Irmão de Uribe nega vínculos com paramilitares denunciados pelo 'Post'

Jornal de Washington cita policial aposentado que acusa Santiago Uribe de chefiar milícia

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BOGOTÁ - Santiago Uribe, irmão do presidente da Colômbia, Álvaro Uribe, negou nesta quarta-feira, 26, ter vínculos com os paramilitares do país. As declarações foram feitas em uma carta endereçada ao jornal americano Washington Post, que teria denunciado os laços de Santiago.

 

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"Rejeito enfaticamente o artigo publicado pelo Washington Post em 24 de maio de 2010, com o qual se pretende provar falsas e infames acusações de velha data contra mim e minha família", disse na carta o irmão do presidente, datada da terça-feira e publicada pelo jornal colombiano El Tiempo.

 

Segundo Santiago, no artigo, "sem equilíbrio nem rigor jornalístico", se recorre ao "testemunho mentiroso" de Juan Carlos Meneses, alto oficial aposentado da Polícia, "em suspeita coincidência com as eleições presidenciais" na Colômbia, que ocorrem no próximo domingo.

 

"Trata-se de acusações que foram investigadas e desvirtuadas recorrentemente, tanto pela Justiça colombiana quanto nos debates públicos, que se fizeram no Congresso do país", destaca Santiago. Ele ainda acrescenta que o propósito de tais denúncias é "manchar a gestão do governo de seu irmão, que combateu com firmeza as organizações criminais em todas as suas expressões".

 

Na entrevista de segunda-feira, Meneses denunciou que Santiago chefiou um grupo paramilitar na década de 90 no noroeste do país. O ex-oficial da Polícia disse ao Post que "Os 12 Apóstolos", suposto grupo do acusado, assassinou criminosos, simpatizantes das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) e outras pessoas. Ele ainda diz que Álvaro Uribe, então senador, sabia dos feitos do irmão.

 

A versão de Meneses, porém, foi colocada em dúvida na terça pelo diretor da Polícia Nacional da Colômbia, o general Oscar Naranjo. Segundo ele, o coronel aposentado Pedro Manuel Benavides denunciou que Meneses o colocou em contato em 2008 com pessoas próximas de um grupo narcotraficante que lhe ofereceram dinheiro para depor contra Uribe e seu irmão, o que não foi aceito.

 

O presidente Uribe, que sempre negou qualquer laço com os paramilitares, classificou as acusações como blasfêmias. Já o ministro da Defesa, Gabriel Silva, disse que as afirmações são parte de operações de inteligência que estariam partindo da Venezuela para "desprestigiar o governo de Uribe".

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