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Além de Alcaraz: conheça 5 tenistas que podem dominar o circuito nos próximos anos

Com a aposentadoria de Federer e quedas de rendimentos de Nadal e Djokovic, novos talentos começam a despontar

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Foto do author Felipe Rosa Mendes

A temporada 2022 pode ficar marcada na história do tênis como um grande divisor de águas no topo. Trata-se do ano em que o suíço Roger Federer se aposentou e que o espanhol Rafael Nadal flertou com a despedida, já indicando que não deve seguir no circuito além de 2023. Além disso, o sérvio Novak Djokovic deixou de ser o bicho-papão de títulos, como foi na última década. Fato é que o chamado Big 3 acabou diante do fim da carreira de Federer e novas figuras estão despontando no circuito.

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O trono é ocupado no momento por Carlos Alcaraz, número 1 mais jovem da história e campeão do US Open. O espanhol é forte candidato a dominar o circuito nos próximos anos. Mas não está sozinho. Nesta reportagem, o Estadão lista cinco outros tenistas que devem ser acompanhados nas próximas temporadas.

Um deles é sugestão de Gustavo Kuerten, para quem Alcaraz não deve dominar sozinho nos próximos anos. O italiano Jannik Sinner deve dividir as atenções com o espanhol.

“Esses dois são diferentes, dá para ver a pretensão no rosto deles. O Alcaraz é um caso único, com essa idade nesta projeção, como o Nadal conseguiu fazer. Eles têm uma obsessão e um nível de ambição incomuns”

Guga, ao Estadão

“Se o Alcaraz e o Sinner conseguirem estabelecer essa frente, ganhando tudo durante dois ou três anos, a turma que vem atrás não os alcança mais. Teria que vir alguém de outra geração para derrubá-los. Começa a ser uma montanha Everest de distância. Imagina alguém entrando no circuito enquanto o cara está no topo e segue melhorando. Antigamente, com 28 anos, os caras começavam a declinar e surgia a oportunidade. Hoje, com 30, os caras ainda estão melhorando. Imagina jogar com o Alcaraz daqui a 3 anos, com ele evoluindo! E sabendo que ele deve ter mais uns 10 anos de circuito, de evolução.”

JANNIK SINNER

O italiano de 21 anos é considerado por muitos, incluindo Guga Kuerten, como um dos mais talentosos de sua geração. Ele encerrou a temporada 2021 como o mais jovem a ocupar o Top 10 desde o argentino Juan Martín del Potro em 2008, aos 20 anos. Em 2019, se tornou o mais novo a vencer o Torneio de Washington, de nível ATP 500, e o primeiro italiano em 37 anos a ser finalista do Masters 1000 de Miami, ambos nos EUA.

No mesmo ano, foi campeão do Torneio NextGen e faturou mais seis troféus entre 2020 e 2022. Também conhecido pela versatilidade, Sinner joga bem em todas as superfícies. Ainda com pouca experiência, já alcançou as quartas de final dos quatro torneios de Grand Slam, dando trabalho para os então favoritos. Neste ano, abriu 2 sets a sobre Novak Djokovic antes de levar a virada em Wimbledon - o sérvio ficaria com o título na sequência.

Jannik Sinner é uma das apostas para o futuro do tênis. Foto: Pavel Danev/ AP

Atual número 12 do mundo, Sinner já foi o 9º em novembro de 2021. E, embora tenha faturado apenas um troféu neste ano, mostrou que tem talento de sobra a ser desenvolvido nas próximas temporadas. Tal tarefa caberá ao australiano Darren Cahill, um dos treinadores mais respeitados do circuito. Ele levou Hewitt ao topo na juventude, fez o mesmo com Andre Agassi já na reta final da carreira. Já treinou Andy Murray, Simona Halep e é próximo de Federer.

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No âmbito pessoal, o jovem ruivo e de sardas no rosto começou “tarde” no tênis, somente aos 7 anos. Antes, dividia suas atenções com o futebol (é torcedor do Milan) e o esqui. Foi campeão italiano nesta modalidade entre os 8 e os 12 anos. Até hoje pratica o esqui nas horas livres.

Nos momentos mais agudos da pandemia na Europa, o italiano viralizou nas redes sociais com o desafio #SinnerPizzaChallenge, pelo qual doava 10 euros para comprar suprimentos médicos toda vez que recebesse uma foto de pizza que “lembrasse” o seu rosto cheio de sardas.

FRANCES TIAFOE

Filho de dois imigrantes que fugiram da guerra civil em Serra Leoa e se conheceram nos Estados Unidos, o americano Frances Tiafoe se tornou candidato a estrela nesta temporada ao exibir bons resultados e sinais de que ainda não mostrou tudo o que sabe. Aos 24 anos, ele é o atual número dois dos EUA.

Com seu melhor ranking da carreira, o 17º do mundo se tornou profissional em 2015, faturou o 1º título no circuito da ATP em 2018, mas ainda sofre com a irregularidade, principalmente em momentos decisivos. Desde a primeira conquista, ele soma quatro vice-campeonatos seguidos.

Frances Tiafoe é um dos destaques do tênis norte-americano.  Foto: Kimimasa Mayama/ EFE

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Duas destas finais foram disputadas neste ano, mostrando certa maturidade do americano. Seu melhor momento na temporada foi a vitória sobre o espanhol Rafael Nadal nas oitavas de final do US Open, onde obteve sua melhor performance num Grand Slam até agora. Parou somente nas semifinais, diante do espanhol Carlos Alcaraz, que veio a ficar com o título. Foi ainda o melhor desempenho de um americano no torneio em 16 anos.

