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Amsterdã quer trocar Distrito da Luz Vermelha por ‘edifício erótico’ e cria atrito com UE

Autoridades decidiram construir um edifício para agrupar serviços sexuais e bares; a Agência Europeia de Medicamentos (EMA), localizada na capital holandesa, critica o projeto

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Por Redação

AMSTERDÃ – A Agência Europeia de Medicamentos (EMA) se posicionou contra a construção do “centro erótico” da prefeitura de Amsterdã que vai substituir o histórico distrito da luz vermelha, onde se concentram bordéis e onde trabalham centenas de profissionais do sexo na capital da Holanda.

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A cidade pretende fechar quase metade das vitrines dos bordéis do distrito da luz vermelha, transferindo seus inquilinos para um novo local. No mês passado, anunciou três locais possíveis, dois dos quais a 10 minutos a pé do prédio da EMA, no distrito comercial ao sul de Amsterdã.

Localizada no distrito de Zuidas — uma das regiões estudadas para abrigar o edifício sexual no sul da cidade —, a agência alega temer “incômodos, tráfico de drogas, embriaguez e comportamento desordeiro”, como noticiou a BBC News.

Distrito da 'Luz Vermelha" concentra locais em que diversos profissionais do sexo trabalham em Amsterdã, na Holanda  Foto: Piroschka van de Wouw/Reuters

A prefeita de Amsterdã, Femke Halsema, tem enfrentado oposição local à construção do centro erótico. O projeto de um edifício com vários andares, com bares e espaços de entretenimento, substituiria a área central de prostituição na região, conhecida como “Distrito da Luz Vermelha”.

Segundo Halsema, o projeto melhoraria a situação das trabalhadoras do sexo e reduziria a influência do crime organizado. Em fevereiro, a prefeitura já havia anunciado novas regras que tornaram ilegal o uso de maconha nas ruas do distrito. Para a EMA, os problemas apenas seriam transferidos e continuariam recorrentes em qualquer nova instalação:

“A localização do Centro Erótico próximo ao prédio da EMA provavelmente trará os mesmos impactos negativos para a área adjacente”, diz a nota do órgão.

Em 2019, a prefeita propôs pela primeira vez a mudança de local e o fechamento de muitas das vitrines das trabalhadoras do sexo do distrito. “Espero que seja possível criar um centro erótico que tenha alguma classe e distinção e não seja um lugar onde apenas pequenos criminosos e as mulheres mais vulneráveis se reúnem”, disse Haselma ao jornal Observer em novembro passado.

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Segundo ela, a maioria dos turistas visitava o Distrito da Luz Vermelha para observar as trabalhadoras do sexo das ruas em vez de participar dos bordéis legalizados. A cidade encerrou as visitas guiadas na área do distrito da prostituição no início de 2020.

A intenção da primeira prefeita de Amsterdã em acabar com o Distrito da Luz Vermelha, região que virou ponto turístico da cidade por causa das vitrines que exibem prostitutas, tem gerado críticas tanto por parte das profissionais do sexo quanto pelos proprietários dos bordéis concentrados no distrito de De Wallen, no centro da cidade./AFP

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