SAF do Fluminense ou fundo do São Paulo: qual é o melhor modelo de negócio? Rodrigo Capelo explica
Colunista do Estadão analisa as duas propostas de investimento dos tricolores do Rio e de São Paulo. Crédito: Fotografia: Léo Souza/Estadão | Edição: Júlia Pereira/Estadão
Fluminense e São Paulo têm um objetivo em comum. Ambos tentam aprovar com seus associados e conselheiros medidas para reduzir a ingerência do amadorismo no futebol. Os cariocas, com a criação de SAF para administrar todo o futebol. Os paulistas, com uma empresa só para a administração da base. Bom momento para refletir sobre essa diferença.
No caso do Fluminense, a proposta é semelhante da que outros clubes aceitaram — Botafogo, Cruzeiro, Bahia, Vasco etc. Talvez o paralelo mais próximo seja o do Atlético-MG, que vendeu participação majoritária de sua SAF para um grupo de torcedores.
Em Minas Gerais, os maiores acionistas são o bilionário Rubens Menin e o filho, Rafael, à frente de outros atleticanos endinheirados. No Rio de Janeiro, o BTG do tricolor André Esteves intermedeia a união de outros torcedores tão ou menos ricos quanto ele.
A futura SAF do Fluminense vai se responsabilizar pelo pagamento da dívida da associação, estimada em R$ 871 milhões, e os investidores terão de aportar R$ 500 milhões em dinheiro novo. Em troca, eles assumem 66% ou mais do capital e se tornam os tomadores de decisão. A associação senta à mesa, mas não apita.
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Por que as negociações desses clubes se parecem? Pois, fora as diferenças entre grupos e termos contratuais, em todas elas o ativo vai para a mão de um novo proprietário. Dizem no mercado que nenhum investidor se disporá a comprar um clube no Brasil, se ele não tiver maioria do capital e, por consequência, a decisão.
É aí que o São Paulo se distingue, ao propor progressão faseada até a “privatização”. Primeiro, a sua diretoria montou um FIDC para captar R$ 240 milhões, com a contrapartida de amarrar gastos e prejuízos do departamento de futebol. Segundo, ela propõe vender 30% da empresa que vai gerir a base para terceiros em troca de R$ 250 milhões. Terceiro, promete-se uma SAF para o futebol profissional.
Se tiver sucesso, o São Paulo vai ser o primeiro a captar investimento, atrair novos sócios e montar nova governança, sem abrir mão das decisões sobre o futebol. Bom ou ruim? Depende. Como o torcedor são-paulino hoje considera hoje Julio Casares, presidente, o pior ser humano já nascido, pode ser que prefira a venda do futebol até para o diabo. Só para se livrar da diretoria, dos conselheiros, da política.
Conceitualmente, no entanto, não deixa de ser uma estratégia interessante e não testada. A entrada de sócios no futebol, ainda que minoritários, reduz a margem para o amadorismo. Cá da minha parte, é pela profissionalização que eu torço.





