Chanceler chinês afirma que relações do país com a Rússia resistiram às ‘mudanças internacionais’

Em encontro com chanceler russo, Wang Yi, da China, comemorou manutenção das relações bilaterais durante a guerra; posição do gigante asiático é ambígua

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Por Redação
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O ministro das Relações Exteriores da China, Wang Yi, afirmou ao chanceler russo, Sergei Lavrov, que “as relações sino-russas resistiram ao novo teste de constantes mudanças internacionais” e que a China está disposta a levar as relações bilatareais a “um nível ainda mais alto”. A informação é do Ministério das Relações Exteriores chinês, através de um comunicado.

Os dois chanceleres também condenaram o que chamaram de sanções ocidentais ilegais e contraproducentes impostas a Moscou por suas ações na Ucrânia, disse o Ministério das Relações Exteriores russo em comunicado.

Wang e Lavrov se reuniram na província de Anhui, na China nesta quarta-feira, 30. No encontro, Wang Yi também expressou apoio à continuidade das negociações de paz entre a Rússia e a Ucrânia. O chanceler elogiou os dois países “na superação das dificuldades e na continuidade das negociações de paz” e “aos esforços feitos pela Rússia e outras partes para evitar uma crise humanitária em larga escala”.

As declarações foram feitas apesar da continuidade dos ataques russos na Ucrânia nesta quarta, inclusive nas regiões de Chernihiv e Kiev, onde eles afirmaram que iriam diminuir a intensidade dos ataques.


Chanceler da Rússia, Sergei Lavrov, com seu colega chinês, Wang Yi, antes do encontro nesta quarta-feira, 30. Os dois reafirmaram a solidez das relações bilaterais entre os dois países Foto: STR / AFP

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Ainda de acordo com o comunicado chinês, o chanceler considera que o conflito na Ucrânia vai dar lições a longo prazo e responder às legítimas preocupações de segurança de todas as partes “com base no princípio do respeito mútuo e da indivisibilidade da segurança”. Para ele, a guerra pode possibilitar “construir uma arquitetura de segurança europeia equilibrada, eficaz e sustentável através do diálogo e da negociação”.

Antes do encontro, Sergei Lavrov saudou a China como parte de uma nova ordem mundial. O chanceler obteve de seu aliado chinês uma reafirmação da amizade “ilimitada” de ambos os países em sua visão de construir essa nova ordem. “Estamos vivendo uma etapa muito séria na história das relações internacionais”, declarou, no início de um encontro bilateral com Wang Yi.

“Nós, junto com você e com nossos simpatizantes, avançaremos em direção a uma ordem mundial multipolar, justa e democrática”, disse Lavrov ao chanceler antes da reunião, em um vídeo divulgado pelo Ministério das Relações Exteriores da Rússia. Foi a primeira visita do chanceler à China desde que a Rússia invadiu a Ucrânia, no dia 24 de fevereiro.

“Estou convencido de que, no final desta etapa, a situação internacional ficará muito mais clara e que nós, junto com vocês e com nossos apoiadores, avançaremos em direção a uma ordem mundial multipolar, justa e democrática”, disse Lavrov ao ministro chinês.

Posição da China na guerra

Desde que a guerra na Ucrânia teve início, no dia 24 de fevereiro, a China adota uma estratégia dúbia, na avaliação dos analistas do conflito. O país adotou um esforço para se manter neutro, e se divide, de um lado, entre o interesse econômico de continuar se aproveitando da globalização e das relações econômicas com o Ocidente, que são fortes, e, por outro, de afirmar a superioridade da autocracia sobre a democracia.

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O país tem apresentado algumas tentativas de se distanciar da Rússia, primeiro através da linguagem, mas permanece relutante em aplicar sanções, por exemplo.

Diante da resistência ucraniana e da união das democracias ocidentais, que impuseram sanções sem precedentes, a Rússia pode contar apenas com o poder chinês para escapar do isolamento econômico total.

Depois da invasão, a China se declarou defensora da soberania dos países. Mas se absteve nas votações no Conselho de Segurança e na Assembleia-Geral da ONU das resoluções que condenaram a violação da soberania ucraniana. Xi tem manifestado simpatia pelas alegadas preocupações de Putin com a expansão para o leste da Otan – pretexto para a invasão.

Na conversa com Joe Biden, há algumas semanas, o presidente chinês, Xi Jinping, cobrou um preço para dosar sua ajuda a Putin: os EUA deixarem de incentivar a independência de Taiwan. Já Biden o advertiu para “sérias consequências” de a China prover a Rússia com assistência militar e econômica. As retaliações serão nos campos econômico e tecnológico.

Nesta quarta, o chanceler Wang Yi repetiu uma frase utilizada pelo presidente russo, Vladimir Putin, e por Xi Jinping para caracterizar os laços entre os dois países. “Nossa luta pela paz não tem limites, nossa defesa da segurança não tem limites, nossa oposição à hegemonia não tem limites”. /AFP, REUTERS, NYT