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Opinião|Empate cai dos céus para o Palmeiras no Castelão, apesar da luta, mas não gostei do tom de Abel

Time paulista busca empate com o Fortaleza com um a menos, tira uma rodada da frente do Brasileirão e tem agora três jogos para confirmar o bicampeonato; veja arte da corrida pela liderança

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Foto do author Robson Morelli
Atualização:

A rodada 35 do Brasileirão teve como resumo o que se esperava dela: despachar o Botafogo das primeiras colocações e afunilar a briga entre Palmeiras e Flamengo, nesta ordem porque o time paulista tem melhor saldo de gols, uma vez que os rivais estão empatados em número de pontos (63) e de vitórias (18). Também como se esperava, o Palmeiras teve mais dificuldades na rodada. Ficou no empate por 2 a 2 com o Fortaleza, com uma expulsão (de Gustavo Gómez) e atrás no marcador duas vezes. O time da casa teve chance de matar o jogo, mas não teve fibra para isso. Preferiu os toques de lados e não se deu conta do poder de disputa dos palmeirenses. A reação do time de Abel foi espetacular porque o cenário era para nocaute.

Dessa forma, o empate caiu do céu para o Palmeiras, não que o time não merecesse pela vontade mostrada no Castelão, mas as circunstâncias da partida apontavam para um derrota e queda de um degrau na tabela, uma vez que o Flamengo fez seu resultado diante do América-MG - sofrendo só no primeiro tempo.

Zé Rafael marca o segundo gol do Palmeiras no empate por 2 a 2 com o Fortaleza no Castelão Foto: Cesar Greco / Palmeiras

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Abel mexeu errado e não soube orientar seus atletas para segurar o primeiro empate, quando a situação já era grave. Mais uma vez um membro de sua comissão foi expulso, uma característica comum quando as coisas não vão bem dentro de campo. O desequilíbrio também é uma das marcas dessa turma, é preciso dizer. Mas é inegável que os atletas carregaram a comissão nas costas. Concordo com Abel quando ele diz que o treinador é apenas 25% de uma equipe. O maior mérito é sempre dos jogadores. O Palmeiras, como todos os times de uma temporada longa, teve problemas, passou por momentos de baixa e mereceu as críticas. O que não quer dizer que o elenco deixou de lutar.

Só não gostei do tom de Abel em sua entrevista, falando de legado e de tudo o que conseguiu junto com o Palmeiras desde que chegou da Grécia, onde era um treinador desconhecido e sem prestígio. Ele está perto de ganhar mais um título, o bi do Brasileirão, e repensa sua permanência no Brasil. Abel vem dando pistas de que seu ciclo no Palmeiras está chegando ao fim. Alguns palmeirenses pensam a mesma coisa e tomara eles estejam errados. Abel pode contribuir ainda mais com o futebol brasileiro, além das conquistas, porque ele náo trabalha para manter seu emprego.

Um contra o outro

Palmeiras e Flamengo empurram o Botafogo para a terceira colocação, com um ponto a menos, 62. O time que liderou a competição desde a rodada 3 não está morto, mas desceu degraus após o empate por 1 a 1 com o Santos. Ocorre que nem um lado nem outro é capaz de bater no peito e apostar todas as suas fichas na conquista. Não dá para prever quem será o campeão brasileiro faltando três rodadas para o fim da disputa. Simplesmente não dá.

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Pior. O torcedor não consegue afirmar se a disputa vai ficar mesmo nesses dois times, o de Raphael Veiga e o de Arrascaeta. Nem isso dá para prever. Até o Atlético-MG, de Felipão, tem chances de entrar nessa dança, porque o time de Belo Horizonte bateu o Grêmio e chegou aos 60 pontos. Vai que... Vai ainda encarar o Flamengo.

Fator Tite

É preciso admitir também que a chegada de Tite ao Flamengo mudou tudo na Gávea, da forma de atuar ao ambiente, passando pelos resultados. De desacreditado e em condições de poucas esperanças, o time mudou da água para o vinho, ganhou suas partidas, subiu na tabela e pode ser campeão. Já tirou a diferença de pontos para o líder Palmeiras. Tite sabe o que está fazendo e o que tem nas mãos. Vai ter paradas indigestas ainda, como diante do Atlético-MG e do São Paulo, assim como o Palmeiras, que vai enfrentar Cruzeiro e Fluminense, por exemplo. O primeiro briga para escapar da degola. O segundo pode até ser mais fácil se já estiver envolvido com o Mundial de Clubes.

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Opinião por Robson Morelli

Editor geral de Esportes e comentarista da Rádio Eldorado

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