Como consequência, o simpático tenista ganhou popularidade nos EUA e também em Serra Leoa. Ganhou elogios até de LeBron James nas redes sociais. Tiafoe domina praticamente todos os fundamentos do tênis e, com a confiança em alta, tem condições de brigar pelos principais títulos da temporada 2023.

CASPER RUUD

Nascido em Oslo, ele é filho de Christian Ruud, ex-tenista profissional que é seu treinador desde os quatro anos de idade. Christian chegou ao 39º posto do ranking e não chegou a faturar troféus no circuito. O filho já exibe carreira mais vitoriosa. E não somente por exibir nove títulos. Casper Ruud já número dois do mundo - é o atual 3º, o mais bem colocado desta lista de nova geração - e é o que chegou mais perto de um título de Grand Slam: já soma duas finais no currículo.

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Em seu melhor ano no circuito, o tenista de 23 anos confirmou seu talento neste ano ao alcançar a decisão de Roland Garros e do US Open, dois Grand Slams com pisos totalmente diferentes. O versátil norueguês, contudo, ficou devendo nas duas finais. Em Paris, a derrota para Nadal, maior lenda do saibro e seu ídolo, seria até compreensível. Mas a derrota para Alcaraz em Nova York mostrou que Ruud precisa dar mais um passo para se tornar temido no circuito.

Casper Ruud é tido como o principal antagonista de Carlos Alcaraz na disputa pelos holofotes do tênis. Foto: Yuichi Yamazaki/ AFP

O norueguês não esconde que seu piso favorito é o saibro. Ele chegou a treinar na academia de Nadal na juventude. Oito dos seus nove títulos foram obtidos na terra batida. Mas a final do US Open e do Masters 1000 de Miami, também neste ano, comprovam que Ruud quer mais.

Para tanto, falta ao discreto e tímido norueguês vitórias sobre tenistas de peso em torneios importantes. Até agora seu maior triunfo foi sobre o alemão Alexander Zverev, então número quatro do mundo, na final em Miami. Nunca venceu os tenistas do Big 3 (Nadal, Federer e Djokovic).

FELIX AUGER-ALIASSIME

O canadense despontou no circuito nos últimos três anos, mas já é considerado promessa desde o juvenil. Curiosamente, era mais lembrado pelas coincidências com Federer do que pelos resultados. Ambos nasceram no mesmo dia: 8 de agosto, separados por uma diferença de 19 anos. Aliassime, fã declarado do suíço, reproduz alguns golpes do ídolo dentro de quadra.

O tenista de 22 anos começou a jogar tênis aos 5 anos e é treinado pelo pai, Sam Aliassime, que nasceu em Togo. Felix mantém a conexão com o país africano ao doar US$ 5 (cerca de R$ 26) por ponto que acerta em cada jogo para a instituição EduChange, que atua na educação de crianças em Togo. Em 2020, foram quase US$ 100 mil doados (R$ 528 mil).

Felix Auger-Aliassime é uma das apostas do tênis canadense. Foto: David Pintens/ AFP

Pianista amador nas horas vagas, Aliassime é conhecido pela precocidade e pelos recordes no carente tênis canadense masculino. Em 2019, aos 18 anos, se tornou o mais jovem a entrar no Top 25 do ranking mundial desde Lleyton Hewitt, em 1999. E, no US Open de 2021, virou o primeiro canadense a alcançar a semifinal masculina de simples na história - o torneio foi criado em 1881.

A temporada 2022 tem sido o divisor de águas na carreira do atual número 13 do mundo. Foi neste ano que venceu seu primeiro título, encerrando um jejum de oito finais perdidas em sequência. Na atual temporada, venceu ainda seu primeiro troféu por equipes, na ATP Cup, obteve seu melhor ranking (8º) e faturou sua maior vitória, sobre Zverev, então 3º do mundo, na competição por times. Ele ainda tem na bagagem um triunfo sobre o ídolo Federer, 8º do ranking na época, na grama de Halle, no ano passado.

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CAMERON NORRIE

O britânico nascido em Johanesburgo, na África do Sul, é o mais velho da lista. Com 27 anos, tem potencial para seguir o caminho de tenistas como o suíço Stan Wawrinka, que despontou no circuito já mais maduro, ou mesmo Djokovic, que passou a exibir seu melhor tênis depois dos 24 anos.

Neste processo de ascensão, o ano de 2022 tem sido decisivo para Norrie. Ele entrou no Top 10 pela primeira vez em abril, se tornando apenas o quarto tenista da história da Grã-Bretanha a entrar nesta restrita lista. Em agosto, subiu para o 9º posto - é o atual 10º colocado.

Cameron Norrie pode figurar entre os tenistas mais importantes do circuito. Foto: Anthony Wallace/ AFP

Entre maio do ano passado e agosto deste ano, disputou 10 finais no circuito. É dono de quatro títulos, sendo o maior o Masters 1000 de Indian Wells de 2021, quando se tornou o primeiro britânico campeão em 46 anos de história do torneio. Na atual temporada, empolgou os fãs britânicos ao atingir a semifinal de Wimbledon, quando perdeu para Djokovic.

Se ainda tem dificuldade ao encarar os medalhões, Norrie mostra maior eficiência diante da nova geração. Já derrotou rivais como o austríaco Dominic Thiem, campeão do US Open de 2020, o grego Stefanos Tsitsipas e Alcaraz.

O britânico tem uma história de família globalizada. Além de ter nascido na África do Sul, ele tem pai escocês e mãe nascida em País de Gales. O atleta cresceu na Nova Zelândia e foi número 1 no tênis universitário dos EUA, onde também morou. Defende as cores da Grã-Bretanha desde 2013.

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