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Aliados defendem que Lula expulse embaixador de Israel do Brasil; Itamaraty sugere não ampliar crise

Governo brasileiro avalia que resposta a Israel foi suficiente, e expulsão de embaixador só seria considerada se Israel subisse o tom

Foto do author Felipe Frazão
Foto do author Vera Rosa
Por Felipe Frazão e Vera Rosa
Atualização:

RIO – O governo não tem intenção de expulsar o embaixador de Israel, Daniel Zonshine, neste momento, mas, em conversas reservadas, auxiliares do presidente Luiz Inácio Lula da Silva dizem que a ideia foi apresentada a ele e o tema pode voltar à mesa se Israel subir o tom ou adotar alguma nova medida mais séria.

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“Hoje, o nosso foco é no G-20, não em amplificar a tensão”, disse um diplomata ao Estadão. A expulsão de um embaixador é uma atitude muito drástica, que será tomada apenas em último caso, embora o cenário tenha sido apresentado a Lula na reunião de segunda-feira, 19, que contou com a presença de integrantes da coordenação política do governo e do assessor do presidente para Assuntos Internacionais, Celso Amorim.

A saída do embaixador de Israel no Brasil foi defendida por aliados de Lula por causa da crise diplomática que se agrava desde o fim de semana, provocada pela comparação que o presidente fez entre o Holocausto de judeus pelos nazistas e a campanha militar israelense na Faixa de Gaza contra o grupo terrorista Hamas.

Integrantes do governo estudaram cenários junto ao presidente, e optaram, por enquanto, em apenas responder ao governo israelense, sem impulsionar a crise. O Itamaraty considera que, após a dura reação do ministro Mauro Vieira, que acusou Israel de atacar o Brasil de forma “insólita” e praticar “antidiplomacia” com fins políticos, agora é a vez de Tel Aviv tomar o próximo passo. O chanceler mirou sua reação no homólogo Israel Katz.

O ministro deixou claro que o Brasil vai reagir sempre, recorrendo a protocolos diplomáticos. A expulsão de Zonshine é um deles, assim como declaração de persona non grata, aplicada por Israel a Lula.

Imagem mostra Daniel Zonshine, embaixador de Israel no Brasil. Zonshine pode ser expulso do País devido à crise diplomática gerada por declaração de Lula e reação de Israel Foto: Divulgação/Embaixada de Israel

Por enquanto, as medidas aplicadas foram apenas as convocações dos embaixadores dos dois países a prestar esclarecimentos às chancelarias junto as quais estão credenciados.

A chancelaria brasileira já teve quatro encontros com Zonshine para manifestar desagrado a atitudes tomadas por ele, como sua participação em uma reunião com parlamentares de oposição com a presença do próprio Bolsonaro, no ano passado, ou pelo governo israelense. Apenas a última conversa foi divulgada, após Israel classificar Lula como “persona non grata” -- na esteira de suas declarações comparando os ataques daquele país na Faixa de Gaza ao extermínio de judeus promovido por Adolf Hitler --- e o chanceler Israel Katz levar o embaixador do Brasil em Tel Aviv, Frederico Meyer, ao Museu do Holocausto para lhe passar uma reprimenda em hebraico.

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Lula e o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, consideraram a situação “inaceitável” porque Meyer foi humilhado. Vieira conversou com Zonshine, nesta terça-feira, 20, para mostrar o desconforto do governo brasileiro com a reação de Israel. Integrantes do Itamaraty asseguram que a saída do embaixador do País não foi tratada no encontro.

No caso do Brasil, o embaixador Frederico Meyer foi chamado de volta a Brasília, outro gesto de insatisfação. Lula não decidiu ainda pela remoção completa, segundo diplomatas. A convocação de Zonshine por seu próprio governo a Tel Aviv seria um passo semelhante, que ainda não ocorreu.

É fato reconhecido dos dois lados que o relacionamento entre Brasil e Israel está deteriorado no mais alto nível político - entre Lula e Netanyahu - e no primeiro escalão ministerial - entre Vieira e Katz. Mas o Brasil não quer dar o primeiro passo.

Se aplicada pelo Planalto, a expulsão de Zonshine poderia desencadear o rompimento de relações diplomáticas, algo que não interessa a nenhum dos lados, segundo embaixadores, por causa das relações econômicas e laços entre os países, com expressiva comunidade judaica Brasil e brasileira em Israel.

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O representante do governo Benjamin Netanyahu foi convocado ao Rio na segunda-feira pelo ministro Mauro Vieira. Foi a quarta vez, desde o ano passado, que ele recebeu recados de insatisfação do governo Lula. O motivo foram declarações dele à imprensa que pegaram mal junto ao Planalto e uma reunião com o ex-presidente Jair Bolsonaro, principal rival político de Lula. O chanceler brasileiro chegou a dizer certa vez que não conhecia Zonshine, em tom irônico, e que se dirigia ao chefe dele.

A indisposição do governo com embaixador israelense não é nova. Desde o ano passado, parlamentares do PT argumentam abertamente em favor de sua expulsão do País, entre eles o líder do Governo na Câmara, José Guimarães (CE). Agora aliados de Lula no PT voltaram a pregar publicamente que o diplomata israelense deve ser expelido do Brasil.

O Itamaraty, no entanto, afirma que o Brasil não tem intenção de levar o caso adiante. Diplomatas que atuam em Tel Aviv querem uma trégua, embora não haja sinal disso. Segundo uma fonte a par da conversa entre Vieira e Zonshine, a posição brasileira de não escalar a crise foi claramente transmitida a ele. O governo entende que deixou claro que a situação é inaceitável e chegou a um limite, em termos diplomáticos.

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