebol sul-americano, especialmente em um momento de definições da Taça Libertadores, como foi a rodada de ontem. Além disso, os vespertinos me ajudariam a superar as três horas de espera até a saída do voo para Hamburgo, na Alemanha, onde acompanho a seleção brasileira até o jogo de sábado, contra a Dinamarca.Debrucei-me sobre aquela papelada toda. E uma breve passada de olhos pelo noticiário esportivo mostrava que minha veia pessimista estava certa. Nenhuma linhazinha a respeito do assunto. Só se fala de Chelsea e do destino do artilheiro Drogba.O máximo que consegui veio de um tabloide distribuído gratuitamente, que trazia em um canto de uma página par (menos valorizada) a relação de jogos de alguns campeonatos, digamos, mais exóticos, uma vez que os nacionais europeus estão definidos. E um detalhe chamou minha atenção. Ao lado do nome dos clubes sul-americanos é colocado, entre parênteses, o país de origem. Ou seja, para o europeu não basta ler Corinthians, Santos ou Vasco. Faz-se necessário, ainda, explicar também que esses clubes são do Brasil. Aqueles que têm a oportunidade de viajar com relativa frequência para fora do País sabem que não há novidade em meu relato. Constatar que boa parte de nossa realidade é ignorada pelo - ainda - chamado Primeiro Mundo é algo recorrente. Afinal, além do Chelsea, eles têm temas, digamos, mais delicados para tratar, casos de Grécia, Portugal, Espanha e Itália. Isso sem falar no novo governo francês.Mas voltemos ao futebol. Fomos criados e convencidos de que esse esporte é o maior cartão de visita do Brasil no exterior. E, de fato, toda vez que descobrem que somos brasileiros, o primeiro comentário sempre diz respeito a futebol. Então fica a pergunta: se o futebol brasileiro é tão conhecido, por que os clubes brasileiros não seguem o mesmo caminho?Simples: o gringo conhece apenas a seleção brasileira, pois foi essa equipe que venceu cinco Copas do Mundo e, vira e mexe, joga por aqui, como será o caso da partida contra a Dinamarca. Entre os clubes não há contato, intercâmbio. A única oportunidade de encontro ocorre apenas uma vez por ano, no Mundial de Clubes, longe da Europa.Não tem jeito, qualquer clube brasileiro que deseja ser conhecido internacionalmente e ampliar suas receitas com a exploração de novos mercados terá de arrumar tempo para viajar, "estar onde o povo está", como diria a canção.Esse negócio de cartola afirmar que vai conquistar grandes mercados do planeta com o simples gesto de contratar um jogador daquela região é conversa mole para boi dormir. O torcedor e a marca dos clubes brasileiros são muito valiosos para serem tratados com tamanho descaso e amadorismo.

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