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Futebol, seus bastidores e outras histórias

Opinião|Palmeiras tem de esperar 78 horas para gritar ‘é campeão’, mas ninguém duvida que já levou

Vantagem de três pontos na tabela do Brasileirão e saldo de gols deixa time de Abel Ferreira na iminência da conquista, a segunda seguida: só um milagre para os rivais, com chuva de gols, tira a taça das mãos do capitão Gustavo Gómez

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Foto do author Robson Morelli
Atualização:

Parece chover no molhado destacar a campanha do Palmeiras no Brasileirão e seu jeito de jogar, que não é um apenas, sob o comando de Abel Ferreira. Com a vitória diante do Fluminense no Allianz Parque, mais uma vez lotado em sua capacidade liberada (joga com 30% a menos por causa do palco atrás do gol do setor norte), o time só aguarda a CBF lhe entregar a taça na próxima quarta-feira, em Belo Horizonte, diante do Cruzeiro, para consumar matematicamente a conquista. Não precisa nem ganhar. Basta apostar no saldo de gols. Mas se não quiser dar sopa para o azar, o empate já lhe serve contra o time de Ronaldo.

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Então, embora os números impeçam o torcedor gritar “‘é campeão”, somente um milagre faz com que seus rivais marquem tantos gols na última rodada do torneio e do ano. O grito já ecoa entre amigos palmeirenses, baixinho para não comprometer ou provocar as tradições do futebol, como não cantar vitória antes da hora. 

É questão de horas. Faltam 78 horas para o Palmeiras ser campeão brasileiro e festejar o título nacional número 12 de sua história. A desconfiança que se teve com o Botafogo durante toda a competição não existe em relação ao Palmeiras, acostumado com conquistas e pressão, com sangue frio para decidir em sua casa ou fora.

Torcedor do Palmeiras se despede do time no Allianz Parque antes da partida diante do Cruzeiro na quarta-feira, em Minas Gerais Foto: Amanda Perobelli / Reuters

O futebol permite situações inusitadas e inacreditáveis, é verdade, mas não há palmeirense que desconfie de seu time. Faltam 90 minutos. O Palmeiras ganhou o Paulistão e está na iminência de ganhar também o Brasileirão, num abre e fecha da temporada com festa. Haverá um deslocamento de torcedor para Minas, ao que me disseram, mais até do que o número de ingressos disponibilizados, de 4 mil a 5 mil. A delegação voltará em voo fretado após a partida.

Na Academia, uma festa está sendo preparada. Vai ser na avenida Marquês de São Vicente que a comemoração se dará, como já foi em outras ocasiões. Não se sabe ainda se o clube vai abrir os portões do Allianz Parque no dia seguinte para uma festa “boca-livre” com o seu torcedor. A PM sempre barra esse tipo de manifestação por um simples motivo: sempre chega mais gente do que o esperado. E aí dá confusão. Tudo isso será decidido nos primeiros dias da semana.

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Fazer um planejamento não significa comemorar a conquista antes da hora. Não é nada disso e parece que todos entendem que o time de Abel Ferreira não dá espaço para esse tipo de vacilo. Todos os times se organizam para as conquistas. Só não admitem. O futebol profissional não se permite situações amadoras e não planejadas com antecedência. Então, não entendam mal. O Palmeiras tem dado aula em sua logística e organização no futebol há anos. Ganhar ou perder faz parte do jogo, mas tudo o que ocorre na Academia tem um motivo e uma boa explicação.

O torcedor do Palmeiras terá de esperar até quarta-feira à noite para bater no peito mais uma vez e festejar, brincar com seus rivais nas redes sociais e erguer o troféu, dodecacampoeão. A CBF unificou os títulos de torneios nacionais antes da criação do Campeonato Brasileiro com esse nome. Por isso o Palmeiras já tem 11 na conta.

Por fim, é preciso apenas explicar por que o Palmeiras está na iminência de ganhar o Brasileirão de 2023. É preciso dizer que o principal fator é a qualidade do time, a competência do treinador Abel Ferreira e o trabalho de todos no departamento de futebol, do roupeiro ao diretor de futebol, sem citar nomes para que todos sejam representados na figura desses dois profissionais. Se desanimou em algum momento, foi por pouco tempo.

O segundo motivo foi a fragilidade do Botafogo, que deveria ser o campeão de 2023, mas não será. Não teve competência para segurar a vantagem de 13 pontos no segundo turno. Uma pena para os botafoguenses.

Outro fator ligado ao segundo foi a má gestão do Flamengo, o time mais técnico do Brasil, que se perdeu em confusões internas, como o soco do auxiliar de Sampaoli dado em Pedro, trocas constantes de treinadores e um certo ‘corpo mole’ de alguns jogadores em algumas partidas do Nacional. Houve também pouca coragem da sua direção de fazer a coisa certa quando teve chance, como se livrar de alguns jogadores.

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Esperava-se mais ainda de Atlético-MG e Grêmio e até mesmo do Red Bull Bragantino, mas nenhum deles teve fôlego para enfrentar todo o calendário nacional. Quarta-feira, o futebol brasileiro chegará ao fim e já tem gente com saudade. O Fluminense, que perdeu para o Palmeiras neste domingo, continua seu trabalho no Mundial de Clubes da Fifa. Jogará dia 18. É o Brasil na competição.

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Opinião por Robson Morelli

Editor geral de Esportes e comentarista da Rádio Eldorado

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